Quem são os rookies que vieram ameaçar a velha guarda da elite? Tony Heff/WSL quarta-feira, 02 fevereiro 2022 17:20

Quem são os rookies que vieram ameaçar a velha guarda da elite?

Estão a gravar o seu nome entre os melhores do mundo

 

No passado dia 29 de janeiro foi dado início à primeira etapa da temporada de 2022, o Billabong Pro Pipeline, e foram apresentados ao Circuito Mundial novas caras que vieram para ficar e dar que falar, pelos melhores motivos.

 

João Chianca

O dia de ontem, pôs na boca do mundo do surf o nome de João Chianca. Não há melhor frase para descrever a estreia do brasileiro no Tour senão dizer que “chegou, chegando”. O atleta de 21 anos não se deixou intimidar pelo currículo de Jonh Jonh Florence. Disputou uma batalha renhida e foi por pouco que não tirou o local e bi-campeão mundial. O heat ficou assim marcado por notas excelentes, inclusive Chianca passou a deter até ao momento a maior nota do campeonato, avaliada em 9.87 pontos. No terceiro round, o brasileiro já tinha eliminado o potencial candidato à vitória Jack Robinson. Os fãs tinham apontado para a vitória do australiano em 79% e só 21% acreditou que Chumbinho conseguia mostrar a porta de saída a Robinson. João Chianca, provou que as probabilidades não passam disso mesmo e que tudo pode acontecer numa bateria. Embora tenha perdido, ficou a ganhar sobretudo reconhecimento e visibilidade.

Chianca já tinha conquistado em 2019 o título de campeão sul-americano da WSL Latin América e em 2020 foi vice-campeão no QS 5000 Volcom Pipe Pro.

 

 

“É para isso que foi posto tanto trabalho duro, que as coisas aconteceram do jeito que tinham de acontecer. É para isso que eu vim da família certa, do lugar certo e que a trajetória foi essa até chegar ao lugar onde eu me encontro passando bateria a bateria no melhor mar e campeonato da minha vida. Eu acho que isso é coisa de Deus. É incrível como as coisas vão acontecendo no teu caminho e as pedras também estão lá e tudo se encaixa no final para momentos como este. Basta você acreditar.”, disse João Chianca ao canal People On Tour.

O irmão e big wave rider Lucas Chumbo, não deixou a ocasião passar em branco: “Eu sempre soube que esse dia chegaria e chegou marcando a vida. Primeira vez no Pipe Masters, dando um show de surf. Surfando contra os melhores. Parabéns meu ídolo. Estou com um orgulho enorme em ser seu irmão e fazer parte dessa história linda que você está só começando a escrever no WCT”, escreveu na sua página de Instagram.

 

Samuel Pupo

Samuel Pupo também chamou à atenção depois de eliminar o veterano e 7º colocado no ranking mundial, Jordy Smith, com duas notas na casa dos 7 pontos. Segue assim, juntamente com o irmão Miguel Pupo, a caminho dos quartos-de-final onde irá enfrentar o conterrâneo Caio Ibelli. Em entrevista ao portal de notícias Rico Surf, no início de Janeiro deste ano de 2022, Samuel comentou que prentendia “lapidar o surf em técnicas de tubos”. Ao que parece o brasileiro, tem conseguido fazê-lo com sucesso.

 

 

Samuel garantiu a sua vaga na última etapa do Challenge Series, disputada em Haleiwa, no Hawaii tendo finalizado em 4º lugar. Apesar deste ser o primeiro ano em que integra a elite, o brasileiro já tinha entrado por duas vezes em provas do circuito mundial. A primeira vez em 2017 em Bells Beach e a segunda em 2018 na etapa de Supertubos em Portugal. Ainda em solo português, em 2019 venceu o QS 10.000 na Ericeira.

O brasileiro também de 21 anos faz assim chegar a um nível de topo as pranchas do seu pai "Ohana Pupo Ohp".

 

Carlos Muñoz

 

 

O costa-riquenho Carlos Muñoz tem vindo a dançar ao sabor da maré, ora com marés de sorte, ora é apanhado por marés de azar. Depois de um ano conturbado ao ver a possibilidade de competir nos Jogos Olímpicos cair por terra, já que não conseguiu chegar a tempo de aceitar o convite da ISA para substituir o lugar deixado por Kikas, o atleta conquistou uma classificação histórica para o Circuito Mundial. Tornou-se o primeiro surfista masculino da Costa Rica a entrar para a Elite, juntando-se a Brissa Hennessy. O novo integrante eliminou o português Frederico Morais no terceiro round mas saiu lesionado da prova. Com a liderança do seu lado, tudo aparentava estar normal durante o heat mas os pontos de interrogação começaram a surgir quando Carlos Muñoz remou ferozmente para uma onda e acabou por desistir dela.

Ao que parece, o atleta da Costa Rica deslocou o ombro após ser ‘engolido’ por alguns tubos que não abriam. Veio somar-se ainda a forte remada para entrar no tempo certo da onda que significou a gota de água, forçando-o a chamar o jet-ski e pedir que o levassem para terra. Muñoz vestiu a lycra para fazer frente ao peruano Lucas Mesinas mas não se sentiu em condições de competir deixando em aberto até onde poderia ter chegado.

Em 2014, o costa-riquenho já tinha competido na etapa de Trestles do Tour e derrotou Gabriel Medina.

 

Lucca Mesinas

O Peru volta a ter um atleta com lugar entre os melhores do mundo após 9 anos e este feito deve-se a Lucca Mesinas. Este não passou despercebido, apanhou tantas ondas quantas pôde e esteve numa luta titânica pela liderança contra Kolohe Andino no terceiro round. Em contagem decrescente para ser dado por terminada a bateria e estando o peruano a necessitar de 5.71 pontos, ambos apanharam a última onda, indo Kolohe para backdoor de forma a firmar ainda mais a sua posição de líder e Mesinas para a direita visando obter os pontos que necessitava. Soou a buzina e os ambos já tinham dropado. Foi tão na reta final que a viragem da bateria só foi anunciada quando os dois já se encontravam na areia.

Apesar da diferença mínima de scores finais, Mesinas atirou Kolohe Andino para fora do Billabong Pipe Pro, conquistado 6.83 pontos.

Seguiu-se o quarto round onde o peruano iria enfrentar Carlos Muñoz, que se encontrava lesionado. Apesar de já ter passagem automática para os quartos de final perante a desistência do costa-riquenho, Lucca Mesinas não deixou de entrar na água para competir contra ele mesmo e aproveitar com toda a prioridade o line-up de Pipeline a funcionar, já que não é todos os dias que se consegue essa oportunidade.

Em 2018 foi campeão do QS 3000 de Barbados e em 2021 venceu o QS 1000 no Equador. Nesse mesmo ano passado representou ainda a seleção olímpica peruana ficando-se pelos quartos-de final após ser abatido por Owen Wright.

 

 

Embora estes tenham sido aqueles que mais se destacaram já que puseram em causa o lugar dos veteranos no Tour, não se desmerece no entanto a presença de Ezekiel Lau, Liam O'Brien, Connor O'Leary, Jake Marshall, Callum Robson, Nat Young, Imaikalani Devault e Jackson Baker, também rookies nesta temporada de 2022.

 

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