Yolanda Hopkins cai nos quartos em Fiji e confirma-se entre as melhores em ondas de consequência
Portuguesa terminou o Fiji Pro no 5.º lugar depois de perder frente a Isabella Nichols em Cloudbreak. O resultado sucede ao 3.º lugar conquistado no Taiti e reforça a recuperação de Yolanda no ranking mundial.
Yolanda Hopkins despediu-se esta terça-feira do Fiji Pro, oitava etapa do Championship Tour da World Surf League, com um 5.º lugar, depois de ser eliminada pela australiana Isabella Nichols nos quartos de final.
O resultado não conta, porém, toda a história de uma bateria em que a portuguesa voltou a mostrar algo que tem sido cada vez mais evidente nesta fase da temporada: Yolanda está confortável nas ondas de consequência e está a encarar os grandes momentos do Championship Tour com crescente confiança e agressividade.
Em Cloudbreak, perante ondas de quatro a seis pés e vento offshore, Nichols acabou por vencer por 9,67 contra 6,77, mas Yolanda nunca deixou de procurar uma forma de virar a bateria.
Isabella Nichols aproveitou a melhor oportunidade
A australiana começou melhor e encontrou logo uma onda longa que lhe permitiu construir várias manobras e receber 6,50 pontos, nota que acabaria por ser determinante.
Yolanda respondeu ainda na primeira parte do heat. Numa onda com várias secções, a portuguesa encadeou uma sequência de manobras para receber 4,67 pontos.
A diferença esteve sobretudo na segunda nota. Nichols conseguiu acrescentar 3,17 ao seu total, enquanto Yolanda nunca encontrou outra onda que lhe permitisse substituir os 2,10 que ficaram como segunda melhor pontuação.
E não foi por falta de tentativa.
Atitude de campeã até ao último segundo
À medida que o relógio avançava, Yolanda deixou de esperar simplesmente pela onda perfeita e começou a atacar Cloudbreak. A portuguesa procurou tubos em situações cada vez mais exigentes. Numa dessas tentativas esteve muito perto de protagonizar o momento que poderia ter mudado completamente o resultado.Yolanda desapareceu no tubo e chegou muito perto da saída. A prancha acabou projetada para fora da onda, mas a portuguesa não conseguiu acompanhá-la. Uma saída completa poderia ter produzido a nota de que necessitava para colocar Nichols sob enorme pressão.
Foi uma imagem que sintetizou a bateria: Yolanda preferiu arriscar tudo na procura da vitória.
A portuguesa continuou a atacar até ao final dos 35 minutos, numa demonstração de competitividade que não se refletiu no resultado, mas confirmou a evolução que tem mostrado nesta passagem por algumas das ondas mais exigentes do circuito.
Do Taiti para Fiji, Yolanda cresce no CT
O 5.º lugar ganha ainda maior significado quando colocado em perspetiva com aquilo que Yolanda fez poucas semanas antes.Em Teahupo'o, a portuguesa alcançou o melhor resultado da carreira no Championship Tour ao chegar às meias-finais e terminar em 3.º lugar.
Agora, em Cloudbreak, voltou a chegar à fase decisiva da competição, depois de protagonizar uma das grandes surpresas do Fiji Pro ao eliminar anteriormente a número 1 mundial Gabriela Bryan, por 10,17 contra 9,93. Dois resultados consecutivos que mostram uma Yolanda diferente daquela que chegou a esta fase da temporada.
A portuguesa parece cada vez mais solta no seu surf, mais confiante nas decisões e, sobretudo, disposta a assumir riscos quando a situação competitiva assim o exige. A sua postura dentro e fora de água também não tem passado despercebida ao longo do Tour, onde é uma das atletas mais acarinhadas entre adversárias, colegas e comunidade do circuito.
5.º lugar vale 4.745 pontos
Yolanda deixa Fiji com 4.745 pontos pelo quinto lugar e deverá subir virtualmente ao 14.º posto do ranking mundial, depois de ter chegado ao Taiti na 20.ª posição. É uma recuperação importante numa fase decisiva da temporada e mantém a portuguesa dentro da luta pela requalificação direta para o Championship Tour de 2027.
Também Francisca Veselko competiu em Fiji. Kika terminou no 9.º lugar depois de ser eliminada por Lakey Peterson no Round 2 e deverá subir do 23.º para o 22.º posto mundial. Paralelamente, mantém uma posição muito forte no Challenger Series, outra possível porta de acesso à elite em 2027.
Trestles é o próximo desafio
O Championship Tour segue agora para Trestles, na Califórnia, de 11 a 20 de setembro, naquela que será uma etapa particularmente importante para as contas das duas portuguesas. Yolanda Hopkins deixa, contudo, o Pacífico com muito mais do que os pontos conquistados.
Um 3.º lugar em Teahupo'o, um 5.º em Cloudbreak e a vitória sobre a líder mundial Gabriela Bryan mostram que a portuguesa está a encontrar a sua melhor versão precisamente quando o Championship Tour entra numa fase decisiva.
E, depois da forma como atacou Cloudbreak até ao último segundo, fica também a sensação de que ainda há muito surf de Yolanda para ver esta temporada.
Assiste abaixo à prova em directo:
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