Yolanda Hopkins / WSL - Matt Dunbar Yolanda Hopkins / WSL - Matt Dunbar terça-feira, 11 agosto 2026 22:37

Yolanda Hopkins elimina Stephanie Gilmore em Teahupo’o com atitude de “charger”

A estreia feminina no Outerknown Tahiti Pro Presented by I-SEA trouxe uma excelente notícia para Portugal.

As ondas baixaram de tamanho no Outerknown Tahiti Pro, mas Yolanda Hopkins não mudou de atitude. A portuguesa procurou os tubos praticamente sempre que teve oportunidade e essa abordagem agressiva acabou por fazer a diferença frente à oito vezes campeã mundial Stephanie Gilmore.

 

A estreia feminina no Outerknown Tahiti Pro Presented by I-SEA trouxe uma excelente notícia para Portugal. Yolanda Hopkins venceu Stephanie Gilmore, uma das maiores surfistas da história, e garantiu a passagem à segunda ronda da prova que decorre em Teahupo’o, no Taiti.

Depois do espetáculo proporcionado pelo quadro masculino, as condições apresentaram-se bastante diferentes esta terça-feira. O mar baixou para a casa dos 4 a 6 pés, com vento offshore, mas com muito menos oportunidades de tubos sólidos.

Foi precisamente neste cenário mais difícil que a atitude de Yolanda acabou por fazer a diferença.

Yolanda procurou o tubo até o encontrar

Desde o início da bateria ficou evidente a estratégia da portuguesa: procurar o tubo.

Mesmo perante ondas que muitas vezes não ofereciam uma saída clara, Yolanda continuou a posicionar-se e a atacar as secções mais ocas, mostrando uma abordagem destemida num palco onde o compromisso é frequentemente recompensado.

Gilmore, pelo contrário, não conseguiu encontrar uma verdadeira oportunidade de tubo durante os 40 minutos.

Yolanda começou com pontuações baixas — 0,30 e 0,77 — mas nunca abandonou a estratégia. E acabou por surgir a oportunidade que procurava.

A portuguesa arrancou numa onda que abriu suficientemente para permitir uma entrada profunda no tubo. Yolanda desapareceu atrás da cortina de água e esteve muito perto de conseguir completar a onda, mas acabou por não encontrar a saída por muito pouco.Apesar de não ter completado o tubo, os juízes reconheceram o grau de compromisso e atribuíram-lhe 3,00 pontos, a melhor nota de toda a bateria. E essa onda acabou por ser decisiva.

Atitude vale vitória sobre uma lenda do surf

Yolanda juntou ao 3,00 uma nota de 1,73, terminando com 4,73 pontos.

Stephanie Gilmore respondeu apenas com 2,40 e 1,50, ficando pelos 3,90 pontos.

Yolanda Hopkins – 4,73 (3,00 + 1,73)
Stephanie Gilmore – 3,90 (2,40 + 1,50)

Não foi uma bateria de grandes pontuações, nem poderia sê-lo perante a escassez de oportunidades oferecidas por Teahupo’o. Mas foi uma bateria em que a atitude competitiva e a vontade de assumir riscos fizeram toda a diferença.

E Yolanda assumiu-os.

A vitória ganha ainda maior dimensão pelo nome que estava do outro lado da bateria. Stephanie Gilmore é oito vezes campeã mundial, um recorde no surf feminino que partilha com Layne Beachley, e uma das figuras mais importantes da história da modalidade.

«É preciso estar confortável com o desconfortável»

Já no barco, após a bateria, Yolanda Hopkins explicou a Chris Cote que, apesar das condições difíceis, entrou na água determinada a aproveitar qualquer oportunidade que Teahupo’o lhe oferecesse.

«Foram condições complicadas, mas tenho-me divertido muito nesta última semana e meia e tenho apanhado bastantes tubos. Gostava de ter tido uma bateria com alguns tubos abertos, mas vou sempre tentar.»

A portuguesa explicou que esta disposição para se atirar às secções mais pesadas não significa ausência de medo. Pelo contrário, faz parte de um processo de treino físico e mental para aceitar precisamente esse desconforto.

«É para isso que treino: para aproveitar as oportunidades. Se não resultar, levas uma tareia e estás pronta para voltar imediatamente.»

Questionada sobre a origem desta atitude destemida, Yolanda admitiu que não nasceu propriamente com uma predisposição natural para enfrentar situações de risco, mas que a competitividade e o trabalho desenvolvido com o treinador foram empurrando progressivamente os seus limites.

«Costumamos dizer que temos de estar confortáveis com o desconfortável. Claro que também tenho medo, mas é quando ultrapassamos essa parte de que temos medo que começamos a ganhar confiança. Depois é continuar a puxar e avançar.»

Yolanda revelou ainda que tinha surfado Teahupo’o na manhã anterior, numa sessão que descreveu como particularmente exigente e arriscada, precisamente para continuar a habituar-se a esse ambiente.

«Estou preparada para levar umas tareias. Ontem de manhã fui lá para fora e estava bastante assustador, no limite, mas adoro estar lá. Obriga-me a continuar desconfortável.»

Respeito por Stephanie Gilmore

Apesar de ter acabado de eliminar uma das maiores surfistas de sempre, Yolanda mostrou enorme respeito por Stephanie Gilmore, com quem já partilhou outras competições.

«Adoro a Steph. Já fizemos algumas provas juntas e já competimos algumas vezes uma contra a outra. Ela é simplesmente incrível. É uma pessoa extraordinária e estou sempre a aprender alguma coisa com ela, seja na vida ou no surf.»

Gilmore teve inclusivamente um gesto especial depois da bateria: ofereceu a sua lycra de competição a Yolanda, algo que deixou a portuguesa particularmente feliz.

Mas quando Chris Cote lhe perguntou o que vinha a seguir, a resposta foi imediata: ganhar a próxima bateria e procurar mais tubos.

«Assim que esses tubos começarem a abrir, sabem que vou lá. Vamos tentar entrar cada vez mais fundo e tornar isto ainda mais emocionante. Ou saio ou não saio, mas acho que vai ser emocionante de ver.»

Uma declaração que resume na perfeição aquilo que Yolanda Hopkins mostrou dentro de água em Teahupo’o: não precisa que as condições sejam perfeitas para atacar. Precisa apenas de uma oportunidade.

 
 

Uma vitória importante para Yolanda

Para a portuguesa, não se trata apenas de eliminar uma campeã mundial. A forma como conseguiu a vitória deixa boas indicações para aquilo que poderá acontecer se Teahupo’o voltar a apresentar condições mais pesadas e tubos mais sólidos.

Yolanda já demonstrou ao longo da carreira que não recua perante ondas de consequência. E esta primeira bateria no Taiti voltou a mostrar exatamente isso.

Mesmo num dia em que Teahupo’o ofereceu poucos tubos, a portuguesa procurou-os repetidamente.Foi ao encontro deles. Arriscou.E foi recompensada.

Grande atitude da “charger” portuguesa, que segue agora para a segunda ronda do Outerknown Tahiti Pro.

Se Teahupo’o voltar a acordar com os tubos que fizeram a fama desta onda, Yolanda Hopkins já deixou claro que está preparada para se atirar a eles.

 
 
 
 

Itens relacionados

Perfil em destaque

Scroll To Top