Francisco Rodrigues nos Portugal Surf Awards promovidos pela ANS. Francisco Rodrigues nos Portugal Surf Awards promovidos pela ANS. Foto: Christophe Guerreiro/MEO

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terça, 07 novembro 2017 16:30

De mãos dadas com o futuro do Surf Português

Exclusivo com Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas… 

 

Francisco Rodrigues acaba de ser reconduzido no cargo de presidente da direção da Associação Nacional de Surfistas para o triénio de 2018-2020 (ler mais aqui), liderando assim uma estrutura de continuidade à frente dos destinos da entidade que representa os melhores surfistas nacionais. Num exclusivo Surftotal, confere as respostas que deu a cinco perguntas fundamentais.

 

A primeira pergunta que me vem à cabeça é porque te dedicas a trabalhar em prol do surf nacional com condições financeiras menos vantajosas quando o teu currículo e percurso profissional, que faziam prever que estivesses a trabalhar numa multinacional com uma carreira promissora?

As nossas motivações profissionais têm várias vertentes sendo que o projecto da Associação Nacional de Surfistas tem os seus próprios desafios sobre os quais tenho imenso prazer de trabalhar. Além disso, nós surfistas, temos esta ligação à modalidade que, na realidade, não é muito explicável, É assim por ser assim! Não vou pelo caminho do estilo de vida ou pelo facto da ANS me aproximar mais do line-up, porque é exactamente ao contrário. Tal como qualquer pessoa que trabalha para o Surf, quanto mais trabalhamos por ele, menos surfamos. No entanto, não tenho deixado de percorrer o meu caminho profissional nas outras áreas de actividade e, felizmente, tem sido possível coordenar ambas as vidas profissionais. O mais importante é o reconhecimento dos surfistas e dos imensos parceiros com os quais trabalhamos diariamente. Todos eles têm o seu cunho de exigência que nos obriga a melhorar de ano para ano mas também estão sempre ao nosso lado para superar os desafios desse processo. 

 

“Há um fosso grande entre vestir licras e os desígnios de dirigente desportivo"

 

Consegues juntar os dois lados, a competência profissional com a ligação próxima aos surfistas? Tu próprio foste atleta e viveste o surf por dentro. Achas que isso de viver o surf por dentro é fundamental para presidir uma instituição como a ANS?

Provavelmente, isso é o mais importante. O mundo profissional vive essencialmente de relações. Saber conjugar as várias dimensões num caminho único é absolutamente fundamental. Quem trabalha comigo sabe que não sou uma pessoa que diz "sim" à primeira. No entanto, quando pode ser possível, dou tudo para que se resolva. Eu fui competidor, tive as minhas vitórias e derrotas e vivi os campeonatos por dentro até à escala europeia durante muitos anos. No entanto, há um fosso grande entre vestir licras e os desígnios de dirigente desportivo. A minha função é saber concretizar as duas partes, mas, sem dúvida, que o meu passado de competidor tem sido uma grande ajuda. 

 

- Junto a Vasco Ribeiro, campeão da Liga MEO Surf 2017. Foto: Christophe Guerreiro/MEO

 

Quando conversamos sobre a ANS, falas de João Capucho como se fosse um “passador de testemunho”. Que aprendeste com ele e o que procuraste mudar ou acrescentar ao longo do teu mandato?

O João, acima de tudo, é um grande e bom amigo. Fui convidado para os órgãos sociais da ANS em 2005 por ele. Na altura estava quase a acabar a minha licenciatura e o mundo profissional era uma completa novidade. Fui entrando devagar nos assuntos e, a partir de 2007/2008, intensifiquei bastante o suporte à presidência do João. Foram tempos muito importantes para a ANS onde o modelo de relações foi totalmente estruturado. Posso mesmo dizer que tivemos de começar do zero. Se por um lado foi complicado, por outro, foi muito bom para aprender tudo o que podia. Mais ainda, foi nessa altura que se estabeleceu e amadureceu bastante o formato e regulamentos da Liga MEO Surf, o que serviu de base ao que hoje vivemos. Os surfistas devem agradecer bastante ao João porque deixou a casa muito bem arrumada. 

 

"A ANS é uma plataforma de divulgação do que os nossos associados fazem"

 

Quais os pontos fulcrais em que tu e a tua equipa contribuíram para fazer crescer o surf nacional durante o teu mandato e quais os pontos que pretendes melhorar para o mandato seguinte?

Na sequência da pergunta anterior, havendo solidez interna, era preciso ir para o plano exterior. Vender, vender, vender. Esta foi a minha prioridade desde que assumi a presidência da ANS. Hoje em dia temos uma Liga que vive do mercado na sua generalidade e não apenas contida às possibilidades das marcas endémicas do surf. Isto tem tanto de bom como de exigente, o que também nos obrigou a ir ajustando ao longo do caminho. Por exemplo, tivemos excelentes parceiros na área da comunicação e produção de conteúdos, mas as nossas necessidades obrigaram-nos a puxar esses serviços para dentro de portas, com um controlo mais directo para darmos a resposta que se exige. Por sua vez, ao nível de comunicação, a ANS é uma plataforma de divulgação do que os nossos associados fazem, permitindo fazer um acompanhamento de perto, por exemplo, do que eles fazem nas competições mundiais da World Surf League. Temos agora um objectivo para este mandato de aumentar a influência da ANS junto das entidades e/ou centros de decisão relevantes para o Surf. 

 

Como imaginas o surf nacional dentro de 10 anos a nível profissional?

O mundo muda todos os dias e ninguém consegue prever o quer que seja. Preferia responder a como eu desejava o mundo do surf daqui a 10 anos. Adorava ver as marcas de surf novamente com mais força dado que isso arrasta tudo para cima, principalmente os surfistas que precisam de investimento para as suas carreiras. Gostava também de passar estes 10 anos a ver o Frederico Morais continuar o seu caminho ascendente que muito nos orgulha. Por sua vez, não personalizando em nenhum deles mas sabendo eles quem são, gostaria de ver mais portugueses ao mais alto nível, tanto no masculino como no feminino. Vai ser muito interessante acompanhar o crescimento da geração do Afonso Antunes. Por fim, espero que a ANS, a Federação Portuguesa de Surf e as selecções nacionais consolidem os seus caminhos de ano para ano, e que a Ocean Events (e restantes organizadores de provas internacionais) se mantenham virtuosos mesmo depois da estruturação do calendário da World Surf League que acontecerá em 2019. 

 

"Adorava ver as marcas de surf novamente

com mais força dado que isso arrasta tudo para cima"

 

- Foto: Christophe Guerreiro/MEO

 

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Entrevista por Bernardo Seabra "Giló".

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