Dezenas de pessoas banham-se numa praia banhada pelo atlântico com temperaturas anormalmente elevadas sexta-feira, 11 setembro 2026 07:25 Do continente ao oceano: 2026 está a bater recordes de temperatura
Dos Estados Unidos à Europa, passando pelos oceanos, os últimos meses têm acumulado recordes de temperatura e novos sinais de um ano particularmente quente à escala global.
O calor que tem marcado 2026 em Portugal está longe de ser uma realidade exclusivamente nacional. Dos Estados Unidos à Europa, passando pelos oceanos, os últimos meses têm acumulado recordes de temperatura e novos sinais de um ano particularmente quente à escala global.
Em Portugal continental, até ao início de julho já tinham sido registadas seis ondas de calor, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). E talvez o dado mais significativo seja que estes episódios já não estão confinados aos tradicionais meses de verão.
As seis ondas de calor identificadas ocorreram em fevereiro, março — com dois episódios —, abril, maio e junho.
Nos primeiros seis meses de 2026, Portugal continental acumulou 59 dias em situação de onda de calor. O IPMA identifica ainda uma tendência crescente deste tipo de episódios desde o início do século, com ondas de calor cada vez mais frequentes durante a primavera e, em alguns anos, também no inverno e no outono.
O recorde português continua, contudo, associado ao extraordinário verão de 2003. Na estação meteorológica da Amareleja foram então registados 47,3°C, a temperatura máxima mais elevada alguma vez observada em Portugal continental.
Do outro lado do Atlântico, o cenário não é muito diferente
Nos Estados Unidos, o verão meteorológico de 2026 — junho, julho e agosto — foi, segundo os dados divulgados pela NOAA, o mais quente desde o início dos registos.A temperatura média nos Estados Unidos continentais atingiu 74,4°F, aproximadamente 23,6°C, três graus Fahrenheit acima da média do século XX e 0,4°F acima do anterior máximo, estabelecido em 1936 e igualado em 2021.
Agosto foi ainda mais extremo. A temperatura média atingiu 75,6°F (cerca de 24,2°C), fazendo deste o agosto mais quente da série histórica norte-americana.
A Califórnia, território incontornável na história e cultura do surf, registou também o seu agosto mais quente, num verão marcado simultaneamente por temperaturas elevadas e falta de precipitação.O estado recebeu apenas 0,20 polegadas de precipitação durante o verão, cerca de 26% do normal, enquanto no início de setembro a seca abrangia 59,1% dos Estados Unidos continentais.
Agosto leva o calor a uma escala global
Os números divulgados pelo serviço europeu Copernicus ampliam ainda mais o cenário.Agosto de 2026 foi o mês mais quente alguma vez registado globalmente, com uma temperatura média do ar à superfície de 16,96°C.
O valor ficou 0,85°C acima da média de 1991-2020 e colocou a temperatura global 1,65°C acima da referência pré-industrial.
Na Europa, agosto apresentou uma temperatura média de 20,26°C, 1,10°C acima da média de 1991-2020. O verão europeu de 2026 foi o terceiro mais quente registado, enquanto a Europa Ocidental viveu o verão mais quente da sua história, ultrapassando o anterior máximo de 2003.
As ondas de calor foram acompanhadas por situações de seca em várias regiões europeias e por níveis excecionalmente baixos em alguns dos principais rios do continente.
E o oceano também está a aquecer
Para os surfistas, há ainda outro dado particularmente relevante.
Segundo os dados do Copernicus, a temperatura média da superfície do mar nas regiões oceânicas fora das zonas polares atingiu também valores recorde em agosto. A média global diária chegou aos 21,11°C, enquanto no Pacífico tropical foram igualmente observados valores excecionais num contexto de intensificação do El Niño.
Ou seja, aquilo que se sente em terra tem também uma expressão no oceano.
Portugal atravessa um ano extraordinariamente quente, mas os números mostram que o fenómeno está longe de terminar nas nossas fronteiras. Europa, Estados Unidos e oceanos estão a registar simultaneamente temperaturas excecionais.
2026 está, até agora, a deixar uma marca profunda nos registos climáticos — em terra e no mar.




