quarta-feira, 14 julho 2021 10:44

"Os Jogos Olímpicos são uma oportunidade única na vida e eu não vou lá para brincar"

Diz Yolanda Hopkins em entrevista à Surftotal... 

 
Yolanda Hopkins é uma das surfistas nacionais que irá representar a bandeira de Portugal nos Jogos Olímpicos de Tóquio este verão
 
 
A ex-campeã nacional algarvia conquistou a sua vaga olímpica nos ISA World Surfing Games em El Salvador no passado mês de junho, tal como Teresa Bonvalot, pelo que ambas as surfistas se irão juntar a Frederico Morais para competir na estreia olímpica do surf em Tóquio já este mês.
 
No caminho para a qualificação olímpica, Yolanda apresentou uma excelente performance em El Salvador onde conquistou um segundo lugar derrotando  nomes sonantes com a 7x campeã mundial Stephanie Gilmore tendo sido apenas parada pela atleta do Championship Tour, Sally Fitzgibbons.
 
 
 
 
 
Nesta entrevista à Surftotal, Yolanda Hopkins fala sobre a sua qualificação olímpica, os desafios em El Salvador e os seus objetivos para as Olimpíadas no Japão
 
 
 
 
 
Surftotal: Olá Yolanda. Parabéns pelo teu excelente resultado nos ISA World Surfing Games. Como foi o ambiente vivido com a Seleção Nacional em El Salvador?
 
Foi incrível. A equipa esteve muito concentrada e junta o tempo todo. Estavamos a apoiar-nos uns aos outros e sentimo-nos mais como uma família do que como uma equipa em si. Cada vez que havia um heat com membros da equipa estávamos lá a apoiar o máximo possível. Foi muito bom e acolhedor.
 
 
 
 
A Seleção Nacional em El Salvador.
 
 
 
 
Surftotal: Como foi enfrentar uma surfista tão icónica e com resultados tão expressivos como a 7x campeã mundial, Stephanie Gilmore, e vencer num heat em que ela era a favorita?
 
Foi um heat incrível. Eu fui para o heat sem pensar muito nas pessoas que ia enfrentar porque eu sabia que ia ser um heat difícil. As condições estavam incríveis, como eu gosto. Ondas um pouco maiores e com power. Eu estava super entusiasmada. As primeiras ondas que eu apanhei não foram nada de especial, não consegui fazer bons scores. Depois consegui apanhar uma que deu para fazer uma manobra. Os juízes deram-me um seis e tal por uma manobra e eu pensei "ok, então é só apanhar mais uma onda destas, fazer uma manobra e já está", pelo menos ficava com dois 6 e estava segura. Então veio aquela onda (a que foi pontuada com 9 pontos), eu bati a primeira e depois reparei que dava para mandar uma segunda, e mandei, tentei ficar o mais baixa possível na onda e acabei por conseguir sair em pé. Deu para ver que a equipa estava toda entusiasmada na praia a mandar pedras e tudo. Foi muito bom, uma grande experiência. 
 
 
 
 
 
 "Eu digo sempre que quando vou para um campeonato é para ganhar"
 
 
 
 
 
 
Surftotal: Quais foram os maiores desafios no caminho até à final?
 
Até à final, foi aquele heat em que se eu e a Teresa passássemos qualificávamo-nos para os Jogos Olímpicos. Esse, definitivamente, foi um dos heats mais stressantes. Eu estava a tentar manter a calma, mas estava a ser um pouco difícil, especialmente porque o heat não teve muitas ondas. Eu tinha scores mas não eram scores super seguros, e estive ali um bocado a stressar. Entretanto o heat terminou. A Pauline tinha acabado de apanhar uma onda e precisava de um seis e tal e recebeu um quatro, então foi incrível. Estivemos todos a celebrar, montes de abraços e choro, foi incrível. Definitivamente um dos maiores desafios foi manter a calma naquele heat.
 
 
 
Foto: ISA/ Ben Reed
 
 
 
 
 
 
 
"O segundo lugar para mim não foi o suficente"
 
 
 
 
 
 
 
Surftotal: Estavas à espera de conquistar o segundo lugar nos ISA World Surfing Games ou foi uma surpresa para ti?
 
Eu digo sempre que quando vou para um campeonato é para ganhar. Neste também estava a pensar o mesmo mas por fora estava aenas a demonstrar que estava a levar heat a heat e não queria stressar muito e focar muito no objetivo final, especialmente porque havia tanto em jogo, como a qualificação para os Jogos Olímpicos. Mas, definitivamente, quando eu estava na Final, o segundo lugar para mim não foi suficiente. Eu acho que podia ter conquistado o primeiro lugar. Eu caí em duas ondas na segunda manobra e apanhei dois 4 por isso, então eu acho que tinha conseguido na boa um 6 alto, ou mais, porque as ondas estavam boas, e acho que a Sally Fitzgibbons ia estar em perigo. Apenas não consegui acertar aquelas manobras, não estava muito fácil. Obviamente o objetivo é sempre o primeiro lugar mas estou muito feliz com o segundo. Tenho o título e poder dizer que sou segunda no mundo é incrível.
 
 
 
 
 
Foto: ISA/ Ben Reed
 
 
 
 
 
Surftotal: Qual foi a sensação de te qualificares para os Jogos Olímpicos de Tóquio? Era um resultado que visualizavas acontecer ou achavas que seria difícil de conquistar?
 
A sensação de me qualificar foi mesmo incrível. Primeiro, celebrar com a equipa toda foi só abraços e beijinhos, a equipa definitivamente estava feliz por mim e pela Teresa. Depois fiz uma vídeo chamada com o meu treinador e a mulher dele, que estavam aqui em Portugal, e ela começou a chorar e depois eu também comecei a chorar, foi um alívio ter-me qualificado. Há uns anos atrás o surf nos Jogos Olímpicos não existia. A possibilidade de isso acontecer não era muito provável, mas agora que aconteceu e tenho oportunidade de estar nos primeiros Jogos Olímpicos em que o surf vai fazer parte é um objetivo de vida que muitos não podem conquistar e estou super feliz.
Eu não achava exatamente difícil isso acontecer. Eu acredito no meu surf e sei que tenho tudo para chegar ao top mundial. No meu caminho tive algumas dificuldades, mas não tinha dúvidas de me poder qualificar. Era uma probabilidade alta, mas, obviamente, não era fácil. Havia muitas raparigas que surfavam bem naquele campeonato. O meu surf esteve consistente o suficiente para eu acabar por me qualificar.
 
 
 
 
 
 "Já reparei que no mundo apreciam o meu surf de power e rail
e acredito que tenho grandes probabilidades de chegar ao topo,
sem dúvida."
 
 
 
 
 
 
Surftotal: Como está a ser a tua preparação para as Olimpíadas?
 
A minha preparação está a ser um bocado rápida. Está a ser um pouco complicado, eu estou a treinar o máximo que posso e depois tenho montes de burocracias e testes de covid, vacinas e isso tudo. Como não vivo em Lisboa, estou a conduzir muito a andar de um lado para o outro e acabo por não ter tanto tempo para treinar. Mas ando a utilizar o meu tempo ao máximo e ando super ocupada, quase toda a gente que está a tentar falar comigo não consegue, porque estou a andar de um lado para o outro e a dar o meu máximo porque isto é uma oportunidade única na vida e eu não vou lá para brincar e só quero ir para lá surfar o meu surf. Já reparei que no mundo apreciam o meu surf de power e rail e acredito que tenho grandes probabilidades de chegar ao topo, sem dúvida.
 
 
 
 
Foto: ISA/ Ben Reed
 
 
 
 

 

 
 

 

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