Regras de cibersegurança para surfistas: os riscos começam antes de entrar na água sexta-feira, 11 setembro 2026 18:27

Regras de cibersegurança para surfistas: os riscos começam antes de entrar na água

O surf é um dos desportos mais dependentes da internet: antes do primeiro mergulho, é preciso conhecer as condições do mar, como vai estar o vento e se a reserva de alojamento está garantida. Mas ninguém quer ver os seus dados expostos enquanto apanha um tubo. 

Passamos a citar:

"Porque é que os surfistas são vulneráveis a violações de dados 

A Nazaré ajudou a sedimentar Portugal como um dos destinos favoritos dos surfistas estrangeiros, mas os praticantes nacionais são mais de duzentos mil e muitos são viajantes frequentes. Seja qual for o caso, o planeamento é indispensável, dele dependendo o sucesso da viagem.

Durante as deslocações, a exposição a ataques é maior: aeroportos, cafés, hotéis e espaços junto à praia podem obrigar à utilização de redes que não conhecemos. E o risco pode começar ainda antes da viagem, durante a pesquisa de alojamentos, quando se descarrega aplicações ou se entra em grupos online para obter informações sobre um determinado destino.

Wi-fi gratuito: atenção à rede a que se liga

O problema não é apenas as redes públicas estarem mal protegidas: um atacante pode criar uma rede com um nome semelhante ao de uma rede legítima e esperar que os utilizadores se liguem. Depois, pode tentar encaminhá-los para páginas falsas ou explorar outras vulnerabilidades da ligação.

Na prática, a regra a seguir é simples: confirme sempre com o estabelecimento o nome exato da rede e desative a ligação automática a redes wi-fi abertas.

O risco é suficientemente relevante para justificar recomendações específicas das autoridades. Uma publicação recente do Governo português sobre internet segura recomenda que, quando não existe alternativa, a utilização de redes wi-fi públicas seja feita preferencialmente através de uma VPN, “que evita que a navegação online seja monitorizada por estranhos”.

Nem todas as ameaças vêm de uma rede falsa

Mesmo quando se utiliza uma VPN, pode existir outro problema menos visível: uma fuga de DNS. Sempre que introduzimos um endereço no navegador, o dispositivo precisa de descobrir o endereço IP correspondente. É o sistema DNS que faz essa tradução.

Se as consultas de DNS não passarem pelo túnel da VPN, podem revelar a terceiros informação sobre os sites que se tenta consultar. Uma fuga de DNS não significa necessariamente que toda a ligação fique exposta, mas pode indicar que uma parte da informação está a seguir um caminho diferente daquele que o utilizador espera.

Por isso, quem utiliza uma VPN numa viagem de surf deve testar a ligação antes de confiar nela. Com a VPN ativa, um teste de fuga de DNS permite verificar se as consultas estão a ser encaminhadas através dos servidores previstos. Se assim não for, será necessário verificar a configuração da VPN.

O perigo pode estar num grupo do WhatsApp

Para a comunidade do surf, as redes sociais e as aplicações de mensagens têm uma utilidade particular. É através delas que combinam sessões, partilham as condições do mar, procuram boleias ou até compram e vendem pranchas e outros equipamentos. Mas a confiança entre membros da comunidade também pode ser explorada.

É possível utilizar contas comprometidas para enviar ligações maliciosas a contactos ou grupos. Nos mesmos espaços, podem também surgir anúncios de material usado a preços demasiado atrativos, pedidos de pagamento antecipado ou mensagens que tentam obter códigos enviados por SMS.

O Centro Nacional de Cibersegurança recomenda que os pedidos importantes recebidos por mensagens sejam confirmados através de outro canal e que não se partilhe dados sensíveis através de ligações de origem duvidosa. A regra é particularmente importante quando a mensagem parece vir de alguém que já se conhece, uma vez que a conta pode estar comprometida.

Cinco cuidados a ter na sua próxima surf trip

Antes de viajar, confirme:

  • Se o sistema operativo e as aplicações dos seus dispositivos estão atualizados.
  • Se a autenticação multifator está ativa nas contas mais importantes.
  • Se a ligação automática a redes wi-fi abertas está desativada.
  • Se a VPN está corretamente configurada e não apresenta fugas de DNS.
  • Se as ligações recebidas por WhatsApp, e-mail ou redes sociais são de facto legítimas.

Como garantir a sua proteção numa viagem de surf

É essencial fazer uma boa preparação digital antes de começar uma viagem de surf. Além de confirmar as suas reservas e verificar o estado do mar, lembre-se de rever os procedimentos de segurança digital. Atualize os seus dispositivos, confirme as definições de segurança e desconfie de mensagens de desconhecidos. 

A experiência de uma viagem para surfar não deve ser afetada por um ataque informático. A proteção dos equipamentos é a forma de garantir que apenas servirão para encontrar ondas, reservar alojamento, pagar viagens e comunicar com outros surfistas."

 

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