Gregório a entubar na Reserva Mundial de Surf da Ericeira Gregório a entubar na Reserva Mundial de Surf da Ericeira / Click por Ricardo Bravo domingo, 05 abril 2026 22:37

Coxos: José Gregório explica a cultura, a sua proteção e a origem da Reserva Mundial de Surf da Ericeira

Um dos locais mais emblemáticos do surf português revela os bastidores de uma das decisões mais importantes da história da Ericeira.

 

Os Coxos, na Ericeira, são muito mais do que uma onda de classe mundial. São um símbolo de identidade, respeito e continuidade entre gerações — algo que, segundo José Gregório, continua vivo até hoje.

“Ali, respeitado é quem respeita. Não é só uma onda — é cultura. É quase um culto”, explica o histórico local, sublinhando a ligação profunda entre a comunidade e aquele pico.

Para Gregório, os Coxos representam algo raro no surf moderno: um lugar que manteve a sua essência intacta ao longo do tempo.

“É das poucas ondas no mundo industrializado que continua praticamente igual ao que era há milhares de anos.”

Essa preservação não acontece por acaso. Existe uma comunidade ativa e consciente, que passa valores de geração em geração.
Num encontro recente, juntaram-se locais com mais de 60 anos e jovens de 17 — todos ligados pelo mesmo espírito. “Havia 50 anos de diferença entre eles, mas estavam ali como iguais. Isso é cultura verdadeira.”


A decisão que mudou tudo

Foi também essa visão de proteção que levou José Gregório a tomar uma posição decisiva em 2008.

Perante a possibilidade de levar uma etapa do Championship Tour para os Coxos, recusou.


“Não fazia sentido. É uma onda sensível, dependente de maré. Um evento desses podia destruir aquilo que temos de mais valioso.”

Em vez disso, apresentou uma alternativa que viria a marcar o surf português: a criação da World Surfing Reserve da Ericeira.

A ideia ganhou força após meses de discussão com a autarquia e com o apoio de vários nomes influentes da comunidade local. O objetivo era claro: proteger as ondas e orientar o desenvolvimento da região com base no surf — e não contra ele.


Uma reserva com visão

A decisão estratégica passou por não centrar tudo nos Coxos, mas sim criar uma reserva abrangente para toda a costa.

Assim nasceu a Reserva Mundial de Surf da Ericeira, com uma divisão clara:

  • Zona sul, com atividade turística e escolas
  • Zona norte, totalmente protegida, incluindo picos como Coxos, São Lourenço ou Cave

Sem eventos, sem pressão comercial — apenas surf e natureza.

“Foi uma escolha consciente para proteger aquilo que temos. E para garantir que continua para os que vêm a seguir.”


Mais do que uma onda

Hoje, os Coxos continuam a ser uma referência — não só pela qualidade da onda, mas pelo exemplo que representam.

Num mundo onde muitos picos perderam identidade, ali ainda existe uma comunidade que protege, respeita e transmite valores.

E talvez seja isso que realmente faz a diferença.

Assiste ao testemunho de José Gregório em vídeo abaixo sobre este tema:

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