Bells Beach: onde a história do surf continua a escrever-se
O evento teve a sua primeira edição em 1962, ainda como o Bells Beach Surf Classic...
Um dos palcos mais icónicos do surf mundial volta a receber a elite, mantendo intacta a sua identidade única entre tradição, power e consistência.
Poucos lugares no mundo carregam tanto peso na história do surf como Bells Beach, na Austrália. Mais do que uma etapa do Championship Tour, Bells é um símbolo — um daqueles sítios onde o surf não é apenas competição, é cultura, legado e respeito.
O evento teve a sua primeira edição em 1962, ainda como o Bells Beach Surf Classic, numa altura em que o surf competitivo estava longe da dimensão que conhecemos hoje. Foi criado por surfistas locais, Vic Tantau e Peter Troy, como uma prova simples, quase artesanal, mas com uma ligação profunda ao mar e à comunidade.

Foto do australiannationalsurfingmuseum.com.au
Tudo mudou em 1973, quando a prova entrou oficialmente no circuito profissional com o apoio da Rip Curl, tornando-se um dos pilares do surf mundial. Desde então, Bells passou a ser presença garantida no calendário — quase sempre na Páscoa — e é hoje reconhecida como a competição mais antiga do Championship Tour.
Uma onda que exige respeito
Mas Bells não é apenas história — é também uma onda com identidade própria.
Trata-se de uma direita longa, aberta e poderosa, que favorece um surf de linhas, leitura e controlo. Aqui, não há atalhos: é preciso fluidez, timing e força para ligar secções e atacar o lip com autoridade.

Kanoa Igarashi a cravar o rail em Bells - WSL
Não é uma onda de explosão imediata. É uma onda de construção. Quem vence em Bells, vence pela consistência, pela escolha de ondas e pela capacidade de desenhar surf ao longo da parede.
O sino que todos querem tocar

O troféu de Bells é, por si só, um dos mais icónicos do surf: um sino de bronze.
Mais do que um prémio, é um ritual. Não basta vencer — é preciso subir as escadas, ouvir o mar e, no topo da falésia, tocar o sino. Um momento que todos os surfistas sonham viver, e que simboliza a ligação entre o surfista, o pico e a história.
Um anfiteatro natural

A própria geografia de Bells ajuda a tornar tudo mais especial.
A praia está rodeada por falésias, criando uma espécie de anfiteatro natural onde o público acompanha cada heat com uma vista privilegiada. Antes de entrar na água, os surfistas descem a icónica escadaria de madeira — um dos momentos mais emblemáticos do Tour.
Ali, sente-se o peso do momento.
Um palco de lendas

Ao longo das décadas, Bells foi vencido por alguns dos maiores nomes da história do surf:
Michael Peterson, Mark Richards, Simon Anderson, Kelly Slater, Mick Fanning, Andy Irons ou Joel Parkinson.
Foi também aqui que aconteceram momentos decisivos, como a vitória de Simon Anderson em 1981 com a tri-fin, ajudando a revolucionar o design das pranchas modernas.

Andy Irons, Fanning e Slater - Creditos: Robertson/Covered Images
Mais recentemente, nomes como Jack Robinson (2025) ou Cole Houshmand (2024) continuam a escrever novos capítulos desta história.
No feminino, campeãs como Carissa Moore, Tyler Wright, Caitlin Simmers ou Isabella Nichols mostram que Bells continua a ser um palco de excelência também no surf feminino.

Tradição que atravessa gerações
Apesar da evolução do surf e das mudanças no circuito mundial, Bells mantém-se fiel à sua essência.
É um dos poucos sítios onde se sente claramente que o surf vai muito além da performance. É tradição, é respeito pelo lugar e é uma ligação direta às raízes do desporto.
Num ano em que o Championship Tour apresenta um novo formato competitivo, Bells continua igual a si própria.
E talvez seja isso que a torna tão especial.
Rip Curl Pro Bells Beach – Hall of Fame
1962 - Glynn Ritchie
1963 - Doug Andrew
1964 - Mick Dooley / Gail Couper
1965 - Rob Conneeley
1966 - Nat Young / Gail Couper
1967 - Nat Young / Gail Couper
1968 - Ted Spencer / Gail Couper
1969 - Ted Spencer / Vivian Campbell
1970 - Nat Young / Gail Couper
1971 - Paul Neilson / Gail Couper
1972 - Terry Fitzgerald / Gail Couper
1973 - Michael Peterson
1974 - Michael Peterson / Gail Couper
1975 - Michael Peterson / Gail Couper
1976 - Jeff Hakman / Gail Couper
1977 - Simon Anderson / Margo Oberg
1978 - Mark Richards / Margo Oberg
1979 - Mark Richards / Lynne Boyer
1980 - Mark Richards / Margo Oberg
1981 - Simon Anderson / Linda Davoli
1982 - Mark Richards / Debbie Beacham
1983 - Joe Engel / Helen Lambert
1984 - Cheyne Horan / Kim Mearig
1985 - Tom Curren / Freida Zamba
1986 - Tom Carroll / Freida Zamba
1987 - Nick Wood / Jodie Cooper
1988 - Damien Hardman / Kim Mearig
1989 - Martin Potter / Wendy Botha
1990 - Tom Curren / Lisa Anderson
1991 - Barton Lynch / Pauline Menczer
1992 - Richie Collins / Lisa Anderson
1993 - Damien Hardman / Pauline Menczer
1994 - Kelly Slater / Layne Beachley
1995 - Sunny Garcia / Lisa Anderson
1996 - Sunny Garcia / Pauline Menczer
1997 - Matt Hoy / Lisa Anderson
1998 - Mark Occhilupo / Layne Beachley
1999 - Shane Dorian / Layne Beachley
2000 - Sunny Garcia / Megan Abubo
2001 - Mick Fanning / Neridah Falconer
2002 - Andy Irons
2003 - Andy Irons
2004 - Joel Parkinson
2005 - Trent Munro / Sofia Mulanovich
2006 - Kelly Slater
2007 - Taj Burrow / Stephanie Gilmore
2008 - Kelly Slater / Stephanie Gilmore
2009 - Joel Parkinson / Silvana Lima
2010 - Kelly Slater / Stephanie Gilmore
2011 - Joel Parkinson / Sally Fitzgibbons
2012 - Mick Fanning / Sally Fitzgibbons
2013 - Adriano de Souza / Carissa Moore
2014 - Mick Fanning / Carissa Moore
2015 - Mick Fanning / Carissa Moore
2016 - Matt Wilkinson / Courtney Conlogue
2017 - Jordy Smith / Courtney Conlogue
2018 - Italo Ferreira / Stephanie Gilmore
2019 - John John Florence / Caroline Marks
2020 - Não realizado
2021 - Não realizado
2022 - Filipe Toledo / Tyler Wright
2023 - Ethan Ewing / Tyler Wright
2024 - Cole Houshmand / Caitlin Simmers
2025 - Jack Robinson / Isabella Nichols




