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sexta, 27 abril 2018 16:07

O Raio X de Guilherme Murta

Continuamos a dar espaço a talentos e imagens de novos fotógrafos de surf.

Por esse motivo, optámos por revelar esta sexta-feira um novo Raio X. Guilherme Murta é um dos fotógrafos que podemos encontrar pelas praias portuguesas e que nos conta já de seguida o que o move no meio da Fotografia. Fica a conhecer então o seu trabalho...

 

Todas as imagens de Guilherme Murta

 

Antes de mais, faz-nos uma apresentação pessoal…

Olá! O meu nome é Guilherme Murta, nasci numa pequena aldeia no Alentejo e atualmente estou a viver em Lisboa há já 5 anos.

Eu comecei a fotografar, não tenho bem a certeza, mas provavelmente por volta dos meus 12 anos. Tinha uma pequena câmara analógica e comecei a tirar fotografias em rolo. Lembro-me de ficar todo feliz quando eram reveladas e conseguia ver o resultado final. De certa forma, isso sempre me inspirou a ver as coisas de uma perspectiva diferente, a procurar pelo invulgar e o extraordinário. A partir daí, a fotografia tornou-se numa das minhas grandes paixões e, desde então, que tiro fotografias quase todos os dias. É uma maneira de expressar o que vejo e o que sinto. E penso que, como qualquer outra pessoa, sempre tentei sentir me inspirado por aquilo que faço. Sempre procurei fazer algo que me mantivesse apaixonado e sorridente, com vontade de evoluir cada vez mais e tornar-me numa pessoa melhor. 

 

O que mais te motiva na Fotografia?

Os meus pais sempre me encorajaram a abrir o coração para o mundo. A ir sempre mais além, em todos os aspectos da vida. 

Desde que comecei a fotografar, o meu desejo pela aventura tem vindo a aumentar exponencialmente. Acho que quando partimos numa, por mais pequena que seja, estamos a expor nos a um potencial ilimitado de descoberta e criatividade. E com a exposição aos elementos, aprendemos genuinamente a apreciar a natureza. É algo espetacular e óptimo para o teu crescimento pessoal. 

Se saíres do conforto da rotina e procurar um pouco mais além, a probabilidade de um vislumbre de magia é bastante alta. 

Eu sinto me bastante sortudo por ter crescido num ambiente feliz e saudável, em que as pessoas respeitam as outras e a essência da natureza, e onde desde pequeno tive liberdade para explorar tudo à minha volta. Penso que, no fundo, foi todo este conjunto de fatores que me tornou na pessoa que sou hoje, extremamente apaixonada por aquilo que faz, tentando inspirar os outros através da fotografia.

Mas, em última instância e para não divagar muito, o que mais me motiva na fotografia é a relação íntima que se adquire com tudo o que nos rodeia. Por exemplo, a maneira como olhas para uma onda consegue ser diferente de a todas as outras pessoas. E a maneira como fotografas, é também ela única e inerente a ti próprio. Acho que depois de começar a fotografar (a sério) tudo muda. A forma como tu olhas para vida é completamente diferente. Como se estivesses atento a tudo o que te envolve, a ver os momentos acontecer em câmara lenta e a reparar nos mais pequenos pormenores... Até tirar uma fotografia à areia na praia pode parecer banal. Mas se o fizeres, a partir da maneira como a vês na tua cabeça e a sentes nos teus pés, podes fazer com que fique espantosa. E na realidade não importa a opinião dos outros, desde que tu gostes e te faça reviver aquele momento.

 

 

Tens um sítio preferido para fotografar?

Gosto imenso da Costa Vicentina e do Sudoeste Algarvio, que, combinados com a luz certa, são definitivamente os meus sítios favoritos para fotografar. 

Que tema preferes e quais os teus fotógrafos favoritos?

O oceano sempre foi a minha tela de eleição. E às vezes nem é pela fotografia em si, mas sim por toda a sua energia pura e crua. Acho que poderia ficar horas sentado, a observar o mar, com o olhar perdido no horizonte acompanhado por um misto de plenitude e nostalgia. Contudo, não foi aí que senti a necessidade de começar a fotografar. Tudo partiu de uma grande influência do meu pai e de uma enorme paixão por paisagens. E para mim, o objetivo sempre foi tentar imprimir essa mesma influência e paixão em tudo aquilo que fotografo.

Tenho várias referências nacionais e internacionais. A nível nacional, um fotógrafo que admiro bastante é o João Bracourt, por todo seu trabalho e empenho, assim como o Joel Silva. A nível internacional, o Chris Burkard, Elli Thor e Mikko Lagerstedt. São artistas com estilos muito diferentes, em que cada um consegue transmitir emoções de uma maneira bastante própria.

Para além destes que mencionei, existe um que, embora já falecido, se destaca de todos os outros... O lendário Ansel Adams. Há uns anos, depois de ler a sua autobiografia - leitura que aconselho a todas as pessoas - descobri alguém que é muito mais do que um grande fotógrafo. Descobri uma pessoa que inspirou muitas outras, incluindo a mim próprio. E para ser sincero, não foram necessariamente as suas imagens que mais me tocaram. Mas sim a sua determinação e maneira de estar na vida. O seu desejo e a capacidade de mostrar ao mundo a sua visão, deixando para trás um enorme legado. Acho que no fundo é o que todos nós queremos.

 

A lente de que mais gostas? Porquê?

Não tenho nenhuma lente preferida, cada uma tem o seu propósito. Era muito difícil apanhar as ondas sem a 50-500mm da Sigma ou ver as estrelas sem a Samyang de F2.8. No entanto, a que mais utilizo atualmente é a EF 24-70mm F/4 L da Canon, pela versatilidade que consegue proporcionar em qualquer que seja o motivo. 

Qual a tua melhor fotografia de sempre?

É uma pergunta difícil! (risos) Acho que não consigo escolher uma... 

Mas algo que sempre me deu imenso prazer fotografar foi a neblina no amanhecer do Inverno e as estrelas nas noites quentes de Verão. 

 

E o momento mais intenso por que já passaste a fotografar?

Um dia clássico em Carcavelos, há uns anos atrás, com um grande amigo meu. Chegamos lá ainda de madrugada, mas passado pouco tempo o mar ficou cheio de crowd. Passei a manhã toda a disparar e a gritar, boquiaberto com as linhas perfeitas e os tubos gigantescos. Eu não estava dentro de água, mas lembro que me sentia tão acelerado que era como se estivesse! (risos)

Acho que a fotografia pode ser muito semelhante ao surf. A um nível artístico, como encontrar a onda perfeita para surfar e o ângulo perfeito para fotografar. E a um nível purificador, quando sentes a alma “limpa” ao sair da água, e quando tiras finalmente uma fotografia que andavas há imenso tempo a imaginar. Só te apetece gritar “Yeeew!”.  

 

O que faz de ti um fotógrafo diferente?

É um pouco difícil ser-se o juiz de si próprio. (risos)

Para mim não basta apenas fotografar (acho que poderei ir por aí...). Sinto a necessidade de, antes de olhar pelo visor, ficar algum tempo a observar e a fazer parte. Sentir o vento a bater me no rosto e ouvir os sons de fundo. As cores, a luz e até o cheiro... 

Algo que também me poderá diferenciar um pouco é o facto de não tirar fotografias apenas para homenagear um local, tiro-as mais como uma lembrança da minha experiência lá. 

Um sítio onde gostarias de fotografar?

É difícil escolher apenas um.... Tenho uma lista bastante comprida! 

Fotografar a Aurora Borealis sempre foi um grande sonho meu. Os cavalos e a cultura da Mongólia. As Ilhas Faroé com todas as suas cascatas e montanhas. 

E mais recentemente, a última entrada para a lista, Bora Bora. Pela sua diversidade aquática e por outro motivo que é preferível não mencionar...(risos)

 

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