Ninguém esquece as temperaturas do início de agosto. Ninguém esquece as temperaturas do início de agosto. Foto: DR

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quinta, 16 agosto 2018 13:58

Próximos quatro anos serão ainda mais quentes

Quem o diz é um novo sistema de previsões… 

 

Quem não se recorda do calor extremo e das altas temperaturas do início de agosto? No total, a temperatura do ar em 16 localidades de Portugal bateu os respetivos recordes. A lista na altura foi encabeçada por Alcácer do Sal, onde os termómetros chegaram aos 46,2 graus Celsius, mas com localidades situadas à beira-mar, como Sagres ou Zambujeira do Mar, a assinalarem uns incríveis 40,4 e 42,8 graus Celsius. 

 

Em Lisboa, por exemplo, a temperatura do ar atingiu mesmo o valor mais elevado desde que há registo: 44 graus Celsius. Na altura, os valores foram classificados pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera como sendo “extremos absolutos”.

 

Pois bem, no seguimento desta informação hoje surgiu a notícia de que os próximos quatro anos, até 2022, serão anormalmente quentes - muito graças, por exemplo, ao aquecimento global causado por emissões de gases com efeito de estufa. Quem o diz são dois cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Sévellec e Sybren Drijfhout, que criaram um novo sistema de previsões para a temperatura da superfície do oceano e da atmosfera. 

 

Este sistema, a que deram o nome de Procast (de PRObabilistic foreCAST), tem como objetivo saber qual é a probabilidade de a temperatura média global da superfície do oceano e da atmosfera aumentar em períodos interanuais. 

 

E, tratando-se de um método probabilístico por essência, o que se prevê não é um número em concreto, mas a probabilidade de um intervalo de valores. E neste campo, o artigo publicado por estes senhores* diz-nos que ao longo dos próximos dois anos há uma probabilidade de 64% para a atmosfera e de 74% para o oceano para que fiquem anormalmente quentes.

 

O sistema em si foi desenvolvido tendo como base um método de matemática aplicada, usando num único computador portátil dados que estão disponíveis gratuitamente na Internet, mas que foram obtidos por supercomputadores, desde 1880 até ao presente. 

 

O facto de rápido, preciso e fiável, são as grandes vantagens apontadas a este novo sistema que consegue fazer previsões em poucos centésimos de segundo. Para os cientistas o objetivo passa agora por produzir previsões regionais, para que o Procast se torne mais relevante para a comunidade. 

 

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* Artigo científico publicado na última edição da revista Nature Communications. 

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