Nuno Stru Nuno Stru /Frame Video quinta-feira, 01 outubro 2026 10:01

O Cabedelo do Porto voltou a quebrar 20 anos depois

Desaparecida durante mais de duas décadas após as alterações provocadas pela construção dos grandes molhes, a histórica onda do Cabedelo do Porto voltou a mostrar sinais de vida no último inverno.

 

Hugo Abreu e Nuno “Stru” Figueiredo protagonizam uma das sessões, agora recuperada num excelente vídeo do Ao Fresco.

Durante mais de 20 anos, falar do Cabedelo do Porto era sobretudo falar de uma onda que permanecia na memória de quem surfou no Norte de Portugal no final dos anos 90 e início dos anos 2000.Nessa altura, o Cabedelo podia produzir longas direitas perfeitas, com mais de 300 metros de percurso, surfadas a remada e capazes de proporcionar sessões memoráveis.

No início dos anos 2000, a construção de dois grandes molhes alterou profundamente a dinâmica dos fundos e a onda, tal como era conhecida, praticamente desapareceu.Mas o último inverno trouxe uma surpresa.Depois de uma sucessão de fortes tempestades, grandes ondulações e cheias, a enorme movimentação de areia voltou a formar um banco capaz de fazer o Cabedelo quebrar.

Uma das últimas sessões do inverno

O vídeo “Surfing Returns to Cabedelo do Douro”, publicado pelo projeto Ao Fresco, recupera aquela que terá sido uma das últimas sessões deste inesperado regresso.Na água estiveram Hugo Abreu e Nuno “Stru” Figueiredo, num dia marcado por um mar poderoso e, sobretudo, por uma corrente extremamente forte.

As condições eram de tal forma exigentes que, segundo o relato que acompanha o vídeo, era praticamente impossível surfar naquele dia sem o apoio de uma mota de água.O Cabedelo que aparece nas imagens não é, portanto, exatamente a mesma onda que muitos surfistas recordam.

 

Antigamente, 300 metros de direita e surf à remada

Essa distinção é importante.

Quando o Cabedelo do Porto funcionava em pleno, eram as suas longas direitas que lhe davam fama. Em condições favoráveis, havia ondas com mais de 300 metros, perfeitas e surfadas a remada. Nesta sessão, a situação era bastante diferente.Foi necessária uma ondulação de grandes dimensões para produzir ondas surfáveis e a força da corrente tornou indispensável a utilização de uma mota de água.

Além disso, depois de vários dias em que o Cabedelo proporcionou boas ondas durante o inverno, o banco de areia já estaria além do seu melhor momento quando estas imagens foram captadas. Ainda assim, continuava surfável.

Mota de água avariou e sessão terminou com resgate

A aventura acabaria por assumir contornos bem mais sérios. A mota de água de Hugo e Stru avariou e, perante a enorme corrente, os dois acabaram por ser arrastados para longe do local da sessão. Segundo o relato do Ao Fresco, acabaram por ser resgatados várias milhas ao largo e a sul da costa.Um episódio que demonstra também a violência das condições que acompanharam este raro regresso da onda.

Um pedaço da história do surf do Porto volta à vida

Não se sabe se o banco voltará a proporcionar condições semelhantes, nem durante quanto tempo as alterações provocadas pelas tempestades conseguirão manter uma configuração favorável.Mas durante alguns dias do último inverno aconteceu algo que durante duas décadas parecia improvável: o Cabedelo do Porto voltou a ser surfado.

O vídeo do Ao Fresco, muito bem filmado e editado, acaba por assumir também um valor documental. Não mostra exatamente o Cabedelo perfeito de outros tempos, mas regista o regresso temporário de uma onda que marcou uma geração de surfistas do Norte.

Vinte anos depois, e mesmo que diferente da onda que ficou na memória, o Cabedelo do Porto voltou a dar sinais de vida.

Itens relacionados

Perfil em destaque

Scroll To Top