Felucia Sengky Ratna, responsável regional da Direção-Geral de Imigração em Bali, apresenta passaportes apreendidos a cidadãos estrangeiros durante a conferência de imprensa da operação “Dharma Dewata”, em Denpasar, Bali, no dia 5 de maio de 2026. Crédito: ANTARA/Dewa Ketut Sudiarta Wiguna/nbl. / Créditos: ANTARA/Dewa Ketut Sudiarta Wiguna/nbl. sábado, 23 maio 2026 13:12 Bali aperta o cerco aos influencers: posts patrocinados com visto de turista dão direito a detenção e deportação
Autoridades estarão a monitorizar redes sociais e publicações comerciais; pelo menos 12 turistas terão sido detidos em três semanas, segundo publicações locais...
Bali está a apertar o controlo sobre estrangeiros que produzem conteúdos comerciais na ilha enquanto permanecem no país com visto de turista. Segundo publicações locais, pelo menos 12 turistas terão sido detidos nas últimas três semanas no âmbito de operações dirigidas a possíveis violações das regras de imigração, num sinal claro de que as autoridades indonésias pretendem travar a actividade profissional disfarçada de turismo.
Em causa estão sobretudo influencers, criadores de conteúdo, fotógrafos, videógrafos e viajantes que publicam posts patrocinados, fazem colaborações com marcas, promovem hotéis, restaurantes, villas, experiências turísticas ou serviços locais sem terem o visto adequado para exercer actividade comercial na Indonésia.
A mensagem das autoridades é clara: estar em Bali com visto turístico não dá direito a trabalhar, mesmo que o trabalho seja feito em troca de estadia, refeições, experiências gratuitas ou visibilidade nas redes sociais. De acordo com a informação que tem circulado, até colaborações não pagas poderão ser consideradas actividade comercial se tiverem uma finalidade promocional.
Desde Abril de 2026, uma nova task force de imigração, identificada como Dharma Dewata Immigration Patrol Task Force, estará a monitorizar redes sociais e a realizar acções em zonas muito frequentadas por estrangeiros, como Canggu e Ubud. As próprias publicações nas redes sociais podem agora funcionar como elemento de prova, sobretudo quando mostram parcerias, sessões fotográficas, conteúdos publicitários ou promoções de negócios locais.
A medida tem gerado forte debate entre a comunidade internacional residente e visitante em Bali. Para uns, trata-se de uma tentativa legítima de proteger o mercado de trabalho local e combater abusos de estrangeiros que geram rendimento sem cumprir as obrigações legais. Para outros, a fronteira entre turismo, criação de conteúdo pessoal e actividade comercial pode tornar-se difícil de definir, sobretudo numa ilha onde a imagem, o lifestyle e as redes sociais fazem parte da própria economia turística.
As penalizações podem ir de multas à deportação, podendo ainda incluir proibições de entrada na Indonésia por vários anos ou, em casos mais graves, de forma permanente. As autoridades recordam também que o pagamento da taxa turística de entrada em Bali não concede qualquer autorização para trabalhar.
Para quem pretende produzir conteúdos comerciais, colaborar com marcas ou promover negócios locais, a recomendação passa por obter previamente o visto correcto, como uma autorização de trabalho ou um visto adequado à actividade exercida.
A decisão marca uma mudança importante no ambiente que durante anos tornou Bali um dos destinos preferidos de influencers, nómadas digitais e criadores de conteúdo.
A ilha continua aberta ao turismo, mas o aviso é cada vez mais evidente: visitar Bali é uma coisa; trabalhar ou promover marcas com visto turístico é outra.




