Tom Blake durante o ano de 1927, o mesmo ano quem que este estreou na onda de Malibu, como primeiro surfista a divertir-se nas longas direitas daquela baía Californiana. Tom Blake durante o ano de 1927, o mesmo ano quem que este estreou na onda de Malibu, como primeiro surfista a divertir-se nas longas direitas daquela baía Californiana.

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quarta, 27 março 2019 18:41

SURF É DIVERSÃO !

Parece estranho pensarmos sobre o a nossa condição de ser surfista quando o que interessa basicamente é divertir-nos.


Com o passar dos anos começamos a refletir e a observar sobre o tema e confesso que retiro grande prazer em pensar na nossa condição de ser surfista e em tudo o que ela nos oferece, é de fato uma condição privilegiada, mas se formos a ver o surf não é só diversão requer alguns sacrifícios, Tom Blake dizia “o sacrifício no surf existe mas a paixão é tão grande que nem damos conta disso”
Se pensarmos por exemplo em Bethany Hamilton que 3 semanas após o acidente já estava na água, parece quase um milagre, a sua paixão imensa foi mais forte do que o medo, foi preciso lutar duma forma contínua com muita persistência, essa força e sobretudo esse seu espírito de sacrifício potenciou o seu surf a um nível absolutamente incrível.
O próprio campeonato em memória de Eddie Aikau simboliza alguém que sacrifica a própria vida para salvar os outros.

O surf na sua essência potencializa não só o sacrifício mas a coragem, instinto, resiliência, paciência e perseverança, surfistas como Nicolau, Alex Botelho, Hugo Vau, João Guedes, António Silva ou João Macedo nas ondas grandes ou Vasco Ribeiro e Frederico Morais em competição são feitos dessa fibra, não é só diversão.Mas o prazer de surfar é tanto que nem damos conta dos sacrifícios, nem temos consciência deles muitas vezes, o estilo de vida do surfista é tão rico e libertador e está tão acima do que a sociedade nos incute que verdadeiramente os sacrifícios dissolvem-se como o sal na água do mar.


Tom Blake explica essa condição como ninguém, além de surfista nos anos 20, foi salva vidas, escritor, nadador olímpico, chegou a fazer de duplo a Clark Gable em Hollywood, professor universitário, amigo próximo do lendário Duke, homem sem dúvida invulgar talvez o pai do que chamamos “o estilo de vida do surfista atual.” A “sua teoria a Natureza é Deus” defende que o oceano foi o lugar onde a vida começou e o ato de surfar permite a conexão com essa memória viva de estarmos onde a vida começa.
Blake dizia que” não há sentimento no Oceano mas há muita necessidade” de facto necessitamos do mar como ninguém a sua energia poderosa, curativa, transformadora e sagrada geram uma enorme satisfação interior para todos nós e remetemos nele também alguma sabedoria para suportar os caprichos da vida quotidiana.


Já nessa altura ele esclarecia de forma clara o eterno dilema entre arranjar um emprego a tempo inteiro ou seguir o sol e o surf ou por outras palavras vivermos na jaula ou vivermos com espíritos livres a resposta de Blake mais uma vez é simples vivemos uma realidade fatídica onde as nossas vidas são demasiado curtas sendo assim devemos abdicar dos horários tradicionais e ir em busca da nossa liberdade como surfista.

Blake refere quando verdadeiramente estamos dedicados ao surf sentimos que ele é feito de resiliência, espiritualidade e instinto podemos cair nove vezes seguidas mas voltaremos para a décima onda e o que fica é sempre esse prazer da décima onda, prazer esse tão iluminado que nem damos conta dos sacrifícios que fazemos,  só queremos viver a vida ao máximo onde nada permanece nas nossas mentes exceto o foco da tarefa espiritual do momento ou melhor a tarefa milagrosa de surfar, mas quando vemos miúdos a aprenderem a surfar em competição, quando um dia clássico é mais importante ser mostrado nas redes sociais do que ser surfado quando a ambição de apanhar ondas é maior que o prazer de estar na água parece que estranhamente nos esquecemos do essencial no surf, o que interessa basicamente é divertir-mo-nos.



Texto: Bernardo "Giló" Seabra


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