Kiron Jabour a competir na última etapa da Liga na Praia do Guincho. Kiron Jabour a competir na última etapa da Liga na Praia do Guincho. Foto: Pedro Mestre/ANSurfistas

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terça, 03 outubro 2017 15:53

Kiron Jabour: “A cada dia que passa apaixono-me mais por este país e as suas ondas”

Exclusivo com o novo reforço do surf nacional… 

 

Surfista havaiano de 26 anos, de pais brasileiros, que se encontra atualmente a residir em Cascais. Em 2008, foi eleito pela Surfer Magazine como um dos vinte maiores talentos do surf mundial sub-18. É o mais novo reforço da Liga MEO Surf. Fica a conhecê-lo melhor. 

 

Fala-nos um pouco do teu “background” como surfista. De onde és, como começaste no surf e como acabas a viver em Cascais?

Kiron Jabour: Eu nasci no Brazil, mas a minha família mudou-se para o Havai quando eu era ainda bebé. Acabei por crescer no North Shore de Oahu, apaixonei-me pelo surf desde pequeno, o meu pai já me empurrava para as ondas aos 3 anos. Comecei a competir com 13 anos e no primeiro sagrei-me campeão nacional americano. Depois começaram a surgir os primeiros sponsors. Eu amo estar no mar e surfar, e gosto muito de competir pelo desafio em si. Mais tarde, em 2014, Deus abençoou-me com duas filhas gémeas portuguesas e, por esse motivo, mudei a minha vida e vim para Portugal, onde resido atualmente, tudo para poder estar junto delas. A cada dia que passa apaixono-me mais por este país e as suas boas ondas. 

 

Comparando com o Havai, que diferenças notas para as ondas portuguesas? 

KJ: Na minha opinião, Portugal é o Havai da Europa mas com água fria. (risos) Aqui podemos encontrar todos os tipos de ondas: reefs, tubo, ondas grandes, ondas pequenas, point-breaks e beach breaks. Não falta nada! Realmente, durante o inverno, consigo sair daqui preparado para qualquer tipo de onda. E o mar tem muito força, é muito parecido com o Havai.

 

“Eu amo estar no mar e surfar,

e gosto muito de competir pelo desafio em si"

 

- No Allianz Sintra Pro 2017, a sua primeira participação na Liga. Foto: Luís Niza/ANSurfistas

 

Do que já viste e das ondas que já surfaste, quais te parecem ser as melhores zonas para o surf em Portugal? 

Ainda tenho muito para explorar em Portugal, mas, para mim, até ao momento, Ericeira é o melhor. Gosto muito de todos os reefs que se encontram por lá.

 

E em termos de surfistas, quais os portugueses que te encheram mais o olho e parecem apresentar um nível mais alto? 

Portugal tem muitos surfistas bons. Para mim o surf não é só competição e eu admiro muito aqueles surfistas que gostam de acordar cedo porque sabem que vai ter um swell grande com potencial de apanhar uns tubos pesados e que tenham pica para correr atrás desses desafios, como o Nicolau von Rupo, Miguel Blanco, João de Macedo, Alex Botelho, Tiago Pires, etc. Só para referir alguns nomes com quem eu já tive o prazer de dividir algumas “sessions” de surf aqui em Portugal. Da nova geração também tive o prazer de observar o surf do Afonso Antunes. Gosto muito do estilo e da linha que apresenta.

 

“Admiro muito aqueles surfistas que gostam de acordar cedo

porque sabem que vai ter um swell grande”

 

Recentemente fizeste a tua segunda presença na Liga (no Guincho) e terminaste em 3.º lugar. Como te parece a organização deste circuito profissional?

Estou muito feliz de poder participar na Liga MEO Surf. Acho a estrutura dos eventos muito profissional. Acredito que deve ser umas das melhores ligas nacionais do Mundo. Já estou à espera do ano que vem para poder fazer na íntegra o circuito e tentar ser campeão.

 

A Liga MEO Surf é uma competição onde tens em mente competir mais vezes? Que objetivos concretos tens para ela? 

Como já referi, pretendo competir na Liga em todas as etapas e tentar ser campeão da mesma.

 

“[a Liga MEO Surf] deve ser umas das melhores ligas nacionais do Mundo”

 

- Durante a "expression session" da última etapa disputada na praia do Guincho. Foto: Pedro Mestre/ANSurfistas

 

És um competidor regular da Qualifying Series da WSL. A teu ver, o que faz o mundial de qualificação ser tão duro e exigente?

Como todos os que competem no WQS, eu também quero avançar para o WCT. O que tem sido mais difícil para mim é adaptar-me ao tipo de surf e condições que o WQS apresenta. Eu tenho aprendido muita coisa os últimos anos, estou a ficar cada vez mais confiante no meu surf para poder avançar no WQS. Isso deixa-me motivado para entrar no CT e dar o meu melhor, onde eu acredito que devo estar.

 

Sabemos que és um dos amigos de infância de John John. Como é ter assistido à sua ascensão meteórica, desde a entrada para o Tour, às vitórias e à conquista do primeiro título mundial?

Foi incrível poder assistir ao meu amigo de infância e um dos meus melhores amigos a conquistar tudo que já conquistou no surf. A evolução dele foi incrível e foi muito emocionante estar em Peniche o ano passado para o carregar em ombros quando foi campeão mundial. Ele representa o surf muito bem e tem muito amor pelo desporto. Acredito que todos os surfistas ficaram felizes de o ver sagrar-se campeão mundial.

 

“Acredito que todos os surfistas ficaram felizes

por ver John John sagrar-se campeão mundial”

 

- A rasgar bem forte de backside nas ondas do Guincho. Foto: Pedro Mestre/ANSurfistas

 

John John é mesmo o melhor surfista do Mundo? Que tem ele que mais nenhum surfista tem?

Na minha opinião, ele é o melhor surfista do Mundo. Ele é o surfista mais completo de mar pequeno e gigante. Ele dá show sempre que entra no mar, mesmo entre os melhores. E tem aquela paixão de sempre, está sempre dentro de água esteja pequeno ou grande. No fundo, ele quer é surfar. É realmente um viciado no surf.

 

Para terminar, traça-nos os teus planos para os próximos 12 meses. 

Nos próximos meses o meu foco fica com as ondas do inverno em Portugal e no Havai. Vou competir nas três etapas da Hawaiian Triple Crown e quero chegar com ritmo, corpo forte e flexível, bem como com pranchas mágicas para poder dar o meu melhor. Além disso, viso também apanhar as maiores ondas e fazer os tubos mais “deep” da minha vida. 

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