Yolanda Hopkins arrasa Luana Silva e está nos quartos de final em Teahupo’o
Yolanda Hopkins continua a impressionar no Outerknown Tahiti Pro.
Depois de eliminar Stephanie Gilmore na ronda inaugural, a portuguesa voltou a assumir uma postura destemida em Teahupo’o e dominou por completo o duelo com Luana Silva, vencendo por 10,17 contra apenas 3,97 pontos da brasileira. A passagem aos quartos de final garante já a melhor prestação de Yolanda no Championship Tour em 2026.
Há surfistas que se adaptam a Teahupo’o e há surfistas que parecem sentir-se em casa quando a onda começa a mostrar os dentes. Yolanda Hopkins está claramente no segundo grupo.
A portuguesa entrou esta quarta-feira na quarta jornada de competição do Outerknown Tahiti Pro Presented by I-SEA, sétima etapa do Championship Tour (CT) de 2026, e voltou a demonstrar que a atitude apresentada na primeira ronda não tinha sido circunstancial.
Perante Luana Silva, Yolanda assumiu o controlo da bateria praticamente desde o início e nunca mais o perdeu.
Em ondas de 4 a 6 pés e com vento offshore, a portuguesa terminou com 10,17 pontos, construídos com uma onda de 6,17 e outra de 4,00, enquanto Luana Silva ficou muito longe, com apenas 3,97 pontos (3,00 + 0,97).
Yolanda voltou a procurar aquilo que muitas evitam
Mais importante do que os números foi novamente a forma como Yolanda abordou Teahupo’o.
Tal como tinha acontecido na vitória sobre a oito vezes campeã mundial Stephanie Gilmore, a portuguesa procurou sistematicamente os tubos e mostrou-se disponível para atacar secções extremamente difíceis, mesmo quando as probabilidades de sair eram reduzidas.
Numa das ondas, Yolanda encaixou-se num tubo profundo e esteve muito perto de completar aquela que poderia ter sido uma das grandes ondas da bateria. A portuguesa conseguiu percorrer praticamente toda a secção, mas caiu já quando procurava completar a saída.
Foi mais uma demonstração da confiança com que está a surfar uma das ondas mais exigentes e perigosas do planeta.
E desta vez também apareceu a nota que lhe permitiu colocar definitivamente a bateria do seu lado: 6,17 pontos, a melhor onda do heat.
Luana Silva nunca encontrou resposta. A brasileira surfou apenas duas ondas pontuáveis e, enquanto Yolanda continuava a procurar oportunidades — terminou com sete ondas surfadas —, viu a diferença aumentar.
10,17 contra 3,97. Uma vitória sem discussão.
De Stephanie Gilmore a Luana Silva: duas baterias, a mesma atitude
O percurso da portuguesa em Teahupo’o começa a ganhar uma dimensão especial.
Na ronda anterior, Yolanda derrotou Stephanie Gilmore, uma das maiores surfistas de todos os tempos, numa bateria em que as condições estavam longe de ser perfeitas. O que fez a diferença foi precisamente a disponibilidade da portuguesa para se atirar aos tubos.
Depois dessa vitória, Yolanda explicou que procura estar “confortável com o desconfortável” e admitiu que também sente medo, mas que o trabalho passa precisamente por ultrapassar essa barreira e continuar a construir confiança.
Contra Luana Silva voltou a colocar essa filosofia em prática.
Teahupo’o é uma onda onde compromisso, leitura e ausência de hesitação podem valer tanto como a técnica. E Yolanda está a mostrar possuir essas características ao mais alto nível.
Melhor resultado da temporada já está garantido
A vitória coloca Yolanda Hopkins nos quartos de final do Outerknown Tahiti Pro, garantindo-lhe desde já o seu melhor resultado da temporada de estreia no Championship Tour.
E fazê-lo em Teahupo’o não é um detalhe.A portuguesa está entre as oito melhores surfistas da prova numa etapa que exige um tipo de compromisso muito específico e onde algumas das melhores surfistas do planeta têm sentido enormes dificuldades.Yolanda, pelo contrário, parece crescer à medida que aumenta o grau de dificuldade.
Nos quartos de final, a portuguesa ficará no Heat 4 e poderá ter pela frente a ex-campeã mundial Caitlin Simmers, caso a norte-americana confirme o favoritismo no seu confronto da segunda ronda.
Se Teahupo’o oferecer tubos mais sólidos e abertos nas próximas fases, uma coisa parece cada vez mais evidente: Yolanda Hopkins terá argumentos para ir ainda mais longe.





