Kian Martin a mostrar-nos as qualidades de Watu Karung, em Java. Kian Martin a mostrar-nos as qualidades de Watu Karung, em Java. Foto: Tim Hain/WSL

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terça, 22 agosto 2017 15:05

Um ‘Dream Tour’ sem o paraíso do surf

Em análise o facto de não haver uma prova do CT na Indonésia… 

 

O World Championship Tour da World Surf League é composto de 11 etapas ao redor do planeta e algumas delas têm lugar em ondas de sonho, lugares que facilmente invadem o imaginário de qualquer jovem (e não só) surfista. 

 

Pelas razões que são conhecidas, Fiji e o Taiti conquistam a ordem de preferência entre os seguidores do World Tour. 

 

No entanto, hoje, ao divagarmos sobre o 'Dream Tour', demos por nós a questionar o porquê de não existir uma etapa na Indonésia, o paraíso e a zona por excelência do surf internacional. Uma janela de espera de duas semanas, tal como acontece com qualquer CT, seria seguramente garantia de espetáculo e boas ondas. 

 

- O ano passado, a visão de sonho em Lances Right para o QS1000 das Mentawai. Foto: WSL

 

A questão é pertinente e levou-nos a tomar algumas conclusões/considerações. 

 

Por um lado temos o facto da Qualifying Series registar três provas (quatro se contarmos com o evento especial Rip Curl Cup Padang Padang) em território indonésio esta temporada: Krui Pro (Sumatra), Komune Pro (Bali) e o Hello Pacitan Pro (Java). As três, no mesmo pé de igualdade, apresentam a categoria QS1000, a mais baixa do circuito mundial de qualificação e a que oferece menos pontos. 

 

Aparentemente, a próxima temporada poderá contar com a inclusão de outras duas, na ilha de Roti e em Sumbawa, também de categoria QS1000, pelo que se pode assumir que a presença da WSL na região está a ficar mais consistente. 

 

Bem, isto deveria ser o indicador perfeito para uma possível prova da Championship Tour na Indonésia muito em breve... mas não. O que se passa é que todos estes eventos são subsidiados por entidades governamentais locais, através de um fundo regional dedicado ao turismo, e várias empresas privadas que olham para os campeonatos de surf como uma ação pura de marketing que visa atrair mais turismo, surfistas e praticantes em torno desta atividade. 

  

Jose Gundesen no sítio certo à hora certa. Foto: Tim Hain/WSL

 

Já uma prova da Championship Tour envolve outro tipo de investimentos e quantias. E é precisamente aí que a porca torce o rabo, pois o governo indonésio não está para pagar para sediar um CT nas suas águas. Muito pelo contrário, a Indonésia quer que a WSL traga dinheiro e patrocinadores para o país de forma a ter o privilégio de realizar um campeonato nas suas ondas de sonho. 

 

Isto é precisamente o contrário do que sucede na grande maioria das provas do World Tour que, como bem sabemos, são financiadas pelos ministérios de turismo dos seus próprios países de forma a poderem receber um CT. 

 

Noutros tempos, a alternativa passaria pela própria indústria do surf que bancaria sem hesitar um evento em território indonésio. Contudo, hoje em dia, seriam poucas as marcas que poderiam dar-se ao luxo de o fazer.  

 

Portanto, até que venham melhores tempos, resta-nos esperar. 

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  • Constância Simões Constância Simões

    Esta semana fomos até à ponta sul do país, ao Algarve, falar com uma nova promessa do surf feminino… 

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