Atlântico instável em Portugal empurra big riders para a Irlanda
Espectáculo em Aileen’s
O Atlântico continua a ditar regras — e nem sempre joga a favor de Portugal. Entre sucessivas janelas de mau tempo, mudanças rápidas de vento e mares desorganizados, vários big riders e equipas de imagem acabaram por procurar alternativas mais “certas” noutros pontos do Atlântico Norte. E este inverno voltou a confirmar uma tendência: a Irlanda está cada vez mais no mapa.
No vídeo “Irish Times – Part 1”, da autoria de Surfing Visions, o realizador Tim Bonython regressa à costa oeste irlandesa e explica porque fez já três viagens este inverno:
“Nazaré não era o lugar para estar”. O foco está em Aileen’s, um slab/reife exposto na costa de Clare, encaixado no cenário brutal do Burren e do Cliffs of Moher Geopark, onde as direcções certas de swell e offshore transformam o caos do Atlântico em linhas perfeitas — mas sempre imprevisíveis e pouco “confortáveis”.
Aileen’s não oferece facilidades: água fria (na casa dos 9–10ºC), logística dura e acesso exigente. Bonython descreve a realidade de filmar ali sem “atalhos”: sem ski disponível e com a alternativa a passar por descer a falésia para encontrar o ângulo, evitando quedas de pedra e navegando uma praia de blocos. É precisamente essa combinação — frio, risco, isolamento e recompensa — que faz da Irlanda um teste de compromisso para surfistas e filmers.
O swell reuniu um elenco de peso, com destaque para Nathan Florence, Russell Bierke, Tom Lowe, Willem Banks e o jovem charger de 18 anos Lex O’Connor. No bodyboard, entram em cena Shane Ackerman e locais irlandeses como Seamus “Shambles” McGoldrick, Tom Gillespie e Jack Johns, num vídeo onde os tubos e as secções pesadas se sucedem sem necessidade de “gimmicks”: “sem redes de segurança, só slabs frios e compromisso”.
“Irish Times – Part 1” (14 minutos) é a primeira metade de um registo que promete continuação — e que ajuda a perceber porque é que, quando as janelas não alinham em Portugal, o Atlântico Norte tem sempre mais uma carta… e, muitas vezes, essa carta chama-se Irlanda.





