Chumbo recebe convite de Dylan Longbottom e estreia-se na Austrália elevando o seu surf de ondas grandes ao limite
Lucas “Chumbo” Chianca viajou pela primeira vez para a Austrália a convite de Dylan Longbottom.
O resultado foi uma sucessão de sessões pesadas na costa leste australiana, entre ondas grandes, tubos e a abordagem progressiva que tornou o brasileiro numa referência mundial.
Depois de uma temporada intensa na Nazaré, Lucas “Chumbo” Chianca trocou Portugal e o Brasil pela Austrália para uma viagem que há vários anos tentava concretizar com o seu shaper, o australiano Dylan Longbottom.
Longbottom esperou pelo momento certo. Quando os mapas começaram a indicar a chegada consecutiva de ondulações de leste e sul à costa australiana, o convite foi imediato. Chumbo estava no Brasil, depois de terminar mais uma temporada no hemisfério norte, e embarcou para a sua primeira viagem à Austrália.

A ligação entre os dois começou precisamente na Nazaré, há cerca de sete anos. Longbottom ficou impressionado ao observar o brasileiro a remar para ondas que estimou entre 30 e 50 pés, utilizando uma prancha 10’6” e, mais do que simplesmente sobreviver às descidas, procurando fazer curvas e encontrar tubos.
Desde então, a relação entre shaper e surfista consolidou-se e Chumbo tornou-se um dos nomes que mais têm contribuído para alterar a abordagem ao surf de ondas grandes.
A agressividade da Nazaré levada para a Austrália
A particularidade de Chumbo está precisamente na forma como encara ondas de dimensões extremas. O brasileiro procura aplicar numa onda gigante uma abordagem que, durante muito tempo, esteve essencialmente reservada a ondas mais pequenas: atacar a parede, procurar secções críticas, tubos e até oportunidades para sair da água.
Essa combinação de potência, técnica e irreverência valeu-lhe vários reconhecimentos internacionais, incluindo o título de Big Wave Surfer of the Year da WSL em 2025.
Na Austrália, Chumbo encontrou terreno para mostrar esse repertório num cenário completamente diferente da Nazaré.
A viagem pela costa leste juntou-o a Dylan Longbottom e a outros surfistas locais, aproveitando uma sequência de ondulações para perseguir diferentes tipos de ondas e colocar à prova as pranchas desenvolvidas pelos dois.
Uma parceria construída em ondas grandes
Para Longbottom, esta primeira viagem de Chumbo à Austrália foi também uma oportunidade para continuar um processo de desenvolvimento que começou nas ondas gigantes da Nazaré.
O australiano não esconde o impacto que teve ao observar Chumbo pela primeira vez em Portugal. A capacidade do brasileiro para tentar surfar efetivamente uma onda gigante, em vez de se limitar a completar a descida, foi precisamente aquilo que despertou o interesse do shaper.
Sete anos depois, os dois inverteram os papéis geográficos: desta vez foi Chumbo quem entrou no território de Longbottom.
O resultado dessa passagem pela Austrália é agora mostrado pela revista australiana Tracks, na edição 607, numa reportagem intitulada “Chumbo, Dylan & Fink – Full Power Down Under”, acompanhada pelas imagens do fotógrafo Luca Salisbury.
Para um surfista habituado às montanhas de água da Nazaré, a Austrália ofereceu outro tipo de desafio. E Chumbo levou para Down Under exatamente aquilo que o tornou diferente nas ondas grandes: a vontade de não apenas sobreviver à onda, mas de a atacar.





