quinta-feira, 24 junho 2021 08:48

O olhar de José Gregório sobre os 10 anos de Reserva Mundial de Surf da Ericeira

Numa entrevista exclusiva à Surftotal...

 

O que são as Reservas Mundiais de Surf

As Reservas Mundiais de Surf são um projecto internacional que tem como principal objetivo a preservação das zonas de surf, incluindo os habitats que as rodeiam. Estas reservas são eleitas pela Save the Waves Coalition com base em critérios rigorosos como a qualidade e consistência das ondas na zona em questão, a sua riqueza e a sensibilidade natural, a importância das ondas para a cultura de surf local e respetiva história, e, por fim, o apoio da comunidade local na candidatura a Reserva Mundial de Surf. A partir desta consagração, os locais passam a dispor de uma ferramenta pública que devem usar para proteger as suas ondas, tornam-se guardiões da Reserva Mundial de Surf.

 

 

 

A Ericeira recebeu esta distinção em outubro de 2011

A Reserva Mundial de Surf da Ericeira estende-se entre as praias da Empa e de São Lourenço, numa faixa costeira que concentra sete ondas de classe mundial num espaço de apenas quatro quilómetros: São Lourenço, Coxos, Crazy Left, Cave, Ribeira d’Ilhas, Reef, e Pedra Branca.

 

 

 

10 anos de Reserva Mundial de Surf da Ericeira

 

Em reconhecimento dos 10 anos da Reserva Mundial de Surf da Ericeira, a Surftotal entrevistou diversas personalidades do mundo do surf ligadas de alguma forma à Ericeira e à Reserva.

Esta é a primeira de uma série de entrevistas exclusivas que tem o objetivo de melhorar a gestão da Reserva Mundial de Surf da Ericeira.

 

 

A opinião de José Gregório sobre os 10 anos de Reserva de Surf da Ericeira

Nesta entrevista a José Gregório, ex-campeão nacional de surf e responsável máximo da Quiksilver/Boardriders em Portugal, o surfista falou sobre o propósito da Reserva Mundial de Surf da Ericeira, o impacto que teve na vila portuguesa e o que ainda há por fazer 10 anos após esta distinção.

 

 

 

 

 

 

Qual a tua interpretação do conceito de reserva mundial de surf, e para que deve servir?

Para mim a reserva tem dois grandes propósitos, sendo que o primeiro é preservar o nosso valor natural. Lembro-me quando o Presidente Helder me propôs fazer o WCT com a Quiksilver nos Coxos que a minha imediata resposta foi dizer que lhe abria as portas para fazer uma reserva Mundial de surf que ia sustentar muito mais a Ericeira e as ondas como destino de surf, do que um campeonato passageiro que apenas ia destruir o ambiente, (Sublinho o preservar porque esse é sempre o objectivo principal de uma reserva seja ela qual for). Em segundo plano podemos ter como objectivo prolongar a fonte de rendimentos sustentável que a reserva pode vir a ser ainda por muitos anos, com turismo de qualidade.

O turismo que procura a reserva, procura acima de tudo qualidade de vida, raízes autênticas e progresso organizado. É um turismo diferente do chamado turismo de resort.  Temos de preservar as ondas, a vila da Ericeira e principalmente a orla costeira para que isto aconteça.

 

 

 

 

“Em termos de marketing foi excelente para a Ericeira.

Em termos de preservação ainda há muito por fazer”

 

 

 

 

Como avalias a Reserva Mundial de Surf da Ericeira? Quais os erros e acertos destes dez anos de existência?

Em termos de marketing foi excelente para a Ericeira. Em termos de preservação ainda há muito por fazer. Mas acima de tudo é urgente criar a lei de base nacional para que este trecho de costa seja considerado uma reserva oficialmente.

 

 

 

 

 

 

 

Para ti, o que define a sustentabilidade de um destino de surf? Na tua opinião, a Ericeira é um exemplo positivo ou negativo na questão da sustentabilidade?

O que define ou não um destino de surf é a qualidade das ondas. Porque é que os Alpes são o melhor destino de ski da Europa? Pela qualidade das suas pistas e da neve. O mesmo se passa com o surf, a qualidade das ondas, a diversidade destas, a qualidade dos reefs que temos, fizeram deste local um destino natural. Uma obra que o homem, mesmo com as piscinas de ondas, não consegue recriar. Por isso tem de ser muito bem cuidado e preservado.

 

 

 

Em que medida consideras importante a criação de um estatuto jurídico para a RMS da Ericeira, em termos equivalentes ou similares ao enquadramento que rege os Parques Naturais?

É o passo principal que ainda falta dar. Sem isto não temos nada.

 

 

 

 

"Penso que enquanto forem ouvidos os surfistas,

as gentes locais e os habitantes de Ribamar a gestão da reserva estará no bom caminho.

Tem de ser uma ação comum a todos porque no final todos irão beneficiar."

 

 

 

 

Como avalias a participação pública por parte da sociedade civil, nomeadamente da comunidade surfista, nas tomadas de decisões sobre a RMS da Ericeira?

A gestão da reserva Mundial de Surf está muito bem entregue ao concelho restrito da gestão da reserva. Fazem parte do concelho restrito 4 entidades: A CMM (Câmara de Mafra), o SOS (Salvem o surf), a ESC (Ericeira Surf Club) e a AABC (Associação dos amigos da Baía dos Coxos). Grande parte dos documentos iniciais da criação da reserva foram redigidos por surfistas com muita experiência, entre os quais posso destacar o Pedro Rato, Zé Pires de Lima, Tiago Matos, Jorge Cardoso, Miguel Dray, Jorge Henriques, Paulo Marques da Costa, Pedro Bicudo e eu, entre outros.

Penso que enquanto forem ouvidos os surfistas, as gentes locais e os habitantes de Ribamar a gestão da reserva estará no bom caminho. Tem de ser uma ação comum a todos porque no final todos irão beneficiar.

 

 

 

 

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