SurfTotal: Como começou a tua carreira como shaper?
Nuno Matta: Comecei a shapar em 1994, quando criei a MATTAshapes. Mas foi em 2003, na Polen, que comecei a dedicar-me a 100% ao shape. Durante estes anos trabalhei com vários shapers internacionais como Xanadu, Ricardo Martins, Joca Secco, Tim Patterson, Darcy, Bill Johnson, Pyzel, entre outros. Tendo já shapado na Califórnia para o Tim Patterson e duas vezes no Rio de Janeiro, na fábrica da Wetworks, para o Ricardo Martins e Joca Secco. Em 2010, com a minha entrada na SUPERbrand, tive oportunidade de shapar para alguns dos melhores surfistas mundiais como Travis Logie, Bret Simpson, Jordy Smith, Chris Davidson, Dion Agius, Damien Hobgood, entre outros.
SurfTotal: Como surgiu a oportunidade de shapar para a SUPERbrand?
Nuno Matta: Pode parecer estranho, mas acordei um dia de manhã com a SUPERbrand na cabeça. Peguei nas Surfings e Surfers que tinha em casa, e pus-me à procura de um anúncio que já tinha visto. Saí de casa e fui logo à fábrica para lhes enviar o meu curriculum. Passados dois dias sem resposta, resolvi ligar-lhes e um mês depois estava cá, em Portugal, o shaper americano da SUPERbrand Jason Koons, para dar início à SUPERbrand Europe.
SurfTotal: De que forma é que a informação dos pro-models é passada aos diferentes shapers da SUPERbrand?
Nuno Matta: Na SUPERbrand temos o The Shapers Collective – vários shapers de diferentes partes do globo, que partilham conhecimento e ideias com o único objectivo de encontrar a “prancha mágica”. Neste momento somos seis shapers a trabalhar em conjunto para proporcionar as melhores pranchas, em qualquer parte do mundo, aos nossos clientes e ao nosso TEAM. “It’s open minded, it’s competition, it’s collaboration, it’s innovation – it’s SUPERbrand Shaper’s Collective!”
SurfTotal: Já Já shapaste algumas pranchas para atletas do World Tour. Qual a diferença entre uma prancha do Travis Logie e a de um surfista português com bom nível de surf?
Nuno Matta: Bem, a diferença é a mesma que shapar uma prancha para dois atletas do WT. O Travis Logie, por exemplo, não utiliza as mesmas medidas nem os mesmos rockers que o Brett Simpson. Assim como o Francisco Alves, o Tomás Valente ou o Zé Ferreira não utilizam pranchas iguais. Cada um tem as suas características, todos os surfistas quer sejam do WT ou não, têm necessidades diferentes. O que importa no fundo, é que cada surfista consiga ter a prancha indicada para ele, e que se divirta ao máximo dentro de água!
SurfTotal: Na tua opinião, achas que as thrusters vão perder território para as quad?
Nuno Matta: Apesar de ser um grande adepto das quads, acho que as tri fins estão para ficar! Em certas condições de mar as quads até podem ser melhores, mas no âmbito geral as tri fins são pranchas muito mais completas e fáceis de surfar, para além de se adaptarem bem a qualquer tipo de mar.
SurfTotal: Em 2012, a SUPERbrand vai começar a usar novos materiais (carbon rails, suspension systems, rocket fuel, keahana epoxy, altra suspension e future flex). Queres falar um pouco destes materiais e de que forma é que vão alterar o comportamento da prancha?
Nuno Matta: A SUPERbrand procura estar sempre na vanguarda das novas tecnologias. Vamos agora ter disponíveis na Europa uma nova gama de materiais, entre eles:
ECO construction - EPS reciclado amigo do ambiente com epoxy reciclável;
FutureFlex – O EPS FutureFLEX é uma prancha de surf completamente personalizada. Foam de alta densidade de EPS, com rails parabólicos de fibra de carbono;
XTR - As principais vantagens são a resistência e impermeabilidade à absorção de água. É muito resistente ao impacto e à compressão.
SurfTotal: Analisando os novos modelos da SUPERbrand, notas alguma nova tendência no shape?
Nuno Matta: Este ano de 2012, a SUPERbrand apresenta 4 novos modelos: FF Collection, Fast and Fun são 3 pro models dos já conhecidos team rider´s, Clay Marzo, Ry Craike e Dion Agius. A SUPERmadness2, SUPERcraft2 e a SUPERmastablasta2, são pranchas ideais para as ondas fracas do Verão, mais largas e mais pequenas. A SUPERanswer é um modelo que fica algures entre a SUPERtoy e a SUPERburnside. É portanto uma prancha que pode voar em todo o tipo de ondas. Assim, como se pode verificar as pranchas têm vindo a diminuir em tamanho e a aumentar em largura.
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