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sábado, 23 novembro 2013 11:15

GUSTAVO CARONA: "AS ONDAS LEVARAM-ME À MEDICINA"

Gustavo Corona é surfista mas também médico e contou à SurfTotal o que o mar mudou na sua vida, as causas que não se cansa de seguir e falou sobre a próxima missão humanitária que vai fazer na Síria.

Gustavo conta-nos resumidamente como começou o surf na tua vida?

Tinha 9 anos, e na praia ficava maravilhado com as ondas e os surfistas, e mal pude agarrei-me a uma prancha a fazer "carreirinhas”, e daí a entrar em campeonatos foi um "saltinho". Deixei todos os outros desportos que fazia, e passei a "viver" na praia. Aos 14 anos, fui à final de uma etapa do Europeu de BodyBoard Senior, pouco depois tive um acidente ao bater com a cabeça na lage no Lagide (em Peniche) e tive que desistir. É difícil ser-se bom, quando já se foi muito bom, e por isso mudei para o Surf, reforcei a motivação, e mantive a minha paixão eterna pelo mar e pelas ondas.



Na altura o cenário do Surf era muito diferente certo? O que mudou principalmente em relação aos dias de hoje?

É normal, olharmos para trás e cairmos em clichés à "Velho do Restelo", e dizer: "No meu tempo é que era!". Éramos menos, quase uma família, conhecíamo-nos a todos. Íamos para a praia, sem saber o que nos esperava, nunca tivemos aulas, a aventura era maior. Hoje, a Indústria do Surf é brutal, vemos os campeonatos todos em directo, e sabemos onde e a que horas vai haver ondas. Dantes víamos 4 ou 5 filmes de surf por ano, e acordávamos sem saber o que nos esperava na praia :) 


Entretanto formaste-te em medicina. Como foi essa opção?

Com 15 anos tive o maior trauma da minha vida ao deixar a praia e as ondas por causa da milha lesão na coluna. Corri dezenas de médicos, de várias especialidades, sempre na esperança de tratar a lesão nas costas. Durante 1 ano, tentei tudo... mas não dava. Peguei na minha dor e transformei-a num desejo de um dia poder evitar o sofrimento a jovens cheios de sonhos como eu era. E aí, agarrei-me aos livros e decidi que queria ser médico. Não queria que ninguém passasse pelo que eu passei. 


O que descobriste com a tua vida de médico até aos dias de hoje?

Gosto muito do que faço. Ser médico é muito mais do que uma profissão. Durante a faculdade apaixonei-me pela ciência, apaixonei-me pela medicina... Se o que me levou lá foi a frustração de não poder lutar para ser campeão do mundo, lá dentro comecei me a direccionar para as situações de vida ou de morte, salvar vidas no imediato, a sensação de manter alguém vivo, que sem ajuda iria morrer, encheu-me as medidas. E por isso dediquei-me à Anestesia, à Emergência (INEM), e aos Cuidados Intensivos. A nossa vida é muito frágil, e já testemunhei isso demasiadas vezes. Mas faz parte do meu trabalho.


Fala-nos das tuas acções nas ajudas humanitárias. Como surgiram?

Sempre gostei de aventura e de viajar. E depois que senti que tinha nas minhas mãos e na minha cabeça conhecimentos que podiam salvar muitas vidas noutras partes do mundo, as ideias começaram a convergir. Li livros e vi filmes, que me puxaram lágrimas e o melhor que tenho em mim. Foi atrás dos meus sonhos e dessas lágrimas e quando dei por mim, estava a viver na primeira pessoa a história do nosso mundo. Quando lá estou, tudo faz mais sentido, não posso resolver os conflitos do mundo mas posso amenizar o sofrimento das pessoas, salvando vidas e dando-lhes esperança.


Uma causa na tua vida?

As ondas levaram-me à Medicina, e medicina levou-me a ver o mundo, e mundos que a maioria nem sonha que existe. Sou apenas um peão, num xadrez muito complexo, mas gosto de acreditar que estou do lado dos bons. Gosto muito do que sai de mim, quando estou a trabalhar com os Médicos Sem Fronteiras. Gostava que as pessoas tivessem mais consciência do que se passa no planeta. Sou muito patriota e gostava de fazer Portugal crescer no sentido do mundo humanitário.


Consideras que é fundamental cada um de nós ter uma "Causa", porquê?

Considero que o importante é sermos felizes, e vale tudo para lá chegar desde que não interfiramos com a felicidade dos outros. Eu sou feliz a tentar perceber o mundo :) e ajudar faz-me muito bem.

 

Próxima missão?

Síria. À medida que vou "mergulhando" no assunto, cresce em mim uma grande vontade de ir, é um conflito terrível, demasiado complexo para vermos um fim. Uma tragédia humanitária. A população precisa de tudo. Estou super motivado.


Mensagem?

Acreditem num mundo melhor e lutem por isso. "Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!" -- Lei de Lavoisier 

 

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