Uma análise sobre a essência e não só... Uma análise sobre a essência e não só... Foto: André Pinto

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quinta, 01 fevereiro 2018 17:46

Free Surf vs. Competição

Uma reflexão para nos fazer pensar… 

 

Um texto que surge na sequência deste - o Free Surf dos Free Surfers

 

Free Surf vs. Competição. As duas vertentes, de caraterísticas perfeitamente distintas, não parecem colar muito bem. Pelo menos numa primeira análise. No entanto, a verdade é que o free surf e a competição não têm fronteiras rígidas e muito menos são intransponíveis. Em muitos casos caminham mesmo de mãos dadas, misturam-se... e só isso pode explicar o facto de haver tantos free surfers que optam por ser (também) competidores. 

 

Será que afinal o free surf e a competição se complementam?

 

Tiago Oliveira, um dos mais experientes surfistas portugueses, provavelmente o primeiro a tentar uma carreira no free surf, começa por dizer que “O surf não nasceu de um pensamento de carácter competitivo, mas pode até ser possível que tenha surgido de uma aposta entre amigos”. 

 

José Gregório, Sto. Amaro de Oeiras. Foto: Ezon Ferrari

 

De seguida realça a sua experiência pessoal: “Quando vim viver para a Ericeira deixei de gostar do ‘junk surf’. Os dias de boas ondas eram tantos que já me deixavam satisfeito. A competição nunca foi algo que me deixasse inteiramente feliz, embora tenha sentido o sabor da vitória algumas vezes. Na natação, que fiz em jovem, treinei muito e nunca ganhei. No surf diverti-me muito e ganhei algumas vezes. E nunca fui para um campeonato a pensar em vencer. Fui sempre a pensar que podiam estar ondas perfeitas e tubos. E em algumas vezes esteve. Assim venci algumas vezes. Free surf é só felicidade! A competição só tem comparação quando as etapas com tubos entram em jogo”.

 

Talvez por esse motivo não seja novidade que ao longo dos tempos o free surf se tenha feito sempre representar em maior quantidade. Afinal de contas apenas um número restrito de atletas opta pela competição. 

 

“O free surfer pode viver sem a competição,

mas o surfista que compete não deve viver sem o free surf”

– Tiago Oliveira

 

Sebastião Furtado “Sebas”, Leça da Palmeira. Foto: Ricardo Ventura

 

Os mais de trinta anos de experiência de Tiago, como surfista, não mentem: “O número aumentou exponencialmente. É enorme a percentagem dos que passaram a agarrar o surf como prioridade, seja na escolha do destino de férias ou simplesmente como estilo de vida. O free surf sempre foi mais apetecível. A maior parte das pessoas não quer saber como se chama o campeão de surf. E isto acaba por revelar-se altamente saudável num meio onde o crowd aumenta rapidamente. O surfista competidor tem extrema dificuldade em sentar-se e esperar pela “sua” onda. E em esperar de novo pela sua vez quando volta para o outside. O interessante nesta questão é que o free surfer pode viver sem a competição, mas o surfista que compete não deve viver sem o lado free surf, nem tão pouco escondê-lo. A grande maioria não o faz. Muito pelo contrário, promove-o sempre que pode”.

 

Por tudo isto, apesar de soar contraditório, o surf parece não fazer sentido sem a componente competição. Acreditem que esta não é uma frase feita e, embora este seja um tópico altamente polémico, a verdade é que são muitos os que concordam. No final a conclusão é simples: “Complementam-se ou misturam-se consoante os objetivos do surfista e a sua forma de ver as coisas”. 

 

- À sombra nos cilindros de Carcavelos. Foto: André Pinto

 

A afirmação é uma vez mais de Tiago que completa a asserção com a memória de um episódio muito especial decorrido na Costa de Caparica: “No primeiro campeonato que entrei, com a nata do surf local presente, o Nuno Jonet (na altura organizador) veio até mim e corrigiu-me um pormenor técnico que se tornou o mais importante na minha vida de surfista, muito mais até como free surfer. Daí ter continuado a competir como complemento ao estilo de vida. Saí da natação, onde não se expressa a palavra nadador sem que signifique “nadador de competição”, com regras estritas de treino para cumprir, para uma nova realidade onde ser surfista era estar livre no mar, a fazer o que queria e como queria. Um mundo novo abriu-se ali à minha frente”.

 

Nota: Depoimentos recolhidos há algum tempo para um artigo de revista que, infelizmente, devido ao desaparecimento do print nunca chegou a ver a luz do dia. 

 

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Texto: AF

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