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A avó de Piu Goiaba tinha uma casa na praia mesmo em frente à rocha gigante que fica na costa norte da BaÃa da Guanabara, e ele estava constantemente a pedir aos seus amigos para se juntarem a ele e surfarem na laje secreta. "É apenas uma remada de 40 minutos", dizia o surfista com um sorriso.
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Em 1997, o fotógrafo brasileiro Rick Werneck fez a travessia para a ilha e pela primeira vez documentou o potencial da Ilha Mãe. Houve logo um aumento de surfistas naquele pico, mas a combinação de ondas inconstantes e de difÃcil acesso impediram que o crowd aumentasse na realidade.
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Recentemente, em Junho de 2010, uma série de grandes ondulações do Atlântico Sul deram à costa.
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Marcelo Trekinho, Rodrigo Resende, Eraldo Gueiros, Danilo Couto, Bruno Santos e mais alguns surfistas, começaram a dedicar-se à caça de tubos e de ondas nunca antes surfadas devido ao difÃcil acesso. Tornou-se o novo hobbie para muitos surfistas brasileiros que procuram a adrenalina.
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Marcelo Trekinho diz que "Alguns picos nunca tinham sequer sido surfados. O nosso litoral recebe muita ondulação grande durante o Inverno. E quando bate, como aconteceu várias vezes em Junho deste ano, quebra perfeito nas lajes rasas. É bom para fotos, é uma viagem curta e intensa ". Trekinho é um talentoso surfista do Rio de Janeiro que passou os últimos dez anos a tentar a sua sorte no WQS, mas agora dedica todo o seu tempo à caça de ondas novas e diferentes.
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Trekinho foi o destaque nas sessões de Junho na Ilha Mãe e na BaÃa de Guanabara e, desde então, tornou-se parte da história do surf brasileiro. Ele está certo de que, mais limites irão ser quebrados no futuro ao longo da costa brasileira.
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Rodrigo Resende, Campeão Mundial de Tow-in em 2002, ficou viciado no power da Ilha Mãe. "Essa é a onda que eu sempre sonhei em ter aqui no Rio", confessou. "Realmente não se pode compar com Teahupoo. A queda em Teahupoo é mais fácil do que na Ilha Mãe, que é muito mais rápida e irregular. Entretanto, uma vez dentro, faz lembrar Teahupoo - mas numa direita."
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Por enquanto, os surfistas não querem revelar os nomes e as localizações destas novas ondas. Muito poucos têm a técnica - para não mencionar os meios ou a vontade - para surfar estas lajes, quando atinge o tamanho de 10 metros ou mais.
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As quedas e a falta de experiência podem ter um preço bastante alto. Estas ondas pesadas quebram em menos de três metros de água. O havaiano Kiron Jabour quis desafiar a natureza e, num dia pequeno, pagou com uma visita ao fundo, resultando num corte muito profundo no joelho.
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Talvez o melhor desta recente descoberta é que estas lajes se situam muito próximo das maiores cidades do mundo. Entre uma das vistas mais deslumbrantes do planeta, mesmo no coração da Cidade Maravilhosa, onde centenas de surfistas passam diariamente, outros tantos (poucos) surfam algumas das ondas mais loucas e inacessÃveis do mundo.
Leça da Palmeira
Matosinhos
