Pedro Barbosa a fazer uma "perninha" em Uluwatu. Pedro Barbosa a fazer uma "perninha" em Uluwatu. Foto: Arquivo Pessoal

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sexta, 09 março 2018 17:32

Antevisão WCT2018: Snapper Rocks, Rookies e Julgamento

Pedro Barbosa, juiz internacional, responde em exclusivo a todas estas questões… 

 

A primeira etapa do Championship Tour da World Surf League encontra-se ao virar da esquina - Quiksilver Pro Gold Coast entre 11 e 22 de março. É já domingo (em Portugal, sábado ao início da noite) que inicia o período de espera em Snapper Rocks e começa a tão aguardada batalha pelo título mundial de surf. Sem perder tempo, com vista a esclarecer todos os nossos leitores, falámos com Pedro Barbosa, juiz internacional, que fez o favor de nos traçar as principais linhas para 2018. 

 

Em linhas gerais, na tua perspetiva, o que podemos esperar do WCT este ano?

Acho que este ano vai ser mais um ano onde a disputa vai ficar entre John John Florence e Gabriel Medina. São claramente os surfistas mais fortes do Tour. A saída de Mick Fanning vai deixar saudade. Na minha opinião, foi o melhor surfista de sempre em pointbreaks de direita. Para além disso, MF é uma referência no Tour como atleta e pessoa. O CT vai sentir a sua falta.

 

"[Mick Fanning] foi o melhor surfista de sempre em pointbreaks de direita"

 

Que influência poderá ter a inclusão do Surf Ranch e a saída de Fiji do Tour?

A inclusão do Surf Ranch, do qual não sou grande fã, vai trazer para a corrida ao título surfistas como Filipe Toledo. O facto de ser novidade vai fazer com que as audiências subam significativamente. A saída de Fidji é uma “tragédia” uma vez sempre foi das provas mais entusiasmantes de observar do World Tour.

 

 

Entre os oito rookies que garantiram a qualificação, quem te parece ser o mais dotado de todos e que poderá ser alvo de maiores surpresas? 

Relativamente aos rookies, o destaque vai para Griffin Colapinto. É um surfista fenomenal com um vasto reportório de manobras em todo o tipo de condições. Não sei se estará ao nível de um Slater, Fanning, Joel ou Taj que, recorde-se, no primeiro ano de CT começaram logo a ganhar provas ou a fazer finais. No entanto, é quem me parece mais preparado para lutar pelo título nos próximos anos. O facto de ser treinado pelo “Snake” (Jake Paterson), com um grupo de treino fortíssimo, pode ajudar a um extra de competitividade. O Yago Dora, por exemplo, é muito forte para a esquerda, quer em tubos quer em ondas de manobras. O Michael Rodrigues vai ser fortíssimo em ondas até 1,5 metros, especialmente em beach breaks. Estes são os três que eu destaco para este ano.

  

Como olhas para o 15.º lugar de Frederico Morais em 2017 e que terá que fazer este ano para perpetuar esse “momentum”?

Bem, o Frederico elevou o surf português no Tour a um outro patamar. Teve uma prestação que nos encheu a todos de orgulho. Eu diria que foi fenomenal a forma avassaladora como dominou alguns dos seus heats em diversas provas. O "Portuguese Tiger” (Saca) teve um sucessor à altura e, apesar da nossa história na 1ª divisão do surf ser curta, tem sido cheia de caráter, atitude e personalidade.

  

 

A armada lusa que corre o WQS é vasta. Vislumbras a qualificação de mais algum atleta português já em 2018?

O Vasco Ribeiro tem todas as condições para se qualificar. É puro talento que, com competitividade e treino, pode lá chegar. O Tomás Fernandes vem a seguir. É um surfista que, embora não tenha resultados expressivos, consegue obter scores altos entre os melhores e essa é a melhor prova de que potencial existe.

 

Que tem um surfista do CT que os outros não têm?

Os surfistas do WCT são os melhores do mundo em todos os aspetos, mas a base assenta no talento, competitividade e dedicação.

 

Em geral, o que procura ver um juiz do CT numa prova do World Tour?

Um juiz no CT, consoante o tipo de condições, procura ver, de uma forma geral, espetáculo e  nível de execução técnica em manobras de qualidade superior nas melhores ondas e nas secções mais críticas.

 

"Frederico [Morais] elevou o surf português no Tour a um outro patamar"

 

 

Sabemos que nem sempre o julgamento é consensual e no caso da WSL têm existido alguns episódios bem polémicos. Ora, Pritamo Ahrendt tomou o lugar de Richie Porta no cargo de Head Judge bem recentemente. O que queremos saber é se esta mudança poderá influenciar de alguma forma o julgamento de um corpo de juízes?   

Acho que a mudança do chefe de juízes não terá influência no julgamento, porque embora o ano passado o Richie fosse o chefe de juízes oficial, no CT o sistema funciona em regime de rotação tendo já o Pritamo exercido essa função muitas vezes. Contudo, acho que foi uma excelente escolha, pois o Pritamo é um excelente juiz, boa pessoa, competente e respeitado pelos surfistas. 

 

Por último, as tuas apostas para Snapper Rocks? E para o final do ano? Quem será o campeão?

As minhas fichas vão todas para Medina, quer em Snapper quer para ser campeão do mundo.

 

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AF

 

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