Catarina Holstein de bem com a vida. (arquivo pessoal) Catarina Holstein de bem com a vida. (arquivo pessoal)

Itens relacionados

segunda, 01 janeiro 2018 22:57

HÁ VIDA DEPOIS DO SURF? A HISTÓRIA DE CATARINA HOLSTEIN

E depois do Surf? Quando somos míudos surfamos, evoluímos, competimos ou não, estudamos ou não. Mas há-de chegar a altura em que temos de tomar decisões...

 

Natural de Lisboa, Catarina Holstein foi cedo que começou a surfar, mais tarde, por altura de 2006 viria a competir no Circuito Nacional de Surf e em algumas etapas do Circuito de Surf Peniche. O Surf fez e ainda faz parte da sua vida. Fomos falar com Catarina e tentar perceber um pouco da sua história e da importância que o surf trouxe à sua vida.

 

E DEPOIS DO SURF?

*Uma ideia de Diogo Cruz

 

Catarina conta-nos um pouco da tua história. Calculamos que ainda surfes, mas tempos houve em que o surf fazia parte da tua rotina diária certo?

Sim, ainda faço surf sempre que posso. Este ano em particular tenho feito com bastante regularidade, uma vez que ando a viajar pelo mundo e tento sempre ir para sítios com ondas! E sim, durante mais de 5 anos o surf era parte da minha rotina diária, praticava entre 4 a 5 vezes por semana, desde os 17 anos.

Em que circuitos chegaste a participar na altura e algumas classificações memoráveis que tenhas tido?

Cheguei a participar em alguns campeonatos, no Nacional e no Circuito de Peniche. O melhor resultado que tive foi um 5º lugar. Nunca me dei muito bem no surf de competição, fui-me apercebendo ao longo dos anos que o free surf era mais a minha onda e a minha paixão!

Momentos que te recordes com grande agrado, sabemos que muitos com certeza, mas aquele momento especial?

Sem dúvida um momento memorável e muito especial foi uma surf trip que fiz a Sagres numa passagem de ano com a Joana Andrade (na altura minha treinadora) e com mais uma data de miúdas (muitas das quais ainda são minhas grandes amigas) na famosa carrinha Vanette. O espírito do nosso grupo era incrível, não só surfamos muito boas ondas como nos divertimos imenso. A passagem de ano propriamente dita, passámos numa bomba de gasolina imagina... não chegámos a tempo da festa. Mas estava uma carrinha na bomba com umas brutas colunas e boa música e ali celebrámos e dançámos!

 

Catarina em Honkeys nas Maldivas em 2007 - Click Ricardo Bravo



Só me foi pedido um momento especial eu sei, mas não podia deixar de mencionar as minhas duas viagens às Maldivas com o David Raimundo(treinador) e o Nuno Telmo(treinador) e o nosso grupo de treinos. Foram sem dúvida as melhores ondas que apanhei até hoje em óptima companhia. E houve um momento numa dessas viagens que nunca mais me esqueço. Os campeonatos de mergulhos são comuns nas viagens com o Telmo e o David e não faltaram nas duas viagens que fiz com eles. No 1º ano, em 2006, quando fizémos o primeiro campeonato, alguém fez um mergulho bastante simples que todos tínhamos que imitar. O facto de eu ser a única a não conseguir gerou muita risota. O/a perdedor/a tinha sempre que inventar o mergulho seguinte para todos imitarem. Motivada pela risota, quis fazer um mergulho mais difícil, que eu própria nunca tinha feito. Pedi então ao Telmo e ao David que me dessem indicações de como fazer um mortal de costas... e assim foi e bem sucedido! Gerou pânico entre os restantes claro e muita risota com várias chapas! Mas uma coisa é facto, todos combatemos o medo e aprendemos a fazer um mortal de costas e passou a ser mergulho frequente!

Analisando um pouco aquilo que te motivava no surf na altura. O que era mesmo que te movia?

O contacto íntimo com o oceano e a enorme felicidade de surfar cada onda. E também o forte espírito de grupo que havia nos treinos!

Que mais valias tiraste desse tempo? e o que de positivo trouxe para os dias de hoje?


O surf ensinou-me a ser persistente, a amar e a respeitar o mar e ajudou-me a encontrar um espaço de reflexão e de contacto comigo mesma. Para os dias de hoje o surf trouxe-me serenidade e perseverança. E é, sem dúvida, umas das minhas formas de meditação!

Qual o foi o momento chave que te recordes em que decidiste deixar o surf de competição e seguiste com a tua carreira de estudos e ou profissional?

Lembro-me como se fosse hoje. Estava mais ou menos a meio do 1º ano da faculdade e a quantidade de trabalho tornou muito difícil conjugar os estudos com os treinos, que eram bastante exigentes, e também realizei que a competição não era para mim, por isso resolvi dedicar-me só ao free surf.


*Catarina durante a sua ultima viagem, a tirar o máximo proveito entre as surfadas.

E agora? a Catarina Holstein é?

Uma alma viajante em busca do seu propósito e uma apaixonada pelo surf e pelo yoga.

Podemos saber que profissão seguiste? 


Durante 2 anos dei aulas de marketing na licenciatura de gestão na Universidade Católica Portuguesa, enquanto fazia o mestrado. Assim que acabei o mestrado em gestão com especialidade em marketing, comecei a trabalhar na Unilever em Portugal, no departamento de marketing. Dois anos depois fui transferida para a sede Europeia em Roterdão e mais tarde para a sede Global no Reino Unido, onde trabalhei até final de Janeiro de 2017 como Global Brand Manager. Depois de 5 anos e meio a trabalhar na Unilever decidi despedir-me para viajar pelo mundo durante 1 ano, e é isso que estou a fazer neste momento!

O Surf agora onde entra na tua vida?

Para mim o surf é uma forma de meditação, como já tinha dito, é um momento só para mim, não só para beber da tal enorme felicidade de que falei anteriormente, mas também para reflectir e saber apreciar a minha própria companhia, em contacto íntimo com a minha maior inspiração, o mar. Faço surf sempre que posso (agora mais pois não estou a trabalhar a tempo inteiro), e vou normalmente sozinha.

Qual a tua opinião sobre o momento que o surf enquanto lifestyle e competição atravessa neste momento?

Para ser sincera já não acompanho o surf como acompanhava há 10 anos atrás, até porque já não vivo em Portugal há quase 5 anos. Mas confesso que passo várias horas à frente do computador a acompanhar algumas etapas do WCT, principalmente para ver o Frederico Morais! O pouco que acompanho, vejo que o surf feminino em Portugal está a evoluir a olhos vistos e que, se continuarmos com a mesma dedicação e perseverança, que muito caracteriza os Portugueses, e com os devidos apoios, não me admira que em poucos anos tenhamos uma representante no WCT! Mas confesso que me surpreende bastante o facto de várias vezes continuar a ser a única miúda dentro de água... não só em Portugal, como também na Indonésia e na Austrália, onde surfei recentemente com bastante regularidade. Quanto ao surf masculino, está a vista de todos! O Frederico vem confirmar que a performance dos atletas Portugueses está ao nível dos melhores do mundo, e ele vem mostrar às gerações que o seguem que, com muito trabalho, resiliência e nunca deixando de acreditar, não existem impossíveis! Não queria também de deixar de mencionar a nossa Nazaré e os nossos corajosos atletas de ondas grandes, que muito têm contribuído para colocar Portugal no mapa e nas bocas do mundo! Tenho muito orgulho nos nossos atletas e no nosso país enquanto palco de surf!

*Catarina durante uma sessão de Yoga em Canggu, Bali.

 

Queres dizer algo mais?


Claro que sim! Como já disse anteriormente, despedi-me recentemente da empresa onde trabalhava há mais de 5 anos como Brand Manager. Desde cedo sentia que o meu trabalho não me realizava e que não me permitia explorar e alavancar as minhas paixões e os meus talentos. De forma que, depois de 3 anos a trabalhar na Unilever, comecei a considerar outras hipóteses: mudar de trabalho, mudar de empresa, voltar a estudar ou...viajar! Cheguei a candidatar-me a outros empregos, comecei a preparar uma candidatura para fazer o doutoramento e também pensei em fazer um MBA. Mas nenhuma das opções me parecia trazer as respostas que eu realmente procurava. E por isso, optei pela última opção - viajar pelo mundo! E, como só viajar não me chegava, nasceu o MLA - Master in Life Adventures: viajar pelo mundo com o propósito de desenvolver novos skills e competências e de explorar e alavancar paixões e talentos. Enquanto que, ao estudar, eu teria que me encaixar num programa, ao fazer um MLA, o programa ajusta-se a mim, aos meus desejos, às minhas necessidades, às minhas perguntas e aos meus objetivos. Uma oportunidade única para me inspirar, para aprender e para conhecer pessoas por todo o mundo. E uma grande ajuda para encontrar a minha vocação profissional. Algumas das aventuras que já tive, por ordem cronológica: curso de auto-defesa em Lisboa, retiro de yoga e meditação na Índia, ajuda na reconstrução de uma escola destruída pelo terramoto no Nepal, permacultura na Tailândia, marketing e recursos humanos numa guesthouse na Indonésia, curso de 200hrs de instrutora de yoga na Tailândia, etc. Neste momento estou a fazer uma certificação de 100hrs em coaching. Está a ser incrível, e se estiverem interessados em saber mais sobre o MLA e sobre as minhas aventuras podem consultar este link e também seguir-me no meu blogue www.masterinlifeadventures.com e/ou Instagram @catarinaholstein.

Perfil em destaque

  • Afonso Bessone Afonso Bessone

    Conhece um dos novos talentos da região da Grande Lisboa… 

vimeo

 

 

Scroll To Top