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quinta, 26 setembro 2013 00:00

REVIVER O PASSADO EM RIBEIRA DE ILHAS

Com o Masters Revival 2013!

No passado domingo, integrado na terceira e última etapa do Circuito Intersócios do Ericeira Surf Clube, decorreu o Masters Revival, nada mais nada menos que um campeonato para atletas com mais de 40 anos.

Esta foi uma iniciativa levada a cabo pelo Ericeira Surf Clube, BerberOrg e o “Master Big Kahuna” Pedro ‘PêPê’ Carrasc e esteve dividida em quatro categorias, Master 40, Master 45, Master 50 e Master 60, onde os veteranos mostraram um surf ao mais alto nível.

A SurfTotal não podia deixar de estar presente e testemunhar a um verdadeiro reencontro de amigos que têm ainda o surf bem presente nas “veias”. Esta iniciativa contou com cerca de 20 participantes entre os quais estava prensente Luís Narciso, Aragão ou Pirujinho. Estivemos à conversa com o actual Presidente do Ericeira Surf Clube Miguel Barata de Almeida e com o Pêpê Carrasco.

SurfTotal: Como é que o Clube encara este tipo de iniciativas?
Miguel Barata: Com o aparecimento em força do surf na Ericeira na década de 1980, naturalmente que o pessoal desse tempo, agora com mais de 40 anos, gosta de se reencontrar, recordar os seus tempos de juventude, as ondas que enfrentaram, os campeonatos que competiram.
Com a adesão que tivemos, vamos ter de equacionar seriamente regressar com mais categorias masters a partir do próximo ano.

ST: Achas que outros clubes podem começar também a levar a competição de volta aos mais antigos surfistas portugueses?
MB: É um dever de todos os clubes promoverem o surf não só para os atletas mais novos, mas também com os mais velhos, pois foram estes que deram o pontapé de saída e quebraram muitos tabus, promovendo este desporto mundialmente como talvez nenhum outro o conseguiu em tão curto espaço de tempo. Penso até que deveria haver um circuito master a acompanhar, por exemplo, as etapas da Liga Pro Surf. Certamente que atletas não faltariam.

ST: Com o resultado e a adesão que esta competição teve, o Clube ponderá repeti-la para o ano que vem?
MB: Certamente que iremos avaliar este evento, procurar melhorar, convidar e confirmar a presença de muitos outros que por diversas razões não puderam estar presentes. Que nessa data as ondas estejam de gala como estiveram no passado dia 22 de Setembro de 2013.

SurfTotal: Já não é a primeira vez que organizas um Revival, o que é que este teve de especial?
Pêpê Carrasco: Este foi de facto muito diferente do que o anterior que é recordado como o melhor Surf-music festival que alguma vez teve lugar na mítica Baía. o Ribeira D'Ilhas Revival deveria ser festejado a cada 5 Anos, mas o ano passado ainda não estava em condições devido ao meu acidente. Este ano, apareceu esta oportunidade, muito em cima da hora e em pouco mais de uma semana foi o que se conseguiu fazer. Foi mesmo um campeonato, com heats, com as várias classes de Masters do Mundial, mais uma , Jurássic Masters + de 60 Anos.

ST: O que te leva a organizar este tipo de iniciativa, saudades de outros tempos?
PC: O organizar estas coisas, é um bichinho que tenho, já tenho pouca sarna para me coçar e ainda ando sempre à procura de coisas para me dar trabalho e chatices... mais a sério, não há nada no panorama Nacional para Malta da nossa idade, nem temos equipas para o Mundial de Masters da ISA... isto pode ser o embrião para algo mais sério, porque existem interessados.

ST: Tiveste o prazer de receber alguns velhos amigos, queres falar um pouco sobre eles?
PC: De facto tive o prazer de rever alguns que não via ha muito tempo, por exemplo o Luís Narciso que vive longe, um ex Campeão Nacional, que foi sempre incompreendido na época e até ostracizado, e que foi o 1º atleta a apresentar surf Moderno em Portugal.Pelo que percebi, já nem surfa, até me disse que estava contente por o ter convencido a participar, porque as filhas nunca o tinham visto a surfar... e já são crescidinhas... veio com o seu ultimo fato um OTW no mínimo com 18 ou 20 Anos. Um dos irmão Fortuna, que também não via há muito, os outros, ainda vamos surfando de vez em quando, como por exemplo o João Rocha , o 1º Campeão Nacional, precisamente aqui em Ribeira em 1977. O Aragão que foi também campeão, mas talvez dos Júniores, já não me recordo bem.


ST: Pêpê, tu também participaste numa das categorias, podes descrever o espírito que se viveu na tua bateria?
PC: Participei nos Grand Kahuna (+de 50 Anos), de início alguns estavam a mandar vir, porque estávamos desde manhã há espera e fomos com a maré cheia... e ainda por cima nunca mais começava o heat e porque entrou o maior set de todo campeonato mesmo antes do heat começar. Depois deu seca (risos), depois foi galhofa, tagarelar , foi um heat de 35 minutos com 5 gajos todos cotas e amigos, com sol e glass em Ribeira. Perguntávamos quem queria ir nesta ou naquela onda, e incentivávamos uns aos outros. Foi sem stress nenhum, nem parecia competição, embora todos quisessem fazer o melhor (risos). O Guidão espantou com alta performance e o Aragão também, mas já estava á espera. Até avisávamos os que estavam mais no outside se vinha o set!

ST: O que é que para ti tem mudado na essência do surf em Portugal?
PC: Tudo tem mudado, eu diria que o Surf Nacional teve várias épocas, esta ultima é a época Moranguitos-Youppis-K1, muita gente, muita agressividade na água, o surfista já não é um gadelhudo cool, desgrenhado, de bem com o Universo, é agora um cabeça rapada musculado de ginásio cheio de tatuagens faz Fullcontact ,kikboxing ou Jiu-jitsu e guia um Suv topo de gama, tem uma prancha minúscula, até faz umas manobras e tem go for it, mas, é uma desgraça , no comportamento dentro e fora de água e não sabe ler o Mar ou a Onda...

ST: Quais são os teus planos futuros no diz respeito a este tipo de evento?
PC: O futuro, será organizar um evento para Masters, incluído no Ericeira Surf Festival, com várias provas (um interclubes Europeu, júniores, longboard ,Nacionais de várias Nações). Somos a única (e melhor) “surf town” que não tem um surf festival ou mesmo um Tour com 2ou 3 provais geograficamente distribuídas pelo rectângulo, com uma final aqui, que poderá de futuro consagrar Campeões Nacionais, e formar até uma selecção Nacional. Gostei de ver que alguns ainda mantêm um nível bastante bom, e as ondas estiveram de gala, entre “metrinho” e “metrão” (Glass), sol e a ligar o outside ao inside...uáu! Tudo isto foi feito com a estreita colaboração do Ericeira Surf Clube e com a ajuda dos" Locais". Foi também interessante constatar que a grande maioria dos verdadeiramente Antigos, gostou da Nova Ribeira (é pena estar fechada), alguns de há mais de 40 anos…

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