"Não sei se é possível surfar uma onda de 30 metros, mas se for, quero estar aqui para ver" - Grant 'Twiggy' Baker sobre a temporada de 2021/22 na Nazaré sexta-feira, 10 dezembro 2021 15:00

"Não sei se é possível surfar uma onda de 30 metros, mas se for, quero estar aqui para ver" - Grant 'Twiggy' Baker sobre a temporada de 2021/22 na Nazaré

 Grant 'Twiggy' Baker está na Nazaré para a temporada de 2021/22.

 

 

Na véspera do Nazare Tow Surfing Challenge, que deve acontecer no domingo dia 12 ou na segunda dia 13, a Surftotal esteve à conversa com Grant 'Twiggy' Baker, o surfista sul-africano que nas últimas semanas tem aproveitado a temporada de ondas grandes 2021/22 na Nazaré. O três vezes campeão mundial de surf de ondas grandes partilhou algumas das suas opiniões relativamente ao surf na Nazaré de um modo geral e mais especificamente nesta temporada, a possibilidade de ser batido nesta temporada o actual recorde da maior onda surfada, e como se compara o tow in ao surf à remada. 

 

Grant Baker na Nazare. Foto: WSL

 

 

Como tem sido a temporada de ondas grandes de 2021/22 em Portugal e na Nazaré?

Até agora a temporada de 2021/22 tem sido incrível na Nazaré. Estou aqui há duas semanas, e as ondas têm estado óptimas todos os dias, grandes, com tubos, vento offshore todas as manhãs...

 

 

 

 

 

 "Vai ser preciso uma tempestade especial para haver uma onda de 30 metros."

 

 

 

 

A temporada acabou de começar, mas quem tem uma conexão com a natureza às vezes tem certos pressentimentos. Sentes que vai ser uma boa temporada? Acreditas que a lendária onda de 30 metros será surfada esta temporada?

A temporada começou bem, e parece que vai continuar assim. Se as condições continuarem assim, bom tempo, vento offshore, com mais swell, a Nazaré vai continuar a render e os presságios são positivos. Quanto à onda de 30 metros, é impossível prever. Houve aquela ondulação monstruosa no ano passado, muitas ondas grandes em condições incríveis, mas nenhuma de 30 metros, por isso vai ser preciso uma tempestade especial, condições especiais para que isso aconteça, mesmo aqui na Nazaré. Não sei se é possível, mas se for, espero estar aqui para ver.

 

 
Sobre o equipamento, novas pranchas, motas de água, equipa que tenhas trazido este ano para a Nazaré, o que tens a dizer?

Antes de vir para a Nazaré eu estava no País Basco, e trabalhei com o Alex Lorenz da Pukas, e fizeram-me estas pranchas incríveis. Normalmente uso uma 10’6’’ archer se estiver muito grande, mas esta semana usámos 8’0’’, 9’0’’, 10’0’’… Pranchas diferentes de tamanhos diferentes todos os dias. O meu equipamento está a funcionar muito bem aqui. E tenho o meu parceiro também do País Basco que trouxe o seu jet ski para cá, o Natxo González. E temos trabalhado com uma equipa nestes últimos dez dias. Os dois remamos, mas um de nós vai para o jet ski e trata da segurança do outro, e vamos trocando. Tivemos uma semana fantástica, a minha parceria com o Natxo funciona muito bem, e é assim que vamos conseguindo apanhar umas boas ondas grandes.

 

 

 

 

"O surf à remada vai ser sempre o ápice mas o tow in tem o seu lugar."

 

 

 

 

O Tow In tem vindo a ganhar cada vez mais importância ao longo dos anos, o que pensas disso? Será de o auge do surf de alguma forma, ou o surf de ondas grandes à remada vai continuar no topo?

O debate sobre o tow e a remada é interessante. Acho que apanhar uma onda grande à remada vai sempre ser o ponto alto para qualquer surfista. A remada vai ser sempre o ápice, mas o tow in tem o seu lugar. A Nazaré começou como um lugar para tow in de ondas grandes, e a remada veio depois, então é um cenário diferente de Mavericks ou Jaws, que começaram como lugares de surf à remada. O tow in tem o seu lugar, e depois de um certo tamanho torna-se impossível remar. De 20 metros para cima, se está vento, se o swell não está perfeito, tens que fazer tow in aqui, não há dúvida. E o nível do tow in aqui é impressionante, todos os locais que fazem tow in surfam à remada também. Mas a performance deles é incrível. Fazer tow in numa onda de 20 e tal metros na Nazaré é uma descarga de adrenalina incomparável. Não há competição entre a remada e o tow in, é apenas uma questão de seguires o que sentes e o que gostas de fazer.

 

 

 

 

 

 

 

 

O que o surf significa para ti?

O surf é a minha vida, é tudo o que tenho feito durante quase 40 anos. Adoro isto e adoro surfar ondas grandes. É a minha paixão. Agora que estou a ficar mais velho, torna-se ainda mais abrangente para mim, é algo eu realmente amo fazer. Ontem foi o dia perfeito para mim. É difícil explicar. Não tem a ver com a adrenalina, é uma questão de testar onde estou na minha vida e as capacidades que tenho de ler o oceano e interagir com ele no seu estado mais radical. É algo que me dá muito prazer e um sentido de superação, e quero lentamente desafiar-me a surfar ondas cada vez maiores, com cada vez mais segurança, e assim ajudar o desporto a crescer.

 

 

 

 

Grant Baker venceu o Nazare Challenge 2018/2019. Foto: WSL / Poullenot

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