Biarritz quer acabar com a sobrelotação das ondas e prepara novas regras para o surf
Setenta anos depois da chegada do surf às suas praias, Biarritz enfrenta um dos maiores desafios associados à popularização da modalidade
Uma das cidades mais emblemáticas da história do surf europeu está a preparar um plano para combater a sobrelotação dos seus spots. Biarritz, no País Basco francês, pretende reorganizar a utilização das praias, estabelecer zonas de prática e reforçar as responsabilidades das escolas, clubes e empresas de aluguer de material. A iniciativa promete reacender o debate entre a segurança no mar e a liberdade de surfar.
Setenta anos depois da chegada do surf às suas praias, Biarritz enfrenta um dos maiores desafios associados à popularização da modalidade: a concentração excessiva de surfistas nos mesmos picos, sobretudo durante a época balnear.
A autarquia francesa lançou um processo de diálogo com os diferentes intervenientes do setor para desenvolver um modelo de utilização do espaço marítimo que permita reduzir os conflitos, melhorar a segurança e proporcionar melhores condições para a prática do surf.
A iniciativa envolve escolas, clubes, empresas de aluguer de pranchas e surfistas independentes, procurando encontrar um equilíbrio entre a atividade comercial, o ensino e o surf recreativo.
Seis medidas para reorganizar o surf nas praias
O plano apresentado assenta em seis eixos principais:
Carta do Surf: delimitação de zonas para tornar a prática livre mais segura.
Reforço do papel dos clubes: maior participação dos clubes de surf na organização das atividades nas praias.
Carta dos alugadores: responsabilização das empresas de aluguer de equipamento pelo dever de informar os clientes.
Novo enquadramento para o ensino: reorganização das escolas de surf, permitindo a atividade, mas controlando a ocupação comercial das praias.
Brigada das Praias: criação de um mecanismo de informação, prevenção e eventual aplicação de sanções.
Campanha de comunicação: divulgação de uma mensagem educativa comum a todos os intervenientes.
Entre as soluções em análise estão uma melhor distribuição das aulas de surf, através de quotas de alunos, a criação de zonas adaptadas aos diferentes níveis de experiência e o reforço das obrigações das empresas que alugam material.
Escolas de surf e praticantes independentes no centro do debate
A crescente popularidade do surf transformou praias como a Côte des Basques em locais de grande concentração de praticantes, especialmente durante o verão.
A presença simultânea de escolas, principiantes e surfistas mais experientes levanta questões de segurança, mas também de acesso ao mar.
A proposta de Biarritz procura responder a estas dificuldades através de uma organização mais clara das atividades, sem deixar de reconhecer a importância económica e turística do surf para a cidade.
Medidas ainda não são definitivas
Apesar da apresentação dos seis eixos, os detalhes concretos do plano ainda não foram divulgados.
Segundo a informação partilhada pelo projeto Surfing Biarritz, o presidente da Câmara, Serge Blanco, e a responsável municipal pelo Desporto, Nathalie Destandau, garantem que o diálogo e a concertação com os diferentes intervenientes continuarão a orientar o processo.
As regras específicas, incluindo eventuais limites de alunos por escola, horários ou delimitações das zonas de surf, deverão ser conhecidas nas próximas semanas.
Uma discussão que ultrapassa Biarritz
A iniciativa está já a provocar reações distintas entre surfistas. Enquanto alguns defendem uma intervenção para reduzir os riscos e melhorar a convivência dentro de água, outros receiam que uma regulamentação excessiva comprometa o caráter livre e acessível da modalidade.
A pressão sobre os spots mais conhecidos não é exclusiva do País Basco francês. Em Portugal, praias como Carcavelos, Costa da Caparica ou Matosinhos também registam uma forte concentração de escolas e praticantes em determinados períodos.
O modelo que Biarritz vier a implementar poderá, por isso, tornar-se uma referência para outras localidades europeias que enfrentam o mesmo desafio: como organizar o surf sem limitar desnecessariamente a liberdade de acesso ao mar?
Fonte: Surfing Biarritz — divulgação do plano municipal para a organização da prática do surf.





