Khai Tanguay (14 anos) — Coxos no coração e Mentawais como destino sexta-feira, 27 fevereiro 2026 11:16

Khai Tanguay (14 anos) — Coxos no coração e Mentawais como destino

Khai vive em Portugal desde muito pequeno.

Chama-se Khai Tanguay, tem 14 anos e é um daqueles nomes que começam a aparecer com naturalidade quando se fala da nova geração a crescer na Ericeira. Considera a sua praia local/favorita os Coxos — uma onda e escola exigente, onde cada dia “bom” pode ser especial e cada dia grande pode ser um teste físico e mental.

Khai vive em Portugal desde muito pequeno.

“Os meus pais vieram cá viver por causa do surf quando ainda tinha 2 anos, e depois vivi o resto da minha vida na Ericeira”, conta.

Atualmente está no 9.º ano, numa escola pública da Ericeira, e mantém uma rotina onde o mar tem um lugar central. Começou a surfar cedo, aos 4 anos, e a paixão ficou.

“Quando comecei a surfar e percebi como aquilo era incrível, tornou-se a minha paixão.”

No quiver, surfa com pranchas da Polen, com Paulo Rodrigues como shaper — e não esconde o entusiasmo: “Ele tem andado a fazer umas pranchas mágicas.” O resultado, diz, sente-se na água, sobretudo quando Coxos está a funcionar como deve ser.

 

A última surfada memorável aconteceu já este inverno de 2026, depois de um período longo de tempestades.

“Até ao último fim-de-semana, onde voltámos a ter swell bom com vento favorável, surfei nos Coxos. Consegui encontrar umas ondas boas e algumas muito boas”, explica. E deixa uma ideia que qualquer surfista reconhece: nem tudo vem perfeito, mas quando encaixa… “não todas as ondas eram boas, mas se conseguias encontrá-la podia ser a onda da tua vida.” Pelo meio, partiu duas pranchas — mas guarda o saldo emocional: “Foi um fim-de-semana incrível.”

Se há capítulo que o marcou, foi também em Coxos, num dia verdadeiramente grande. O maior susto veio num set que parecia não acabar.

“Estava gigante, estávamos só três no pico… veio um set, remei na primeira onda e não consegui entrar. Olho para trás e vi uma onda gigante que fechou em toda a baía e rebentou mesmo por cima de mim.” A seguir, ainda apanhou outra igual ao voltar à superfície. “Foi tipo um set de 20 ondas. No final do set achava que não ia ter ar suficiente nas últimas ondas. Quando acabou, nunca tinha ficado exausto na minha vida.” É o tipo de experiência que não se esquece — e que define quem continua a voltar.

Quando fala de objetivos, a viagem de sonho é clara: Mentawais. E, no que toca às prefrências entre free surf e competição, Khai não escolhe apenas um lado: “Eu adoro fazer competição, desde pequeno tive o espírito competitivo, mas também adoro surfar ondas grandes e pesadas.” A frase favorita encaixa no tom de grom com atitude: “Ganda drrop!”

Mas é na resposta final que deixa uma reflexão importante sobre o surf em Portugal. Para Khai, falta estrutura e apoio local para garantir oportunidades reais a todos os atletas.

“Acho que as câmaras e os clubes deviam incluir treino para todos os seus atletas, como têm na França e na Austrália, para ajudar jovens atletas que não têm possibilidades financeiras.” Defende clubes de competição mais fortes, com treinadores e programas financiados: “Devíamos ter clubes de competição de alto nível com treinos, treinadores pagos pela câmara. É por isso que a França domina na Europa, porque eles têm mais suporte governamental que o resto dos países.”

Um nome a acompanhar — dentro e fora de água — numa geração que quer crescer com ambição, mas também com consciência do que ainda falta construir no surf nacional.

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