Rasgada de backhand a norte. Rasgada de backhand a norte. Foto: Tó Mané

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quarta, 06 dezembro 2017 10:34

Artur Rebelo: “O Surf era mais heterogéneo nos anos 90"

Um entrevista que cruza várias épocas e momentos do surf… 

 

Num exclusivo com o cunho Surftotal, esta semana fomos até ao norte para reviver o espírito do surf dos anos 90. Artur Rebelo é o entrevistado de serviço. 

 

Nome, idade, local?

Artur Rebelo. 46 anos, Porto.

 

Profissão?

Designer gráfico e Professor na Universidade de Coimbra.

 

Surf desde?

Comecei em 1984. Faço surf quando posso, embora no inverno só consiga duas a três vezes por semana.

 

O que significa o surf para ti?

Faço surf desde os treze anos de idade…  por isso, não consigo imaginar a minha vida sem as ondas. É uma experiência inigualável, é alegria, são amizades, viagens, é vencer o medo, é uma forte ligação à natureza, é apanhar uma valente coça da rebentação gelada para, às vezes, apanhar apenas uma onda ou duas. É o meu desporto, a minha meditação, o meu health club. 

 

“[O Surf] É o meu desporto, a minha meditação, o meu health club"

 

- Foto: Octus Focus

 

Pico favorito?

É-me muito difícil escolher um! Talvez a Maceda, pela qualidade do surf e pelo belo cenário do pinhal. 

 

Última sessão de surf memorável?

Foi na Capela, um fim da tarde em setembro, estavam paredes de dois metros “glass", com oito pessoas no pico.

 

A tua manobra preferida? 

Talvez o snap de frontside e off the lip de backside… 

 

E a tua prancha preferida?

A minha prancha preferida, apesar de a usar poucas vezes, é a Black Beauty (Al Merrick), mas precisa de ondas boas.

 

"Aquilo [o Cabedelo] parecia a onda artificial do Kelly Slater"

 

- Foto: Pinheiro Koninck

 

Maior tubo de sempre?

Não me lembro exactamente qual o maior, mas posso apostar que foi no Cabedelo nos anos de 90. Aquilo parecia a onda artificial do Kelly Slater.

 

O surf nos anos 90 e o surf nos dias de hoje?

O Surf de hoje está mais apurado e a técnica evoluiu mutíssimo. Para além disso, os shapes e materiais das pranchas, fizeram que estas tivessem ficado mais curtas. Nos anos 90, o Slater usava uma 7’0’’ em Pipeline, agora anda com uma 5’9’’, nem consigo perceber! Pessoalmente, adoro o surf que se faz hoje em dia, mas tenho algumas saudades dos anos 90. Usavam-se pranchas maiores, por isso, via-se mais a prancha e tenho a sensação que saía mais água nas manobras. Hoje o nível técnico é muito alto, a competição é mais séria, há mais dinheiro envolvido, logo não há muito espaço para o “surfista louco” dos anos 90. Nessa década havia espaço para o “surfista certinho” - tipo Damien Hardman ou Barton Lynch - e para surfistas com uma atitude mais excêntrica como o Brad Gerlach. O que tornava a cena do surf profissional mais heterogénea. Era mais divertido! No circuito mundial cada surfista tinha um estilo muito marcado, a classe do Tom Curren, o “power" do Occy, Pottz, Matt Hoy, as transições bruscas do Shane Herring, que usava pranchas finas e com um rocker muito prenunciado. Eu emociono-me mais a ver aqueles snaps poderosos do Luke Egan do que qualquer manobra aérea do Medina. E, por esse motivo, os surfistas mais jovens que mais gosto de ver são os que transportam esse “power carve”, o John John, Dane Reynolds, Jordy Smith e o Kikas.

 

“Adoro o surf que se faz hoje em dia,

mas tenho algumas saudades dos anos 90"

 

- Foto: Miguel Dolce

 

Surf e internet, uma relação de harmonia?

A internet possibilita acompanhar em tempo real quase todos os movimentos, mais e menos mediáticos, do surf. Ver as condições do mar sem sair de casa, assistir aos heats do Saca e do Kikas em direto! Customizar uma prancha online… fazer o “post” com as fotos da última surfada. O que também faz com que muita gente perca demasiado tempo em frente ao monitor a desperdiçar a “vida real”. Antes da internet, agarrava a bicicleta e ía ver o mar. 

 

Mensagem a deixar?

O surf depende diretamente da natureza - é mais uma razão para estarmos preocupados com as alterações climáticas. Devemos aumentar a consciência ecológica. Fazer por reciclar mais, poluir menos, andar menos de carro, gastar menos água, comer mais vegetais e menos carne. "Trump don't surf and we think he should”.

 

 

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    Esta semana fomos até à ponta sul do país, ao Algarve, falar com uma nova promessa do surf feminino… 

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