Filipe Toledo  venceu a prova de Trestles em 2017. Será que o vai repetir nas WSL Finals? - click por WSL / STEVE SHERMAN Filipe Toledo venceu a prova de Trestles em 2017. Será que o vai repetir nas WSL Finals? - click por WSL / STEVE SHERMAN
quinta-feira, 19 agosto 2021 12:08

Felipe Toledo em Trestles vai “pegar” fogo

A emoção e expectativa está criada e a minha aposta vai para o Felipe Toledo...

 

 

Barra de La Cruz – México / Prova das grandes decisões e despedidas

 

 

*A análise à prova Mexicana da WSL e a projecção para Trestles / Pelo Juiz Internacional Pedro Barbosa

 

 

 

 

 

 

 

"Finalmente uma prova com ondas de classe mundial..."

 

 

 

Com o cancelamento da prova no Tahiti, a prova do México revelava-se como o momento de todas as decisões. Quem ficaria no TOP 5 mundial e se classificaria para a tão aguardada final em Trestles e quem garantiria a qualificação para mais um ano na tão ambicionada liga dos melhores do mundo?

Não havia melhor sítio, capaz de reunir todas as condições para que isso acontecesse do que em Barra de La Cruz, México. Finalmente uma prova com ondas de classe mundial, mesmo longe das condições épicas do evento em 2006, Barra de La Cruz conseguiu colocar os adeptos da primeira divisão do surf mundial colados ao ecrã e foi um grande palco para um momento tão decisivo como este. Este Point break funcionou durante todos os dias do evento, sempre com boas condições durante todos os heats oferecendo igualdade de oportunidades para todos os atletas, “no excuses”. É este tipo de consistência e qualidade que o tour necessita, especialmente depois do cancelamento à última hora que levou os atletas a carregarem no acelerador para garantirem os objetivos estratégicos a que se propuseram no início do ano.

 

 

 

 

"O melhor surf do evento foi praticado por Ethan Ewing e Filipe Toledo

 

e acabaram eliminado em fases prematuras..."

 

 

 

 

 

 

Foi também nesta prova que recebemos a triste notícia da “reforma antecipada” do melhor surfista europeu de todos os tempos, já começávamos a sentir falta do Adriano e agora temos também o Jeremy a anunciar a saída do tour. O Tour começa a perder alguma da sua personalidade.

Dois surfistas prodígios que em determinados momentos tiveram alguma dificuldade de relacionamento, em virtude de serem ambos animais de competição, encerram as suas carreiras competitivas no mesmo ano, a vida tem destas coisas. No entanto merecem claramente um lugar no Wall of Fame do circuito mundial. Não há muito mais a dizer sobre Jeremy, o Slater já dizia que com a mesma idade, por volta dos 12, o Jeremy era muito melhor do que ele. Em idade adulta a previsão de vir a ser o melhor do mundo não se concretizou, mas os seus títulos e performances demostram bem o surfista em que se tornou; 2 x Pipe Masters, campeão do Billabong pro Tahiti, as provas mais emblemáticas do tour e também campeão na sua própria praia no Quik Pro. Como dizia a grande referência do surf nacional, Miguel Ruivo: “não há nada melhor do que ver um surfista local ganhar na sua praia”.

Obrigado Jeremy por todo o contributo dado ao surf Europeu, também eu sou um grande admirador do seu surf!!

 

 

 

"Rio Waida é o melhor surfista que não está

 

na primeira divisão do surf mundial..."

 

 

 

 

 

 

Relativamente à prova em si e em jeito de contrassenso, apesar das melhores ondas, os melhores surfistas do evento ficaram aquém da expectativa e é de facto impressionante como é que o melhor surf do evento, praticado pelos atletas Ethan Ewing e Felipe Toledo, acaba eliminado em fases prematuras das provas. Na minha opinião foram claramente os surfistas que mais gostei de ver no evento os que melhores abordagens tinham à onda, mas a falta de consistência e estratégia voltam a fazer com que não cheguem às fases mais avançadas. Por favor façam uma reflexão, têm obrigação de chegar a fases finais e os fãs e o surf mundial agradecem. Mesmo assim e em virtude do cancelamento da última prova vamos continuar a ter o Felipe em Trestles e vai “pegar” fogo, pena não termos também um Colapinto e Kanoa que poderiam ser de facto um contrapeso ao poderio brasileiro. O Conner Coffin e Morgan Cibilic  têm de usar toda a sua eficácia e estratégia competitiva para enfrentarem a tempestade brasileira. Continuando ainda na prova e sem querer tirar o mérito aos finalistas, o surf do Jack não me convenceu, pé da frente sempre demasiado próximo do nose criam um estilo pouco harmonioso que levam à falta de fluidez nas manobras, contudo o Jack foi competente combinando manobras arriscadas com tubos nas sessões mais críticas. Deivid Silva ao conseguir a sua primeira final sobe 10 posições no ranking a garante a qualificação para 2022.

Acho que este resultado acaba por espelhar as boas performances que o Deivid tem realizado ao longo do ano. Com o seu backside redondo e sempre a atacar o crítico da onda.

 

 

"Mateus Herdy é a próxima grande bomba

 

que vem do Brasil..."

 

 

 

Uma das surpresas desta prova foi a excelente participação dos wildcards, com especial destaque para o Mateus Herdy e Rio Waida. Apesar de ter sofrido lesões nos últimos tempos, já há algum tempo que digo que o Mateus Herdy é a próxima grande bomba que vem do Brasil. Em termos de surf progressivo a sua % de concretização e grau de dificuldade pode estar ao nível dos melhores do mundo, mas em termos de utilização do rail também nesta prova ficou evidente de que existe muito trabalho a fazer para estar na elite do surf mundial. No entanto o Mateus tem aqui um merecido e excelente resultado também por apresentar o fator surpresa que o tour necessita. Relativamente ao Rio, concordo de certa forma com o Ross Williams, que é o melhor surfista que não está na primeira divisão do surf mundial, pelo menos em ondas boas. Apesar de uma prestação conservadora, acho que há aqui muito talento e qualidade.

 

 

"Frederico Morais atinge uma nova meta para o surf português 

 

claramente um dos melhores surfistas do tour..."

 

 

Frederico Morais é agora um dos melhores surfistas do Mundo - click por WSL  

 

 

Para finalizar, Frederico Morais atinge uma nova meta para o surf português. Primeiro surfista a chegar ao top 10 da primeira divisão do surf mundial. Época fantástica, claramente um dos melhores surfistas do tour, competidor de excelência, surf de grande qualidade, combinação de grandes manobras e um dos melhores na utilização do rail do tour. Fico sempre com a sensação quando o vejo acompanhado pelo seu grande parceiro e pai, Nuno Morais, no grande ecrã, os seus resultados são melhores… Parabéns à família pelo percurso desportivo que estão a fazer.

Agora vamos para a tão aguardada final, a cinco, estes americanos por vezes têm umas ideias extravagantes, mas sem dúvida que a emoção e expectativa está criada e a minha aposta vai para o Felipe Toledo.

 

 

 

"Sem dúvida que a emoção e expectativa está criada

 

e a minha aposta vai para o Felipe Toledo..."

 

 

Filipe Toledo  venceu a prova de Trestles em 2017. Será que o vai repetir nas WSL Finals? - click por WSL / STEVE SHERMAN 

 

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