El Niño pode chegar já em maio: o que significa para as ondas em 2026 ?
A Organização Meteorológica Mundial (WMO) a apontar para uma transição quase certa para este fenómeno climático entre maio e o verão de 2026.
A possibilidade de um novo El Niño ganhar forma já nos próximos meses está a aumentar, com a Organização Meteorológica Mundial (WMO) a apontar para uma transição quase certa para este fenómeno climático entre maio e o verão de 2026.
Depois de um início de ano marcado por condições neutras no Pacífico, os modelos climáticos mostram agora um aquecimento rápido da região equatorial, com elevada confiança no desenvolvimento de um episódio de El Niño, que poderá intensificar-se ao longo dos meses seguintes.
Para o surf, este é sempre um tema que gera expectativa - mas também exige interpretação cuidada-
O que pode mudar nas ondas?
Historicamente, anos de El Niño estão associados a mais energia de ondulação no Pacífico, com tempestades mais consistentes e episódios de mar mais forte, sobretudo:
- Costa Oeste dos Estados Unidos
- Havai
- Algumas regiões da América Central e do Pacífico Sul
Em alguns casos, a energia das ondas pode mesmo ficar acima da média durante vários meses, criando períodos de swell mais consistentes.
E no Atlântico, incluindo Portugal?
Aqui o cenário é mais complexo - e menos direto.
Segundo os dados mais recentes da WMO, o Atlântico Norte já apresenta temperaturas da superfície do mar acima da média, tendência que deverá manter-se durante a primavera e início do verão de 2026. No entanto, ao contrário do Pacífico, o El Niño não tem um impacto imediato e previsível no surf europeu.
Em termos práticos:
- Não significa automaticamente mais ondas em Portugal
- O impacto sente-se sobretudo de forma indireta e mais tardia
- Pode influenciar os padrões de tempestades no outono/inverno seguinte
Ou seja, para já, os surfistas portugueses não devem esperar alterações significativas a curto prazo apenas por causa deste fenómeno.
Um oceano mais quente (e o que isso pode significar)
Outro ponto importante é o facto de praticamente todos os oceanos apresentarem temperaturas acima da média, incluindo o Atlântico tropical e extratropical.
Este cenário pode contribuir para:
- Maior instabilidade atmosférica global
- Alterações nos padrões de vento
- Eventos mais extremos em determinadas regiões
Mas, mais uma vez, sem uma tradução direta imediata em melhores condições de surf na costa portuguesa.
Mais impacto para quem viaja
Onde o El Niño poderá fazer mais diferença é no planeamento de surf trips.
Destinos no Pacífico poderão beneficiar de:
- Mais swell consistente
- Temporadas mais ativas
- Ondas com maior frequência e energia
Já algumas regiões do Índico e Indonésia podem ter alterações nos regimes de vento e chuva, especialmente se o fenómeno evoluir em conjunto com um Índice Dipolo do Oceano Índico positivo, também previsto para este ano.
Ainda com alguma incerteza
Apesar da forte convergência dos modelos, os especialistas alertam para o chamado “spring predictability barrier”, um período do ano em que as previsões climáticas ainda apresentam alguma incerteza.
Ainda assim, o cenário dominante aponta para um El Niño ativo em 2026, com potencial para influenciar o clima global nos próximos meses.
Conclusão
Para já, o impacto direto no surf em Portugal deverá ser limitado.
Mas, a médio prazo, este poderá ser um ano com alterações interessantes no comportamento dos oceanos - especialmente para quem segue o Pacífico ou planeia viagens.
E como sempre no surf, tudo se resume a uma coisa - acompanhar a evolução… e estar pronto quando as ondas aparecerem.
Itens relacionados
-
Conhece Frigates: a onda das Fiji que pode (ou não) rivalizar com Cloudbreak Um reef por vezes pesado, menos consistente e mais imprevisível… -
Championship Tour - Snapper Rocks começa dia 01 de Maio com duelo português logo na ronda 1 Francisca Veselko e Yolanda Hopkins defrontam-se no primeiro heat feminino… -
Há uma onda perfeita escondida nas profundezas da Índia Uma viagem até um dos spots mais remotos e surpreendentes…





