António Dantas, momentos depois de venceu o Eurosurf em Sta. Cruz. António Dantas, momentos depois de venceu o Eurosurf em Sta. Cruz. Foto: Arquivo Pessoal

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sexta, 17 agosto 2018 16:16

António Dantas: “É um misto de sensações incríveis, um sonho tornado realidade!”

Campeão Europeu Júnior de Longboard quer vencer mais…

 

Foi no final de julho, em Santa Cruz, que António Dantas conquistou o título júnior em Longboard no Noah Eurosurf Júnior 2018. Na altura, o surfista da Linha superou a concorrência e virou o resultado a seu favor com a última onda que apanhou na final. Quase um mês volvido, aproveitámos para fazer um contacto com vista a partilhar ideias sobre esse evento tão especial, mas também sobre a atualidade do Longboard. 

 

Depois do título nacional em sub-18, veio o título europeu na mesma categoria. Fala-nos desse fantástico resultado e dessa semana de competição em Santa Cruz? 

AD: Está tudo a acontecer muito rápido. Ainda há uns meses me sagrei Campeão Nacional e agora já sou Campeão Europeu! Isto tudo nos meus primeiros dois anos de competição! É um misto de sensações incríveis, não há palavras para descrever. É um dos meus inúmeros sonhos tornado realidade! A semana de competição em Santa Cruz foi muito stressante, mas agradável ao mesmo tempo. Tanto tínhamos um peso em cima dos ombros a ver um heat de um colega de equipa, como estávamos todos a relaxar e a rir no jacuzzi do Noah Surf House. 

 

Ainda relativamente ao Eurosurf Júnior, quais consideras terem sido os adversários mais difíceis de superar?

AD: Todos tinham um nível muito bom de surf, mas, sem dúvida, o atleta francês foi o que me deu mais dores de cabeça. O Cornelius [Accoh] é um bocado mais velho do que eu e já tem uma grande experiência no que toca a pranchas grandes! Algo que já se esperava visto que França tem uma enorme cultura de Longboard.

 

“Quase caí no drop, quase afundei a fazer o Hang 10

e quase caí na finalização… mas no final foi suficiente!”

 

 

Já agora, a teu ver, qual o momento chave que te levou à vitória na competição?

AD: O meu heat foi decidido na última onda, por isso, talvez a escolha daquela onda, quase caí no drop, quase que afundei a fazer o Hang 10 e quase que caí na finalização… mas no final foi suficiente!

 

Estar envolvido na Seleção Nacional e numa prova por nações é sempre uma experiência diferente. Que destacarias e o que mais gostaste desses dias vividos no Eurosurf Júnior? 

AD: É um orgulho enorme representar Portugal num campeonato daquela dimensão, sempre que me via ao espelho com aquela t-shirt vestida nem acreditava... 

Adorei todos os momentos daquele campeonato. É claro que teria ficado mais contente se Portugal tivesse saído de lá com o bicampeonato, mas a experiência mesmo assim foi inesquecível! Toda a equipa era incrível e receberam-me todos muito bem. Tive o prazer de partilhar o quarto com os bodyboarders, por isso, tive a oportunidade de os conhecer melhor! Gostei muito da união da equipa na praia, em casa, em todo o lado! Estávamos sempre muito divertidos e a aproveitar todos os momentos!

 

Portugal e jovens praticantes de Longboard não é algo muito comum de se ver nas nossas praias. Porque achas que isso sucede? 

AD: Para começar, o transporte das pranchas enquanto não se tem um meio de locomoção próprio é muito mais complicado do que o de uma shortboard, logo aí afeta os mais novos. Infelizmente, ainda ninguém teve a iniciativa de, por exemplo, abrir uma escola de longboard, porque simplesmente ninguém ouve falar disso. O longboard é visto como um desporto para mais velhos ou iniciados, está relacionado com um tipo de surf mais clássico e, na minha opinião, este é provavelmente um fator que não atrai os mais jovens a esta modalidade. Seja como for, eu e o meu irmão estamos dispostos a mudar isso.

 

“É claro que teria ficado mais contente se Portugal tivesse saído com o

bicampeonato, mas a experiência mesmo assim foi inesquecível!"

 

 

Que te levou a enveredar pelo Longboard em vez da Shortboard? 

AD: Tive muita influência familiar, nomeadamente o meu tio e os amigos e, principalmente, o meu irmão João Dantas. Já praticavam e competiam em Longboard e, seguindo uma sugestão da minha mãe, aliado ao gosto particular que tenho pela modalidade e ao seu estilo de surf, dediquei-me a 100% ao Longboard.

 

Que vantagens retiras do uso do pranchão?

AD: As vantagens que retiro são poucas, mas muitas ao mesmo tempo - faço o que gosto! Infelizmente, considerando uma grande desvantagem, o Longboard não tem os apoios que o shortboard tem. 

 

Quais são as melhores praias portuguesas para o Longboard?

AD: A praia em que eu mais gosto de surfar é, sem duvida alguma, São Pedro do Estoril (bico). Mas também já me diverti muito na Costa de Caparica e em Ribeira de ilhas!

 

“As vantagens que retiro [do pranchão] são poucas,

mas faço o que gosto!"

 

 

Qual dirias ser a zona do país que apresenta o melhor nível de Longboard? 

AD: Na minha opinião, S. Pedro do Estoril é a praia do país com mais nível de longboard. Além de ter uma grande tradição neste desporto (O Surfing Clube de Portugal é o mais antigo do país), é notório que os atletas locais sobressaem sempre que há uma etapa do Nacional nesta praia. “Nascidos” nesta praia, sempre tivemos os melhores longboarders de Portugal, como, por exemplo, João Dantas, João Gama, Kat Barrigão, Kiko Mittermayer, Miguel Ruivo…

 

Última questão. Objetivos até ao final do ano?

AD: Os meus objetivos passam por sagrar-me Bicampeão Nacional Sub-18, Bicampeão da Taça de Portugal Sub-18, melhorar a minha prestação no Open e ao mesmo tempo divertir-me!

 

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Entrevista_ AF

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