Luís Perloiro a usar a potência do seu backhand para atacar o lip no Porto. Luís Perloiro a usar a potência do seu backhand para atacar o lip no Porto. Foto: Pedro Mestre/ANSurfistas

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quinta, 13 setembro 2018 14:49

Luís Perloiro: “Ficar no top 200 foi o objetivo que estabeleci”

O exclusivo com um dos talentos do surf português… 

 

Em 2016, depois de ter sido vice-campeão três vezes, finalmente sagrou-se campeão nacional em sub-18. Foi efetivamente o resultado de muito trabalho e esforço pessoal, mas também a derradeira afirmação de um dos mais promissores talentos do surf nacional. Agora, com 20 anos, Luís Perloiro mantém-se firme no seu trajeto que é o de evoluir, apresentar bom surf e se tornar um surfista cada vez melhor. 

 

Fala-nos um pouco de ti e de como se processou a tua introdução ao Surf?

Olá, sou o Luís Perloiro, tenho 20 anos e sou surfista profissional. Comecei a surfar com 6 anos, por intermédio do meu pai que me apresentou este desporto. Nessa altura só fazia de vez em quando, no verão, mas, mais tarde, pelos 9 anos, comecei a ter alguns treinos no inverno e foi aí que comecei a gostar mais. A primeira vez que competi foi aos 11 anos e, a partir daí, comecei, pouco a pouco, a encontrar o caminho que queria seguir.

 

Como caracterizarias o surf que apresentas/produzes atualmente? Qual a vertente mais forte e a mais fraca? Onde estás a trabalhar para melhorar?

Caracterizo o meu surf como um surf versátil; sou bastante completo desde ondas pequenas até ondas maiores e tubos. Tenho um jogo aéreo médio e a minha melhor manobra é o carve de frontside. Falta-me trabalhar um bocado mais ainda os tubos de backside, o jogo aéreo e algumas manobras verticais de frontside.

 

- A voar em Leça da palmeira durante o Renault Porto Pro. Foto: Pedro Mestre/ANSurfistas

 

Em termos competitivos, a Liga MEO Surf e a Qualifying Series são as duas competições onde marcas presenças. Que objetivos até ao final da temporada?

Tanto na Liga MEO como no WQS quero apresentar bom surf e esse é o objetivo principal. A nível de resultados, não estipulei nenhum para a Liga porque sabia que algumas etapas iam coincidir com o QS e, dessa forma, estabeleci apenas um objetivo para o QS este ano que foi o de ficar no top 200. (N.A.: Neste momento encontra-se em 198.º lugar do ranking)

 

“A Liga é um ótimo treino para quem quer fazer o QS”

 

Já não é a primeira vez que nos dizem que a Liga pode ser comparada a um QS. Concordas com esta ideia?

Acho que a Liga tem um nível muito bom, composta por muitos bons surfistas (não só portugueses) e é uma mais valia para qualquer atleta que a faça. Não me identifico muito com o adjetivo “duro” para definir a Liga, porque não acho que seja um campeonato difícil de fazer na sua integridade e de entrar na etapas, ao contrário do QS que exige mais despesas e desgaste mental (lutar por pontos para fazer 6000 e 10000, perder muito, estar sozinho, longe de casa, etc.). Acho, sem dúvida, que a Liga é um ótimo treino para quem quer fazer o QS e, para quem quer fazer só a Liga, não deixa de ser um ótimo campeonato para correr. Comparando diretamente o nível da Liga com o de um QS, na minha opinião, um QS tem mais nível e é mais difícil tirar resultados.

 

 

Fala-nos do papel e da importância da Liga MEO Surf para o surf nacional. 

Acho que falei um pouco disso na questão anterior, mas a Liga é ótima para puxar pelos mais novos e por aqueles que se querem lançar no circuito mundial de qualificação, o WQS.

 

“Tenho um jogo aéreo médio e a minha

melhor manobra é o carve de frontside”

 

Quanto ao QS, esta temporada está a ser definitivamente a melhor dos últimos anos. Sentes que isso é fruto de um amadurecimento enquanto surfista e também do trabalho que tens vindo a desenvolver? 

Sim, até agora este está a ser o meu melhor ano e sinto que isso é consequência do trabalho regular, não só dentro de água como também fora - tive que ganhar algum peso e isso implicou muitos treinos físicos e alimentação adequada. Acho que estão a aparecer os primeiros resultados, mas o trabalho que tenho feito vai continuar árduo daqui para a frente, porque há objetivos que exigem ainda muita determinação.

 

 

Fala-nos da prancha que mais usaste este verão? Características e vantagens? 

Usei uma Polen 5,11, 18,5, 2’5/16’’, shapeada pelo Almir Salazar que ficou mágica, muito rápida e versáltil de meio metro a metro e meio. Infelizmente, parti-a há poucos dias mas já está uma cópia no forno. (risos)

 

“Este está a ser o meu melhor ano

e sinto que isso é consequência do trabalho regular”

 

Qual o melhor surfista português da atualidade. E porquê?

O Kikas (Frederico Morais)! Apesar de não estar a ser um ano tão bom como o anterior, não deixa de estar no CT e de continuar a evoluir, mesmo que isso não se tenha demonstrado nos últimos resultados.

 

- A passear nos cilindros pesados de Arica, no Chile. Foto: Nicolas Diaz/WSL

 

Última questão. Que tipo de música te motiva para o surf?

Não ouço música antes dos heats! Mas ouço no carro a chegar à praia, e é um bocado de tudo. Mas a que mais pica me dá é o “Stairway to Heaven” dos Led Zeppelin. Aquele solo final… (risos) 

 

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