Marcio Zouvi a esculpir uma prancha de Surf Marcio Zouvi a esculpir uma prancha de Surf Arquivo Pessoal terça-feira, 11 outubro 2022 14:55

"Chegamos a este nível graças aos resultados dos atletas na WSL" - Shaper Marcio Zouvi sobre a Sharp Eye

Shaper de Filipe Toledo é responsável pela marca Sharp Eye.

 

Marcio Zouvi começou sua carreira de shaper no Rio de Janeiro. Curioso e com aptidão para a reinvenção, a primeira prancha que ele moldou, nos anos 70, quando ainda era um jovem, foi uma longboard que ele aproveitou e refez até a espuma transformando-a numa "profecia experimental" de 4'5 Pés. 

 

A surftotal esteve à conversa com o shaper de Filipe Toledo, na Ericeira, onde decorreu a quinta etapa do Challenger Series EDP Vissla Pro Ericeira.

 

 

 

 

Surftotal - Podes contar-nos um pouco do teu percurso no mundo do Shape? Como e quando começaste a patrocinar  grandes nomes do surf mundial?

Marcio Zouvi - Eu já sabia fazer pranchas de surf no Brasil de uma forma artesanal, não era profissional. Quando fui para a Califórnia aprender inglês é que comecei a trabalhar com pranchas. Era a forma que eu tinha para me sustentar. Comecei por laminar e fazer arranjos nas pranchas e, em simultâneo, ia shapeando.

Comecei a melhor o shape com materiais diferentes e modernos, mas o que me ajudou muito foi ter reparado pranchas porque conseguia ver o design da prancha, das mais antigas às mais novas.

Em 1993 criei a minha marca e começamos a fabricar as pranchas. Eu sempre tive atletas. Eram atletas de nível amador, que me ajudaram muito a aprender mais sobre o design porque o feedback deles é que me fazia melhorar. Os grandes nomes do surf surgiram, apenas, em 1996 com Dean Randazo, que se qualificou para o circuito mundial. O Filipe surgiu em 2015.

 
Consideras ter sido fundamental para que a tua Marca Sharp Eye chegasse onde está nos dias de hoje?

 A marca chegou a este nível graças ao resultado dos atletas na WSL, porque a nossa marca é focada e especializada em pranchas de alta performance. Se eu fizesse só longboards ou retro fish não ia fazer diferença ter surfistas de topo.

Quando um atleta ganha um campeonato internacional é um resultado expressivo e todos estão de olhos postos no desempenho e no equipamento. E é isso que faz crescer uma marca.

 

Porquê o nome Sharp Eye?

O nome Sharp Eye surgiu assim: Quando comecei a fazer pranchas na Califórnia eu não tinha marca, fazia pranchas para os amigos e para alguns clientes e eu assinava a prancha com um ponto e um Z apenas para a prancha ter alguma coisa. A procura pelas minhas pranchas começou a aumentar e certo dia alguém chegou ao pé de mim e disse que que tinha que criar uma marca. Pensei sobre o assunto e disse para mim próprio "o que é que é preciso um shaper ter dentro de uma sala? Tem que ter uma boa visão, com detalhe, que possa ver o que os outros não vêem". Então foi, mais ou menos, com estas razões que surgiu a Sharpe Eye - o olho que vê o que os outros não vêem. Depois criei o logotipo para que fosse o olho da onda.

 

 

 

Onde podemos encontrar a tua Marca à venda em Portugal?

Podem encontrar a minha marca em: Viana Locals - Viana do Castelo, Cultura do Mar - OFir, Zimzala surf - Albufeira, Pipeline surf shop - Faro, Brands co Estoril, The base Lisboa, World Surf Store - caparica, The Bunker Surf - Vila do Bispo, Aljezur Surf Spot - Aljezur, Pipe Spot - Carrapateira e 58 Surf Ericeira, Peniche e Matosinhos.

 

 

"O que está a faltar a Portugal é o apoio ao talentos mais novos, tanto através de patrocínios como também um circuito mais organizado e forte para que os jovens surfistas possam aperfeiçoar as técnicas e crescerem nas suas habilidades, porque talento eles têm."

 

 

 

Sabemos que precisaste de duas pranchas urgentes para Rio Waida competir em Portugal e que usaste uma fábrica Portuguesa para te ajudar no processo. Consideras que o nível de fabrico em Portugal é de qualidade, comparando com California ou Austrália por exemplo?

Aqui em Portugal usa-se os mesmos materiais que se usam na Califórnia, o foam, a resina e todos as fibras de marcas importadas. O processo também é o mesmo, as máquinas são as mesmas e o software utilizado também. Tanto que o próprio Rio waida gostou muito da prancha e surfou com ela. Isso mostra que a prancha feita em Portugal está ao mesmo nível da Califórnia e Austrália. 

 
Como vês a realidade do surf em Portugal no momento? Podemos comparar de alguma forma a um momento ou momentos que países como Brasil, Australia ou Estados Unidos ja atravessaram?

O momento da realidade do surf em Portugal é realmente um momento de crescimento muito grande em todas as formas. Não só no fabrico de pranchas como, também, em todo o consumo que esteja relacionado com o surf e isso foi o que atraiu muitas marcas de surf para Portugal.

O que está a faltar a Portugal é o apoio ao talentos mais novos, tanto através de patrocínios como também um circuito mais organizado e forte para que os jovens surfistas possam aperfeiçoar as técnicas e crescerem nas suas habilidades, porque talento eles têm.

 

Como é o teu relacionamento com o teu team de atletas? Fundamental para que evoluas no processo de shape?

É fundamental ter um bom relacionamento com os atletas, não só para que eu possa preparar o equipamento deles para cada prova mundial, mas também, para que eu possa evoluir, porque é através desse feedback que eu entendo que naquela onda específica preciso de fazer alterações. O relacionamento do shaper com o atleta é de extrema importância. 

 

Marcio Zouvi e João Pedro o team manager da equipa europeia Sharp Eye

 

 

"O mercado europeu é realmente um mercado significativo porque é um mercado que sempre nos interessou e conseguimos ver que está sempre a crescer, principalmente pelo interesse no surf de competição, que é o forte da nossa marca."

 

 

 

Reparamos que o teu team é agora também composto por Rio Waida da Indonésia. A Indonesia é um mercado que consideras com potencial para o crescimento da Sharp Eye? 

O nosso team é um team internacional. A forma como nós nos organizamos, todos os nossos parceiros licenciados deu possibilidade para que eles fossem independentes na procura de atletas regionais para que eles pudessem investir para que esses talentos pudessem crescer. Então nós temos representantes na Indonesia, na Austrália, em Portugal, França, Brasil, no Peru. 

A Indonésia é um mercado que está em crescimento. Os nossos licenciados procuram talentos e foi isso que aconteceu na Indonesia, e agora a Sharp Eye internacional representa o surfista que está na elite do circuito internacional. 

 

O Mercado Europeu para a Sharp Eye já significa uma fatia importante no mercado mundial? Quais os dois principais mercados em que a Sharp Eye esta mais solida?

O mercado europeu é realmente um mercado significativo porque é um mercado que sempre nos interessou e conseguimos ver que está sempre a crescer, principalmente pelo interesse no surf de competição, que é o forte da nossa marca. Os mercados mais importantes para a Sharpe Eye, no momento, é o americano, australiana e o mercado japonês. São os que estão a dar maior crescimento à marca. 

 

 

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