Yolanda Hopkins/ Yolanda Hopkins/ WSL - Matt Dunbar quarta-feira, 12 agosto 2026 21:51

Yolanda Hopkins arrasa Luana Silva e está nos quartos de final em Teahupo’o

Yolanda Hopkins continua a impressionar no Outerknown Tahiti Pro.

Depois de eliminar Stephanie Gilmore na ronda inaugural, a portuguesa voltou a assumir uma postura destemida em Teahupo’o e dominou por completo o duelo com Luana Silva, vencendo por 10,17 contra apenas 3,97 pontos da brasileira. A passagem aos quartos de final garante já a melhor prestação de Yolanda no Championship Tour em 2026.

Há surfistas que se adaptam a Teahupo’o e há surfistas que parecem sentir-se em casa quando a onda começa a mostrar os dentes. Yolanda Hopkins está claramente no segundo grupo.

A portuguesa entrou esta quarta-feira na quarta jornada de competição do Outerknown Tahiti Pro Presented by I-SEA, sétima etapa do Championship Tour (CT) de 2026, e voltou a demonstrar que a atitude apresentada na primeira ronda não tinha sido circunstancial.

Perante Luana Silva, Yolanda assumiu o controlo da bateria praticamente desde o início e nunca mais o perdeu.

Em ondas de 4 a 6 pés e com vento offshore, a portuguesa terminou com 10,17 pontos, construídos com uma onda de 6,17 e outra de 4,00, enquanto Luana Silva ficou muito longe, com apenas 3,97 pontos (3,00 + 0,97).

Yolanda voltou a procurar aquilo que muitas evitam

Mais importante do que os números foi novamente a forma como Yolanda abordou Teahupo’o.

Tal como tinha acontecido na vitória sobre a oito vezes campeã mundial Stephanie Gilmore, a portuguesa procurou sistematicamente os tubos e mostrou-se disponível para atacar secções extremamente difíceis, mesmo quando as probabilidades de sair eram reduzidas.

Numa das ondas, Yolanda encaixou-se num tubo profundo e esteve muito perto de completar aquela que poderia ter sido uma das grandes ondas da bateria. A portuguesa conseguiu percorrer praticamente toda a secção, mas caiu já quando procurava completar a saída.

Foi mais uma demonstração da confiança com que está a surfar uma das ondas mais exigentes e perigosas do planeta.

E desta vez também apareceu a nota que lhe permitiu colocar definitivamente a bateria do seu lado: 6,17 pontos, a melhor onda do heat.

Luana Silva nunca encontrou resposta. A brasileira surfou apenas duas ondas pontuáveis e, enquanto Yolanda continuava a procurar oportunidades — terminou com sete ondas surfadas —, viu a diferença aumentar.

10,17 contra 3,97. Uma vitória sem discussão.

De Stephanie Gilmore a Luana Silva: duas baterias, a mesma atitude

O percurso da portuguesa em Teahupo’o começa a ganhar uma dimensão especial.

Na ronda anterior, Yolanda derrotou Stephanie Gilmore, uma das maiores surfistas de todos os tempos, numa bateria em que as condições estavam longe de ser perfeitas. O que fez a diferença foi precisamente a disponibilidade da portuguesa para se atirar aos tubos.

Depois dessa vitória, Yolanda explicou que procura estar “confortável com o desconfortável” e admitiu que também sente medo, mas que o trabalho passa precisamente por ultrapassar essa barreira e continuar a construir confiança.

Contra Luana Silva voltou a colocar essa filosofia em prática.

Teahupo’o é uma onda onde compromisso, leitura e ausência de hesitação podem valer tanto como a técnica. E Yolanda está a mostrar possuir essas características ao mais alto nível.

“Não queremos apenas chegar à final. Vamos ganhar”

No final da bateria, uma Yolanda Hopkins visivelmente feliz confirmou que a passagem aos quartos de final representa o seu melhor resultado da temporada, mas deixou claro que não pretende ficar por aqui.

A portuguesa explicou que procurou repetir a estratégia da ronda anterior, mas desta vez tentou também gerir a bateria de forma mais inteligente. Depois de conseguir os 6,17 pontos, preocupou-se em construir rapidamente uma segunda nota antes de voltar a procurar os tubos mais profundos.

“Assim que consegui o seis, tentei logo arranjar uma nota de backup. Depois pude ficar um pouco mais relaxada e tentar posicionar-me para outro tubo.”

Yolanda lamentou apenas não ter encontrado uma daquelas ondas que permitem ficar completamente encaixada no tubo, embora tenha estado muito perto de completar uma delas.

“Queria muito uma daquelas. Não consegui apanhar uma assim na minha bateria, mas consegui aguentar. Quase completei uma bastante pesada também e fiquei super entusiasmada.”

Mas talvez o momento que melhor traduza o estado de espírito da portuguesa tenha surgido quando lhe perguntaram por que razão chegou a ser vista a rir depois de passar por baixo de algumas ondas pesadas.

A resposta diz muito sobre a forma como Yolanda está a viver Teahupo’o:

“Porque não? Ou levas com elas em cima ou vais. Temos uma sorte enorme por estarmos aqui, neste momento. É rir e aproveitar.”

É precisamente essa combinação de prazer, compromisso e ausência de hesitação que tem marcado a prestação da portuguesa no Taiti.

E quando Chris Cote lhe perguntou o que seria necessário para transformar os quartos de final numa presença na final, Yolanda interrompeu praticamente a pergunta.

“Nem sequer apenas a final. Vamos ganhar. Vamos ganhar.”

A portuguesa acredita que apenas precisa que Teahupo’o ofereça um pouco mais de consistência nos tubos.

“Está tudo alinhado, está tudo perfeito. Só precisamos de um pouco mais de consistência nas ondas de tubo e acho que vai ser incrível.”

Depois de eliminar Stephanie Gilmore e dominar Luana Silva, Yolanda Hopkins chega assim aos quartos de final com o melhor resultado do seu ano já garantido — mas, pelas suas próprias palavras, a ambição agora é outra: ganhar em Teahupo’o.

 
 

Melhor resultado da temporada já está garantido

A vitória coloca Yolanda Hopkins nos quartos de final do Outerknown Tahiti Pro, garantindo-lhe desde já o seu melhor resultado da temporada de estreia no Championship Tour.

E fazê-lo em Teahupo’o não é um detalhe.A portuguesa está entre as oito melhores surfistas da prova numa etapa que exige um tipo de compromisso muito específico e onde algumas das melhores surfistas do planeta têm sentido enormes dificuldades.Yolanda, pelo contrário, parece crescer à medida que aumenta o grau de dificuldade.

Nos quartos de final, a portuguesa ficará no Heat 4 e poderá ter pela frente a ex-campeã mundial Caitlin Simmers, caso a norte-americana confirme o favoritismo no seu confronto da segunda ronda.

 

Se Teahupo’o oferecer tubos mais sólidos e abertos nas próximas fases, uma coisa parece cada vez mais evidente: Yolanda Hopkins terá argumentos para ir ainda mais longe.

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