Prancha “anti-tubarão” chega ao Shark Tank Australia e divide opiniões no mundo do surf
Vamos perceber como Como funciona a prancha...
Um projeto que promete reduzir o risco de ataques de tubarão no surf esteve recentemente em destaque no programa Shark Tank Australia, levantando debate tanto entre investidores como na comunidade surfista internacional.
O inventor australiano Dave Smith apresentou a sua marca Luv Ur Self, procurando um investimento de 120 mil dólares australianos por 5% do negócio, com base numa prancha de surf equipada com um sistema eletrónico de dissuasão de tubarões.
Como funciona a prancha?
A proposta assenta na integração de um dispositivo eletrónico que emite estímulos sensoriais desconfortáveis para tubarões, explorando a sensibilidade destes animais a determinados campos elétricos e frequências. Segundo o criador, o sistema foi testado em ambientes controlados e demonstrou capacidade para afastar tubarões curiosos da prancha.
A ideia não é totalmente nova — tecnologias semelhantes já existem em dispositivos usados no tornozelo ou em embarcações —, mas o diferencial da Luv Ur Self passa por incorporar o sistema diretamente na prancha, eliminando a necessidade de acessórios externos.
Reação dos “Sharks”: interesse na ideia, dúvidas no negócio
Apesar de reconhecerem o potencial da tecnologia em termos de segurança e impacto mediático, os investidores do programa mostraram-se reticentes quanto ao modelo de negócio apresentado. Entre as principais críticas estiveram:
Falta de clareza na estratégia comercial
Preço final da prancha considerado pouco competitivo
Dúvidas sobre escalabilidade e integração do sistema noutros produtos
Ausência de parcerias com marcas estabelecidas do surf
No final, nenhum investimento foi concretizado, com alguns dos “Sharks” a sugerirem que o inventor deveria licenciar a tecnologia em vez de tentar competir diretamente no mercado de pranchas.
Comunidade surfista dividida
A reação do público não tardou, e os comentários ao programa refletem bem a divisão de opiniões. Enquanto alguns surfistas elogiam a tentativa de salvar vidas e reduzir riscos, outros levantam questões legítimas:
O sistema funciona com a prancha em movimento?
O que acontece quando o surfista cai e fica apenas preso ao leash?
Será mais eficaz integrar a tecnologia em quilhas, fatos ou leashes?
O custo justifica-se face a soluções já existentes?
Houve ainda quem apontasse que a segurança no mar não depende apenas da tecnologia, lembrando que conhecimento do local, comportamento consciente e leitura das condições continuam a ser fatores-chave.
Um tema sensível… e cada vez mais atual
Com o aumento da prática do surf em zonas remotas e o crescimento do contacto humano com habitats naturais, a relação entre surf e vida marinha volta a ganhar destaque. Projetos como este mostram que a indústria continua a procurar soluções, mesmo que ainda longe de consensos.
Se esta prancha “anti-tubarão” será o futuro ou apenas mais uma experiência mediática, o tempo dirá. Para já, o debate está lançado — e isso, por si só, já é um sinal de que o tema merece atenção.





