E se as barragens portuguesas começassem a ter ondas? quinta-feira, 11 junho 2026 07:17

E se as barragens portuguesas começassem a ter ondas?

Novo sistema provoca ondas artificiais de 60 segundos de duração em lagos, rios e reservatórios...

Tecnologia da Surfinity System cria ondas através de um “arado” puxado por cabo e tem despertado curiosidade entre surfistas

Um novo sistema de ondas artificiais em água doce está a chamar a atenção, depois de vários vídeos mostrarem surfistas a fazer longas direitas e esquerdas em lagos ou reservatórios, com recurso a uma tecnologia diferente das tradicionais piscinas de ondas.

O sistema, desenvolvido pela Surfinity System, assenta num princípio relativamente simples: um motor e uma estação de retorno são ligados por um cabo, ao longo do qual se desloca uma estrutura descrita pela empresa como um “plow”, ou arado. À medida que essa estrutura avança na água, cria ondas simétricas dos dois lados, permitindo que os surfistas apanhem ondas longas em ambiente controlado.

Segundo a informação divulgada pela própria empresa, o sistema pode proporcionar cerca de 60 segundos de surf por onda e atingir uma elevada cadência, com capacidade anunciada de até 600 ondas por hora. A tecnologia é apresentada como adequada tanto para principiantes como para surfistas mais experientes, podendo ser usada em aulas, treinos e sessões recreativas.

Uma alternativa às piscinas de ondas tradicionais?

Ao contrário das piscinas de ondas mais conhecidas, que exigem grandes obras de engenharia e investimentos elevados, a Surfinity System apresenta esta solução como mais simples, rápida e económica. A empresa afirma que o sistema pode ser instalado em cerca de duas semanas e que os custos poderão ser até 15 vezes inferiores aos de tecnologias concorrentes.

A instalação poderá ser feita em diferentes contextos, incluindo lagos, rios, baías, reservatórios naturais ou artificiais, desde que existam dimensões suficientes. Segundo a informação promocional, o sistema precisa de uma extensão a partir de cerca de 300 metros e largura mínima na ordem dos 50 metros.

Outro dos argumentos apresentados é a pegada ambiental reduzida, com baixo consumo energético e ausência de emissões nocivas durante a operação. Ainda assim, como acontece com qualquer tecnologia instalada em ambientes aquáticos, a avaliação real do impacto dependerá sempre do local, da escala do projeto, da intensidade de uso e das autorizações ambientais aplicáveis.

Longas ondas, mas organização ainda a afinar

Um dos vídeos que começou a circular nas redes sociais, acompanhado de comentários em russo, descreve a experiência como muito positiva para quem tem “meio dia livre” e não se importa de surfar em softboards e água doce.

O autor refere que é possível fazer percursos de cerca de 100 metros, embora a presença de outros surfistas possa interferir na linha da onda. A crítica não é dirigida aos utilizadores, mas sim à organização do fluxo dentro de água, algo que o próprio acredita que a equipa da Surfinity System poderá melhorar.

 

Surf cada vez mais fora do oceano

A tecnologia surge num momento em que o surf artificial continua a expandir-se em várias direções. Depois dos mega projectos de piscinas de ondas, dos sistemas estáticos em rios artificiais, surgem agora soluções que tentam levar ondas surfáveis a massas de água já existentes, como lagos ou reservatórios.

Para escolas de surf, centros de treino e zonas sem acesso ao mar, este tipo de solução pode abrir novas possibilidades. A promessa de ondas longas, repetição elevada e instalação mais acessível é particularmente apelativa para aprendizagem.

No entanto, ainda há perguntas por responder: qualidade real da onda em diferentes condições, segurança com vários surfistas na água, impacto ambiental, custos finais de operação e capacidade de escalar o sistema para uso comercial intenso.

 

Para já, a Surfinity System parece ter conseguido o mais difícil: criar curiosidade. E, num mercado onde a procura por ondas artificiais continua a crescer, qualquer tecnologia que prometa ondas de 60 segundos de duração, custos mais baixos e instalação rápida merece atenção.

 

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