quinta-feira, 21 janeiro 2021 11:54

MIGUEL BLANCO DEIXA IMPACTO NA COMUNIDADE DE SÃO TOMÉ ONDE FEZ A PRIMEIRA LIMPEZA DE PRAIA ORGANIZADA POR SURFISTAS

Numa viagem com o filmmaker Eduardo Vento...

Para além de um excelente surfista, Miguel Blanco é um dos grandes exemplos quando falamos de meio ambiente e sustentabilidade.

O ex-campeão nacional já fez muitas ações de caráter ambiental e tinha o objetivo de incluir nos seus próximos vídeos uma parte social, o que o levou a embarcar numa viagem a São Tomé com o filmmaker Eduardo Vento.

A viagem, segundo as suas próprias palavras, foi “incrivél”.

Para além de ter tido a experiência de ver pelos seus próprios olhos uma realidade muito diferente da sua, Miguel Blanco também deixou uma boa pegada ao fazer a primeira limpeza de praias organizada por surfistas em São Tomé e entregar pranchas de surf aos jovens locais, que ao que parece são verdadeiros talentos em bruto.

 

 

 

 

 

 

Como é que surgiu esta missão com o Eduardo Vento? Era algo que já estava planeado há algum tempo ou foi algo espontâneo?

Esta missão com o Eduardo Vento surgiu do nada, foi completamente inesperada. Ele já tinha estado lá e disse que era um país cheio de potencial onde ainda há muita coisa a acontecer, e a fazer também, e que era para ser mais do que uma surf trip, e eu disse que sim, vamos embora. Eu estava à procura de uma trip que não fosse só de surf, também queria retribuir, não queria só chegar, filmar as ondas, aproveitar a cultura e ir embora, mas também deixar uma cena positiva na comunidade, tentar instruir o máximo de pessoas possível e deixar uma boa pegada, portanto escolhemos São Tomé, escolhemos África, e foi o nosso primeiro projeto.

 

Como foi chegar a São Tomé e assistir a uma realidade tão diferente da que vivemos em Portugal?

É sempre aquele primeiro impacto. Eu já viajei bastante e realmente São Tomé é um país bastante pobre em que as pessoas vivem com quarenta euros o mês inteiro para suportar uma família de 10 pessoas. É realmente um impacto muito grande, mas a verdade é que eles também são muito felizes. Ninguém passa fome porque é um país abundante de recursos. Foi incrível explorar e conhecer a realidade deles, que é o que eu quero transmitir no vídeo, que é uma realidade diferente, foi altamente.  

 

 

 

 

 

 

 

 

Durante a tua estadia organizaste a primeira limpeza de praia realizada por surfistas, que reuniu cerca de 50 pessoas, entre elas jovens de uma escola local. Como é que foi a receptividade destes jovens a esta iniciativa?

Foi incrível. Deixámos mesmo para o último dia. A partir do primeiro dia que chegámos começámos a surfar, a filmar e a organizar cenas que queríamos fazer. Claro que o beach clean up estava no topo da lista mas acabou por ser a última coisa que fizemos no último dia, sexta-feira, antes de virmos embora, porque foi quando reunimos mais pessoas. Reunimos a escola de surf local, o clube Santana, algumas miúdas do Projeto Soma, uma escola local, que é a “Saídos da Casca” e foi bastante gente. Tivemos um rapaz que é o responsável pelo tratamento de lixo hospitalar de São Tomé que nos estava a ajudar com a parte do lixo e onde direcionar o lixo depois da recolha. Foi altamente e a verdade é que podemos dizer que foi a primeira recolha de lixo organizada por surfistas em São Tomé, e ter aquele impacto foi especial.

 

 

 

 

 

 

 

 

São Tomé é um país que não tem um sistema de seleção e reciclagem de lixo e os habitantes também não têm muita informação sobre este tema. Sentes que durante a tua visita, nomeadamente através desta iniciativa de limpeza de praia, os habitantes locais ficaram mais despertos para este tema da sustentabilidade e a importância de cuidarem do ambiente que os rodeia?

Claro que sim, sem dúvida alguma. É por isso que uma pessoa tem este tipo de iniciativas. Não é o facto de tu estares a apanhar o lixo daquela praia que vai salvar o mundo mas é realmente o impacto e a imagem que tu deixas. As pessoas vêm-te a fazer isso e começam a ganhar consciência de que também têm de fazer por elas. O mais importante são os miúdos, porque a mudança começa nos mais novos, por isso juntar esse pessoal todo para fazer o clean up sem dúvida que abriu bastante a consciência aos miúdos mais novos, e até mesmo à população local.

 

 

 

 

 

 

 

Um dos objetivos desta tua viagem foi entregar pranchas de surf e skate a jovens  locais. Como está o patamar do surf local, encontrares-te algum jovem talento?

São Tomé é simplesmente um dos sítios com mais talento que eu já vi. Ver os miúdos crescerem daquela maneira, sem telemóveis, sem internet, sem nada, a saltar as árvores para ir apanhar fruta, nadar no mar...Começam todos a surfar com pranchas de madeira, depois passam para umas pranchas de bodyboard, e depois com o que arranjarem, se arranjarem pranchas de surf passam para pranchas de surf. A parte do skate com o Zézinho, que está ali a construir skates de madeira para a comunidade, é inacreditável. Através do nosso vídeo nós vamos poder mostrar todo esse talento e potencial. Levar as pranchas foi um dos principais objetivos. Entregámos as pranchas depois de fazer o beach clean up com os miúdos todos e foi incrível poder contribuir dessa maneira e ver uma realidade de um país cheio de talento em que só é preciso eles terem um bocadinho de condições e tenho a certeza que muita coisa vai sair dali.

 

 

 

 

 

 

Como descreves a qualidade das ondas em São Tomé? Apanhaste boas ondas sem crowd?

As ondas são boas. Não é um sítio muito consistente mas tem as suas ondas, tem os seus dias. É muito bonito, as ondas são bem divertidas. Surfei quase sempre com a minha Killer Fish. Apanhei umas direitas boas, compridas, depois apanhei um slabsinho e umas rampas para a esquerda. Altas ondinhas, pouco crowd. Eles estavam era contentes de ter pessoal ali a surfar com eles. Sempre que estávamos na água eu emprestava a minha prancha, e foi incrível.

 

 

 

 

O documentário desta incrível viagem de Miguel Blanco com o filmmaker Eduardo Vento irá estrear online em Março, por isso fica atento para poderes assistir a toda a ação do surfista em São Tomé.

 

 

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