Porque é que o surf fica mais difícil depois dos 40? sexta-feira, 26 junho 2026 11:24

Porque é que o surf fica mais difícil depois dos 40?

alterações físicas que afetam surfistas a partir da meia-idade obrigam a treino específico para continuar forte dentro de água

O surf depois dos 40 começa, muitas vezes, a sentir-se diferente.

O pop-up parece mais lento, a remada perde potência, a recuperação demora mais tempo e pequenas dores no ombro, nas costas, nos joelhos ou nas ancas começam a aparecer com maior frequência depois das sessões.

Não é apenas impressão. Há razões fisiológicas para isso.

No video abaixo da autoria do Dr. Jon Saul,(Surfers’ Performance), fisioterapeuta e especialista em performance desportiva, explica porque é que o corpo dos surfistas muda com a idade e o que pode ser feito para contrariar esse processo.

O que começa a mudar depois dos 40

Segundo o vídeo, muitas das alterações começam de forma silenciosa ainda na casa dos 30, mas tornam-se mais evidentes a partir dos 40.

Uma das principais mudanças está relacionada com a perda progressiva de fibras musculares de contração rápida, fundamentais para movimentos explosivos como o pop-up, as viragens rápidas, as correções de equilíbrio e a capacidade de reagir em situações críticas.

É por isso que muitos surfistas começam a sentir que já não se levantam tão depressa, que perdem ondas por pequenos atrasos ou que demoram mais tempo a recuperar depois de uma sessão exigente.

A partir dos 50, o processo pode tornar-se mais evidente com a sarcopenia, a perda natural de massa muscular associada ao envelhecimento. Se não houver treino de força e manutenção física, essa perda pode afetar diretamente a remada, a estabilidade, a resistência e a capacidade de absorver impacto.

Nos 60, o efeito acumulado torna-se ainda mais importante. Décadas de surf, lesões antigas, menor mobilidade e perda de força podem limitar a performance, mas não impedem necessariamente que se continue a surfar bem.

Treinar para continuar no line-up

A mensagem central do vídeo é simples: envelhecer não significa deixar de surfar, mas exige uma abordagem mais inteligente ao corpo.

O Dr. Jon Saul apresenta um modelo de treino em três fases: Foundation, Resilience e Performance.

A primeira fase passa por reconstruir a base física. Isso significa trabalhar mobilidade, controlo corporal, força básica e padrões de movimento fundamentais para o surf.

Antes de querer voltar a ser explosivo, o corpo precisa de recuperar qualidade de movimento.

Força, estabilidade e absorção de impacto

A segunda fase, chamada Resilience, foca-se na capacidade de absorver carga e proteger articulações.

Para surfistas mais velhos, este ponto é essencial. O surf obriga o corpo a lidar com movimentos imprevisíveis, quedas, compressões, rotações, remadas longas e aterragens em posições pouco controladas.

Joelhos, ombros, ancas, lombar e tornozelos passam a precisar de mais preparação fora de água para aguentar aquilo que acontece dentro de água.

Treinar força não é apenas uma questão estética ou de ginásio. Para surfistas acima dos 40, é uma forma de continuar a entrar no mar com confiança, reduzir risco de lesão e manter autonomia durante mais anos.

Recuperar explosividade

A terceira fase é dedicada à performance.

Depois de reconstruir a base e melhorar a resistência das articulações, o objetivo passa por devolver explosividade ao corpo: potência no pop-up, resposta rápida nas manobras, estabilidade dinâmica e capacidade de gerar força em pouco tempo.

É aqui que entram exercícios mais específicos para surf, com foco em velocidade, coordenação, força reativa e movimentos próximos daquilo que acontece numa onda.

A ideia não é treinar como um surfista de 20 anos, mas sim adaptar o treino à realidade de cada idade, mantendo o corpo capaz de responder às exigências do mar.

A prancha também pode fazer diferença

Nos comentários ao vídeo, vários surfistas mais velhos partilham experiências semelhantes: continuar a surfar exige exercício regular, cuidado com a alimentação, sono, natação, treino de força e, muitas vezes, alguma adaptação no equipamento.

Um comentário resume bem uma das soluções mais simples: aos 66 anos, depois de décadas de surf, um surfista diz que continua bem, desde que treine e use uma prancha “um pouco mais comprida e mais grossa”.

Essa é uma realidade que muitos surfistas conhecem. Nem sempre é preciso insistir na prancha mais curta e exigente. Ajustar volume, largura, flutuação e tipo de prancha pode significar mais ondas, menos frustração e mais anos dentro de água.

Nunca é tarde para começar

Uma das ideias mais importantes do vídeo é que nunca é tarde para começar a treinar com foco na longevidade no surf.

Mesmo surfistas que já sentem perda de mobilidade, pop-up mais lento ou menor força de remada podem melhorar se trabalharem de forma consistente.

O objetivo não é voltar atrás no tempo, mas sim prolongar a vida no line-up com mais qualidade.

Para muitos surfistas, isso pode significar menos lesões, mais confiança, sessões mais longas, melhor recuperação e a capacidade de continuar a fazer surf aos 50, 60 ou 70 anos.

O surf muda, mas não acaba

Surfar depois dos 40 é diferente. O corpo muda, a recuperação muda e a relação com o mar também muda.

Mas isso não significa que o surf tenha de perder intensidade, prazer ou significado.

Com treino adequado, escolhas inteligentes e maior atenção ao corpo, é possível continuar a evoluir e a desfrutar do mar durante muitos anos.

O vídeo da Surfers’ Performance deixa uma mensagem clara para todos os surfistas que já sentiram o peso da idade: não se trata de desistir, mas de preparar melhor o corpo para continuar a fazer aquilo que mais gosta.

O vídeo está disponível abaixo:

Itens relacionados

Perfil em destaque

Scroll To Top