Mick Fanning a testar as loucuras do Surf Ranch de Kelly Slater. Mick Fanning a testar as loucuras do Surf Ranch de Kelly Slater. Foto: KS Wave Co

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segunda, 15 janeiro 2018 09:52

A "guerra silenciosa" entre a Wavegarden e a KS Wave Company

A Kelly Slater Wave Co poderá ser uma "cópia melhorada" da Wavegarden...

 

Já todos reparámos, com certeza, nas semelhanças de mecanismos que geram as ondas do projeto Wave Garden, patenteado por uma firma espanhola estabelecida no País Basco, assim como do projeto mais recente de Kelly Slater, a Kelly Slater Wave Co. Esta última tem vindo a prender todas as atenções mediáticas com a produção artificial de ondas tubulares de grandes dimensões (para uma piscina).

 

A TECNOLOGIA HYDROFOIL

Embora a onda da Kelly Slater Wave Co. seja bem maior e tubular do que a sua concorrente e originária da tecnologia que usa uma "hydrofoil", um dispositivo mecânico impulsionado a energia elétrica que desliza no centro de um lago/piscina e durante o seu movimento desloca a água e cria uma ondulação em toda a sua extensão. Esta ondulação curva nos bancos laterais da piscina/lagoa, produzindo duas ondas perfeitas que quebram na direção do mecanismo, simultaneamente para a esquerda e para a direita. A tecnologia que começou a ser desenvolvida por Kelly Slater em 2005 e acabou por ser mostrada ao mundo durante o ano de 2015, apresenta nada mais nada menos do que o mesmo princípio da Wavegarden, sendo o seu mecanismo maior, mais potente e produzindo ondas maiores e tubulares em toda a sua extensão.

 

 

RENTABILIZAÇÃO

Sabendo que o projeto Wavegarden foi pensado à escala mundial, dando a oportunidade a todos quantos pretendam experimentar o surf permitindo simultaneamente uma viabilidade económica a cada Wavegarden instalado. Ou seja a equação que contempla um dado número de ondas produzido num dado espaço de tempo com o gasto energético adequado num dado espaço fisico que permita a utilização de determinado número de pessoas, irá permitir a sua viabilidade económica. E a Wavegarden já tem provas dadas sobre isso, tendo já concluídos diversos projetos a nível mundial e outros tantos em fase de construção. Já a KS Wave Co ainda agora começou a sua difusão, com a primeira piscina a ser “encomendada” pela terra natal do 11x campeão mundial - Palm Beach, Flórida. 

 

 

A GUERRA SILENCIOSA

Se até ao momento a empresa basca seguia atentamente os passos da KS Wave Co, sem mexer uma palha, o cenário poderá estar a mudar de figura agora que a Kelly Slater Company já deu o próximo passo, o da comercialização da sua tecnologia à escala mundial. Será que vamos assitir a uma guerra de patentes ou iremos eventualmente assistir a uma fusão?( sim porque sabemos agora que a wave garden foi comprada na sua maior parte por um consorcio norte americano) ...Os próximos tempos o dirão e serão bem interessantes de seguir. Por um lado, temos uma tecnologia original e patenteada da Wavegarden com grande reconhecimento e notoriedade a nível mundial. Por outro, temos uma tecnologia semelhante, que se diz detentora do "new Hydro Foil" e que produz ondas tubulares de maiores dimensões, mas que ganha ainda mais dimensão por pertencer a Kelly Slater e por albergar uma etapa da WSL em 2018. Agora resta saber se a sua viabilidade económica é uma realidade e se, de facto, a querem expandir comercialmente a nível mundial.

 

 

A HISTÓRIA DA WAVEGARDEN

A Wavegarden nasceu em 2004 quando alguns surfistas e engenheiros do País Basco se juntaram e decidiram pesquisar um pouco mais sobre ondas artificiais. Como todos os pioneiros, durante muito tempo eles pesquisaram, desenvolveram ideias e puseram em prática, de forma pontual, vários conceitos. Naquela altura não havia praticamente nada sobre uma tecnologia que fosse capaz de gerar ondas, pelo que a sua implementação teve que ser feita de raiz, ou seja, desde o design, concepção e até à construção de instalações próprias. Em maio do ano passado foi revelado The Cove, a próxima fase da tecnologia Wavegarden capaz de reproduzir até 1000 ondas por hora. Sendo bastante mais eficiente energeticamente, rompe assim, em definitivo, com os modelos anteriores e eleva a fasquia a um novo patamar. Em 2015 vimos o surf à noite tornar-se uma realidade bem palpável e absolutamente incrível, mas também tivemos oportunidade de ver, finalmente, ser inaugurada o primeiro complexo público munido de tecnologia basca 11 anos depois de ter sido lançada a primeira pedra. Surf Snowdonia, no País de Gales, abriu portas e foi um sucesso. O segundo grande parque público abriu o ano passado em Austin, Texas. Chama-se NLand Surf Park e também gozou do aval de vários surfistas profissionais norte-americanos. Atualmente, a Wavegarden tem ainda projetos a decorrer em Barcelona, Madrid, Costa del Sol, Edimburgo, Bristol, Londres, Melbourne, Sydney, Perth, Nova Iorque, Miami, Santiago, Marrakesh e Telavive. 

Lê mais sobre a WaveGarden aqui

 

 

A HISTÓRIA DA KS WAVE COMPANY

Kelly Slater trabalhou anos a fio para poder realizar um dos seus sonhos de criança: ter uma piscina de ondas com ondas a sério. Durante uma década, segundo reza a história, o 11x campeão mundial de surf trabalhou com uma equipa de engenheiros para nos revelar, no final de 2015, a KS Wave Co. Na verdade Kelly teve a ideia, mas para a desenvolver teve que se juntar a Adam Fincham, professor de pesquisa e especialista em mecânica de fluídos na Universidade do Sul da Califórnia. Desde 2006 que os dois têm vindo a trabalhar em conjunto, tendo desenvolvido o conceito até aos dias de hoje - um hydrofoil (uma pá) que se encontra parcialmente submersa na água. Ao atravessar a piscina, este hydrofoil move a água para o lado que depois regressa em direção à onda inicialmente gerada para se juntar à água em movimento. O resultado é o que os físicos chamam de onda solitária que imita uma ondulação individual em oceano aberto. A KS Wave Co é movida a energia solar

Ler mais sobre a KS Wave Co aqui

 

 

Quer a Wavegarden quer a KS Wave Co. parecem ter algo em comum: Manter vivo o sonho de poder surfar em qualquer lugar do planeta, a qualquer hora! 

 

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P.S.: Em junho de 2017 surgiu a notícia da construção de uma piscina de ondas no Dolce Vita Tejo (Amadora), mas nunca mais se soube nada sobre este assunto.  

 

 

 

 

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