Yolanda Hopkins termina em 3.º no Tahiti Pro após campanha memorável em Teahupo’o
As ondas que abriam os melhores tubos não sorriram desta vez a Yolanda Hopkins.
A portuguesa foi travada nas meias-finais do Tahiti Pro por Anat Lelior, terminando no 3.º lugar e assinando o melhor resultado da carreira numa etapa do Championship Tour.
Yolanda Hopkins despediu-se esta quinta-feira de Teahupo’o depois de uma prestação que confirmou a surfista portuguesa entre os grandes destaques da sétima etapa do Championship Tour (CT) de 2026.
Depois de vários dias em que a coragem, o compromisso e a procura constante dos tubos fizeram a diferença, Yolanda chegou às meias-finais com a ambição assumida de lutar pela vitória. Desta vez, porém, Teahupo’o não lhe ofereceu as oportunidades que precisava.

Os tubos não apareceram para Yolanda
Frente à israelita Anat Lelior, que chegou ao Taiti no 17.º lugar do ranking mundial, Yolanda procurou repetir a estratégia que tão bons resultados lhe tinha dado ao longo da prova: atacar as secções mais ocas e esperar pelas ondas capazes de abrir tubos com potencial para notas altas.

Mas essas ondas não chegaram.
A portuguesa nunca conseguiu encontrar uma saída de tubo que lhe permitisse construir uma bateria competitiva e terminou com apenas 3,43 pontos, enquanto Lelior encontrou melhores oportunidades para somar 12,50 e garantir a presença na final.
Foi um desfecho ingrato para uma surfista que, ao longo de toda a prova, tinha mostrado estar entre as mais comprometidas quando Teahupo’o revelava a sua verdadeira face.

Uma vitória enorme sobre Caity Simmers
Horas antes, Yolanda tinha protagonizado mais um dos grandes momentos da sua campanha.
Nos quartos de final, a portuguesa derrotou Caity Simmers, campeã mundial de 2024 e número 6 mundial, por 12,33 contra 6,90 pontos.
Yolanda encontrou um excelente tubo que lhe valeu 7,50 pontos, juntando-lhe um 4,83 para construir uma vantagem confortável.
Simmers ainda tentou responder perto do final com um tubo muito pesado, mas sofreu uma queda violenta quando procurava a saída, acabando por necessitar de assistência médica.
A vitória colocou Yolanda pela primeira vez nas meias-finais de uma etapa do Championship Tour.
De Gilmore a Simmers: uma campanha extraordinária
O 3.º lugar ganha ainda maior dimensão quando se olha para o percurso da portuguesa em Teahupo’o.
Yolanda começou por eliminar Stephanie Gilmore, oito vezes campeã mundial, numa bateria em que a sua insistência em procurar os tubos fez a diferença.
Seguiu-se uma vitória clara sobre a brasileira Luana Silva, então número 4 mundial, que colocou a portuguesa pela primeira vez esta temporada nos quartos de final.

Depois chegou o triunfo sobre Simmers.
Três vitórias sobre três das surfistas mais cotadas do circuito antes de Anat Lelior colocar um ponto final na aventura taitiana.
E Yolanda nunca escondeu a ambição. Depois de garantir os quartos de final, quando lhe perguntaram o que pretendia fazer a seguir, respondeu sem hesitações que não queria apenas chegar à final:
“Vamos ganhar.”
Não ganhou, mas esteve muito perto de ter a oportunidade de o fazer.
Melhor resultado da carreira e subida no ranking
Aos 28 anos e na sua temporada de estreia a tempo inteiro entre a elite, Yolanda alcança assim o melhor resultado da carreira no Championship Tour, superando o 5.º lugar conseguido em Peniche, em 2023, quando competiu como wildcard.
O resultado tem igualmente consequências importantes no ranking.
Yolanda sobe do 20.º para o 17.º lugar mundial, ganhando terreno importante na luta pela permanência entre a elite. Francisca Veselko, eliminada na ronda inaugural em Teahupo’o, mantém-se no 23.º posto.
A portuguesa deixa ainda o Taiti com um 3.º lugar numa das etapas mais prestigiadas e exigentes do circuito mundial e, de acordo com a tabela de prémios indicada para esta fase do Championship Tour, com 40 mil dólares de prize money.
De Teahupo’o para Cloudbreak
E quase não haverá tempo para respirar.
A próxima paragem do Championship Tour leva Yolanda e a elite mundial para outro palco mítico do surf de ondas tubulares: Cloudbreak, nas Fiji, onde a competição está prevista decorrer entre 25 de agosto e 4 de setembro.
Depois daquilo que Yolanda Hopkins mostrou em Teahupo’o, a passagem do circuito por mais uma das melhores esquerdas tubulares do planeta ganha um interesse especial para o surf português.
Teahupo’o não lhe deu a onda que precisava para chegar à final. Mas deu-nos a confirmação de que Yolanda Hopkins tem lugar entre as melhores do mundo quando o mar fica sério.
Erin Brooks vence em Teahupo’o
A prova feminina terminou pouco depois da eliminação de Yolanda Hopkins, com Erin Brooks a conquistar o Outerknown Tahiti Pro, depois de superar Anat Lelior numa final de grande nível.
A canadiana venceu por 17,20 pontos, graças a dois tubos avaliados em 8,93 e 8,27, enquanto Lelior respondeu com 16,33 pontos, somando um 8,33 e um 8,00. Uma diferença de apenas 0,87 pontos separou as duas surfistas.
Brooks conquistou assim a vitória em Teahupo’o, enquanto Anat Lelior terminou no segundo lugar. Yolanda Hopkins e Isabella Nichols, derrotadas nas meias-finais, completaram o pódio no 3.º lugar ex-aequo.
- Créditos fotos: WSL / Matt Dunbar - Hanna Handerson





