Clubes e associações continuam a ser um dos principais motores do desenvolvimento do Surf em Portugal sábado, 18 julho 2026 23:27

Clubes e associações continuam a ser um dos principais motores do desenvolvimento do Surf em Portugal

Estudo de Micaela Durães destaca papel do associativismo no crescimento do surf português e alerta para os desafios do futuro ...

 

O associativismo continua a ser uma das bases fundamentais do desenvolvimento do surf em Portugal. Essa é uma das principais conclusões do estudo "Associativismo, Desporto e Comunidade: Uma Análise do Papel do Surf no Contexto Português", da investigadora figueirense Micaela Durães, apresentado na 13.ª edição da Revista Análise Associativa, dedicada ao tema do associativismo desportivo.

Apresentado na sede da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, em Lisboa, o trabalho analisa a evolução do surf português através da ação de clubes, associações e organismos federativos, sublinhando a importância destas estruturas na formação de atletas, na organização de competições, na promoção da cidadania, da inclusão social e na valorização ambiental, turística e económica das comunidades costeiras.

Ao longo das últimas décadas, o crescimento do surf em Portugal esteve intimamente ligado ao trabalho desenvolvido por dezenas de clubes espalhados pelo país. Muito antes da profissionalização da modalidade e da chegada dos grandes eventos internacionais, foram estas associações que criaram escolas, organizaram campeonatos, defenderam praias, promoveram ações ambientais e deram oportunidade a milhares de jovens de iniciarem a prática da modalidade.

Ao mesmo tempo, o movimento associativo esteve frequentemente na linha da frente da defesa do litoral, contribuindo para projetos de conservação costeira e para a afirmação de vários destinos nacionais enquanto referências do surf europeu e mundial.

Uma realidade em transformação

Apesar da evolução registada, o estudo alerta também para os desafios que hoje enfrentam muitas destas organizações.

A sustentabilidade financeira, a crescente exigência administrativa, a profissionalização da gestão e a necessidade de maior valorização institucional surgem como alguns dos principais obstáculos ao desenvolvimento do movimento associativo ligado ao surf.

Nos últimos anos, muitos clubes passaram de pequenas estruturas assentes quase exclusivamente no voluntariado para organizações com escolas certificadas, treinadores profissionais, projetos sociais, atletas de alto rendimento e responsabilidades cada vez maiores perante entidades públicas e privadas.

Essa evolução trouxe novas oportunidades, mas também maiores exigências ao nível da gestão, dos recursos humanos e da capacidade financeira.

A Figueira da Foz como exemplo

O estudo dedica igualmente especial atenção à realidade da Figueira da Foz, destacando o percurso do movimento cívico SOS Cabedelo, a criação da Associação de Desenvolvimento Mais Surf (ADMS) e o impacto do evento Gliding Barnacles, apresentados como exemplos de como o associativismo pode gerar valor social, cultural, ambiental e económico para um território.

Segundo a autora, estes casos demonstram que o surf ultrapassa largamente a dimensão competitiva, assumindo um papel relevante na identidade local, no turismo e na dinamização das comunidades.

Muito além da competição

Natural da Figueira da Foz, Micaela Durães é doutoranda em Turismo na Universidade de Aveiro, investigadora da Unidade de Investigação GOVCOPP, fundadora e presidente da Associação de Marketing e Promoção Turística (AMPT) e membro da Direção da Associação das Coletividades do Concelho da Figueira da Foz.

A apresentação da nova edição da Revista Análise Associativa serviu também para reforçar a importância das coletividades e associações desportivas como agentes fundamentais de desenvolvimento social, cultural e económico.

No caso do surf português, a história da modalidade mostra que muitos dos seus maiores sucessos nasceram precisamente do trabalho desenvolvido pelos clubes e associações locais. Mesmo numa realidade cada vez mais profissionalizada e internacional, continua a ser no movimento associativo que assenta grande parte da formação de novos atletas, da organização competitiva e da ligação entre o surf e as comunidades costeiras.

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