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terça, 10 novembro 2015 19:22

AUSTRÁLIA: REVOLUÇÃO NA CULTURA DE SURF À VISTA?

Solução para o crowd na Gold Coast pode ter inspiração nas pistas de neve, com um código de cores que diferencia diferentes níveis de dificuldade.

 

 

O problema não é de agora: os picos de surf na Austrália - em particular na região da Gold Coast - sofrem de um sério problema de sobrelotação. O crowd já vem de há muito, ou não fosse aquele país um dos que possui uma das culturas de surf com raízes mais profundas na sociedade, e com o crescimento da popularidade do desporto nos últimos tempos, a situação agravou-se mais ainda.

 

Ora isto causa vários problemas, nomeadamente de segurança. Não são poucos os casos de lesões graves ou mesmo confrontações físicas que acabam nos hospitais e esquadras. Para além do elevadíssimo número de praticantes, os incidentes devem-se, maioritariamente, à discrepância entre a experiência e o nível técnico dos diferentes surfistas, bem como à total ausência do respeito pela chamada ‘etiqueta do surf’. Nuns casos por ignorância, noutros por desrespeito.

 

É neste sentido que surge o ‘Surf Management Plan’ que visa ajudar a categorizar os diferentes níveis de surf dos praticantes nos picos mais concorridos. O Conselho da Gold Coast estuda a possibilidade de atribuir um código de cores ao diferente tipo de ondas, de acordo com a dificuldade das mesmas - uma solução em tudo semelhante ao método que já se pratica em pistas de neve pelo mundo fora, onde os praticantes têm indicação, à partida, sobre se têm capacidade técnica para enfrentar determinadas condições. A informação sobre cada onda, de acordo com a proposta em equação, estaria disponibilizada nas praias, bem como em sites da especialidade, para ‘educar’ os surfistas - no espírito ‘know before you go’.

A título de exemplo mostramos-te como funciona este código, ilustrado nesta imagem. Repara como estão assinaladas as pistas de maior e menor dificuldade ao longo da estância. Sendo as pretas as mais difíceis, seguidas das vermelhas. As azuis são consideradas ‘fáceis’ e finalmente as verdes, ideais para principiantes.

 



Estas medidas não serão alheias ao facto de ainda há bem pouco tempo a Gold Coast ter ganho o título de World Surfing Reserve, e parecem pacíficas em termos de “educar e consciencializar os surfistas”, como afirmou Andrew McKinnon, ‘chairman’ da reserva.

 

Mas sobram algumas questões:

Não será este sistema de cores de aplicação muito mais subjetiva no surf? Se para a neve as condições são relativamente imutáveis, o mesmo não se passa no oceano. É certo que existem ondas que apresentam níveis de experiência elevado ao longo de todo o ano, quer seja pelas suas caracteristicas, pela zona onde rebentam, pela proximidade com as rochas ou corais, e por aí fora, mas será um sistema replicável tal e qual como existe na neve? Ou no surf seriam ajustáveis a diferentes alturas do ano ou do mês? O tamanho da ondulação é um factor em constante mutação, e que implica diretamente na acessibilidade de uma onda a diferentes tipos de surfista.

 

Mais importante ainda: traduzir-se-iam estas medidas numa efectiva maior segurança? O essencial será sempre a consciência e educação de cada indivíduo, mas todas as medidas que encaminhem o surf num sentido justo, serão bem vindas. Uma coisa é certa, estão a ser tomadas medidas na Austrália, que todo o mundo do surf deverá acompanhar com atenção.

 

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  • Tiago Faria Tiago Faria

    Nova semana, novo talento do surf a ser revelado… 

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