quinta-feira, 01 abril 2021 09:57

Andreia Estrela – Uma artista por “acidente”

Doutora, soul surfer e artista...

Andreia Estrela é uma surfista e artista portuguesa que vê no surf a inspiração para a sua arte.

Para além de artista, Andreia é médica e quase todos os anos vai surfar às Mentawai, Indonésia, e fazer ações de voluntariado às populações nas ilhas mais remotas.

As suas viagens e experiências refletem-se nas suas obras de arte que nos transportam a lugares paradisíacos e ondas de sonho, mas a arte não entrou na sua vida de forma planeada e sim, literalmente, por acidente.

 

 

 

 

Olá Andreia, és surfista, artista e também médica com um Mestrado em Ortodontia e Ortopedia Funcional. Como é que a surf art entrou na tua vida?

Em fevereiro de 2020 tive um grande acidente a surfar em que bati com a perna numa rocha do pontão e parti os ossos todos abaixo do joelho. Desde cirurgia a poder sair do hospital e de casa foi um total de três meses e tal. Durante esse tempo fiz muita coisa, desde ouvir música, ler, estudar, ver filmes...até que um dia, farta de estar deitada na cama, pedi à minha empregada para me comprar umas tintas e telas, e pronto, desde aí comecei a pintar e a ler sobre várias técnicas de pintura de materiais.  

 

 

 

 

 

Nos teus trabalhos usas essencialmente resina epoxy para criar efeitos de ondas. O que te levou a escolher este material para criares as tuas peças?

Eu uso várias técnicas e vários materiais, desde acrílico, aguarelas, resina e folha de ouro.

 

 

 

 

A arte é uma linguagem universal que nos une. Em 2019, antes de partires numa viagem à Indonésia, incentivaste várias pessoas a enviar-te desenhos feitos pelos seus filhos para levares às crianças que ias tratar. Como foi ver a reação dessas crianças ao ver essas obras de arte criadas pelos mais pequenos do outro lado do mundo?

Todas as viagens que faço tenho sempre a vertente de ação médica voluntária (atualmente vou sempre com a world surfing doctors) e nessa missão levei muitos desenhos de pacientes meus e de filhos de amigos às crianças da Indonésia. Foi maravilhoso ver as reações, desde os mais tímidos e com medo de aceitar os desenhos aos mais desinibidos que perguntavam o que eram os prédios, por exemplo. O mais engraçado é que quando lhes pedi para criarem desenhos para eu trazer, os desenhos deles eram todos da realidade deles, mar, peixes, cocos e palmeiras. Estamos a falar de crianças que vivem em ilhas super remotas da Indonésia que nem eletricidade têm, portanto a realidade delas é muito diferente. Não sabem o que são prédios, aviões... Foi muito engraçado ver os olhinhos deles quando lhes explicava o que eram prédios e como eram os aviões e o que faziam. Estes momentos para mim são o melhor da vida.

 

 

 

 

A tua ingressão neste mundo da surf art é relativamente recente. Quais são os teus planos para o futuro como artista?

Sim, exacto, um ano de muita pintura, descoberta e evolução. Gostava muito de poder fazer exposições colectivas com outros artistas e de ser reconhecida a nível nacional e, se pudesse ser, também a nível internacional (seria ótimo).

 

Podes encontrar as obras desta artista aqui.

 

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