Por: Nuno Príncipe
A Surftotal esteve à conversa com o vice-Campeão Nacional de Skimboard, Emanuel “Mega” Embaixador. Nesta entrevista, “Mega” fala sobre a impossibilidade de ter lutado pelo título nacional com a anulação da última etapa do circuito deste ano e analisa o estado do skimboard em Portugal.
Quando e onde começaste a fazer skimboard?
Tive o primeiro contacto com o Skimboard em Sesimbra com uma prancha do meu primo, deveria ter os meus seis anos de idade. No entanto, era apenas o deslizar na areia e não envolvia o Skimboard de ondas. O Skimboard que se pratica hoje é bem diferente do que havia na altura e, só em 2001, na Praia de Santa Cruz, percebi que se conseguia apanhar ondas e surfá-las. Desde então nunca mais parei...
Este ano estavas em 2º lugar a lutar pelo título de Campeão Nacional e acabaste por não ter oportunidade de o fazer uma vez que a última prova foi anulada. O que pensas desta situação?
Provavelmente, este ano foi o mais competitivo dos últimos anos. Havia dois atletas que poderiam ser Campeões Nacionais (eu próprio e o Hugo Santos) e quem vencesse a última etapa seria campeão. A prova acabou por ser anulada e fiquei sem hipótese de tentar conquistar o título, pois estava em 2º lugar. É uma situação que deixa alguma mágoa, pois mesmo sabendo das dificuldades que ia encontrar na última etapa com todos os atletas a procurarem um bom resultado, havia sempre uma esperança de conseguir levar o título para casa. Assim não aconteceu...
Qual a análise que fazes do circuito deste ano? Foi competitivo?
Sim, o circuito foi bastante competitivo. Nota-se um aumento gradual de jovens atletas a mostrar muito bom skim e o pessoal que anda nos campeonatos há mais tempo também está em boa forma. Por isso, há neste momento duas gerações em boa forma e acho que é importante que assim continue para bem do futuro da modalidade.
Também conquistaste o título Europeu da ESL - European Skimboard League que se realizou pela primeira vez este ano. Faz-nos o balanço do circuito, o que representa o título para ti e quais as maiores dificuldades que encontraste.
O Circuito ESL foi um conjunto de quatro etapas disputadas em Portugal, França, Espanha e Inglaterra que decorreu pela primeira vez e que se espera que continue com mais e melhores provas. Foi bastante positivo para a modalidade e para a divulgação da mesma nestes países. Para mim, foi um orgulho vencer este título e logo na primeira vez que se organizou um circuito europeu desta forma. As maiores dificuldades foram as muitas viagens, estadias, etc., serem pagas na totalidade por mim. Representa um grande esforço financeiro da minha parte e também de todos os atletas que fazem este circuito. De realçar também o nível do skim europeu que está a subir bastante mas com claro domínio dos atletas portugueses que ficaram três deles no top 5.
Como vês o Skimboard em Portugal? Temos um bom nível, estamos no bom caminho e temos jovens valores a surgir?
O Skimboard em Portugal está de boa saúde e recomenda-se. O nível está cada vez mais elevado, os jovens valores estão a surpreender de campeonato para campeonato e isso verifica-se no ranking do Open se olharmos para a faixa etária do Top 20 Nacional. Sinceramente, acho que estamos no bom caminho, depois de uma fase menos positiva da modalidade em Portugal. No entanto espero que continue esta onda positiva em volta do Skimboard português, porque, caso contrário, ficamos mais longe do reconhecimento que é merecido e, obviamente, mais longe dos tops mundiais.
As marcas têm apostado nos atletas?
Bem, é uma pergunta que só consigo ter a certeza em relação a mim. Este ano tive uma aposta forte da Body Glove, através da qual consegui cumprir os principais objectivos a que me propus graças a esse grande apoio da marca. Aliás, outros apoios de outras marcas surgiram também a apostar em mim. Nota-se, portanto, que já não são só as marcas de pranchas de skim que apoiam os atletas, as marcas de surf começam agora a trabalhar também o mercado do Skimboard devido ao grande crescimento. Mas acho que, no geral, as marcas estão a apostar mais nos atletas, isto se comparar-mos com aquilo que acontecia há uns anos atrás.
Quais as principais diferenças em relação ao Skimboard internacional?
Se comparar-mos o Skimboard em Portugal com o dos E.U.A , onde está o melhor do Skimboard no mundo, as diferenças notam-se bastante pois os melhores conseguem viver somente do desporto e, claro, isso ajuda a serem os melhores. Aqui em Portugal é quase impossível viver só disto e é preciso fazer outras coisas. Em relação ás ondas, o nosso país assume-se como um dos melhores destinos mundiais para a prática da modalidade muito devido à nossa costa que oferece vários tipos de ondas.
Quais são as melhores praias portugueses para a prática deste desporto?
Na minha opinião as melhores praias para o Skimboard em Portugal são: Sesimbra, Lagoa de Albufeira, Praia de Faro, São Pedro do Estoril, Ericeira, Santa Cruz e Costa de Caparica. Mas a minha onda preferida é The Wedge, na Califórnia. Powerrrrr!
O que te atrai mais no Skimboard?
Talvez a sensação dos quebra-côcos, o deslizar sem quilhas, as manobras de skate misturadas com as de surf, muita coisa.
Quais são os teus próximos objectivos?
Não sei bem ainda. Neste momento quero viajar, conhecer novos locais, pensar em projectos novos, continuar a transmitir os meus conhecimentos aos mais novos através da Escola de Skimboard no Surf Clube Sesimbra, e só depois começar a pensar nos campeonatos de 2010.
Queres deixar uma mensagem?
Claro, desde já uma mensagem de agradecimento à Surftotal por me ter convidado a dar esta entrevista. Um agradeçimento especial tambem á Zap Skimboards, Bodyglove, SCS Surfshop, Sabre, Ezekiel e VOX Shoes.


Leça da Palmeira
Matosinhos

