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NUNO JONET: "A QUALIDADE JÁ CÁ MORA" Arquivo Pessoal Nuno Jonet

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segunda, 07 outubro 2013 14:16

NUNO JONET: "A QUALIDADE JÁ CÁ MORA"

A Surf Total esteve à conversa com Nuno Jonet, reconhecido comentador de competições de surf.

 

 

Tens acompanhado de perto o mundo do surf, há muitos anos já. Como vês atualmente o circuito nacional?

A ANS está a estabelecer-se, a crescer, a ganhar uma dimensão, tem bom marketing, com bom retorno inclusivamente para atletas e sócios, e tem feito os possíveis e impossíveis para dar as melhores ondas possíveis. Portugal, bem ou mal, está condenado a ser uma cratera importante a nível do surf europeu e mundial também. Aquelas diferenças que havia há 10 anos de nível face aos EUA e Austrália, já não existem. Eles lá têm mais em quantidade mas a qualidade já cá mora também.

 

Precisamente em termos qualitativos, esta geração jovem tomou conta do surf nacional. Esse nível está mais estabelecido hoje em dia. Há algum destes surfistas que tenha condições para substituir o Tiago Pires no WCT?

Há dois pelo menos que tem quase obrigação, e não é de o igualarem, mas de o superarem, porque têm uma base que o Tiago não teve. Portanto é uma questão de perseverança, saúde mental e física. E quererem realmente fazê-lo. Em Portugal temos um exemplo de uma pessoa que meteu na cabeça que entrava no top 45 e entrou: o Marlon Lipke. Melhor exemplo do que esse, não encontro. Se tiver o talento natural é uma questã de saber tirar partido dele. Temos por uma questão de condições e de escolas, principalmente a Surf Tecnhique, uma base muito adulta. Temos uma explosão de quantidade, e surgem miúdos cada vez mais novos. A trabalhar muito mais novos. A tendência é para nós, qualitativamente, continuarmos a melhorar, e quase temos uma certa obrigação disso.

 

Que acompanhaste a evolução do surf, houve um ponto em que o surf nos EUA, passou pelo que se passa agora em Portugal?

Os EUA são um exemplo atípico, mesmo a nível de surf amador, está bastante atrás do que é tradição nesse país. Tiveram pouco trabalho e finalmente acabaram por ser uns experts que foram para a Califórnia fazer provas e apostar no desenvolvimento. E isto foi há 20 anos. Mas mesmo assim, a nível amador, esteve estagnado algum tempo. Um outro exemplo é o Brasil. Eles democratizaram o surf, e fizeram os campeonatos nacionais todos à ASP, com as estrelas que pudessem. A partir de 1992 ou 1993 até ao princípio da década de 2000 foi extremamente importante para o desenvolvimento do surf no Brasil. Não há nenhum pais que tenha tantos surfistas como o Brasil. Mais de 6 milhões de surfistas. Um outro exemplo é Portugal  e Europa. Olhando para trás, aquilo que está a acontecer agora na Europa deve-se muito às marcas que vieram para cá.

 

Qual o caminho que os media portugueses especializados devem tomar, já que há um maior interesse por parte dos generalistas nesta área?

Tem que haver a diferença. Tem de se ter mais atenção, quando virem alguém num generalista a escrever sobre surf, o melhor caminho é contratá-lo (risos).

 

Hoje em dia, também se lida muito com a falta de publicidade...

É natural que os media emagreçam um pouco e que se redimensionem, e reinventem um caminho para ir buscar dinheiro. Temos de ser nós a olhar por nós.

 

Portugal está para a Europa como que pais está para a Ásia?

Bali, talvez.

 

Queres dizer mais alguma coisa?

Quero é que corra tudo bem e que mostremos a boa imagem do ano passado, que esta coisa do Moche Series seja uma forma de desenvolvimento da atenção dos patrocinadores. 

 

 

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