Slater regressa a Teahupo’o aos 54 anos — mas há um filme que mostra muito mais do que isso
uma perspetiva raramente vista do 11 vezes campeão mundial
Todd Glaser acompanhou Kelly Slater durante o Tahiti Pro e registou uma perspetiva raramente vista do 11 vezes campeão mundial: entre tubos em Teahupo’o, heats contra alguns dos melhores do mundo e os dias passados no Taiti com a família.
Aos 54 anos, Kelly Slater voltou a vestir a lycra em Teahupo’o como wildcard do Outerknown Tahiti Pro 2026 e mostrou, mais uma vez, que a relação com uma das ondas mais poderosas do planeta continua muito longe de ter terminado.
O 11 vezes campeão mundial protagonizou uma campanha surpreendente, eliminando alguns dos melhores surfistas do mundo e voltando a competir numa onda onde já venceu por cinco vezes.
Mas aquilo que aconteceu dentro de água é apenas uma parte da história.
O realizador e fotógrafo Todd Glaser, amigo de longa data de Slater, acompanhou-o durante a passagem pelo Taiti e transformou esses dias em “Kelly + Tahiti”, uma curta-metragem agora publicada que procura mostrar aquilo que normalmente fica fora das transmissões das competições.
Kelly Slater para além da lycra
Entre heats e lay days, Glaser acompanhou Slater com a família, incluindo o filho Tao, de dois anos, a companheira Kalani e a filha mais nova, Azumi.
É precisamente através dessa dimensão mais íntima que o filme se distingue.
Em vez de se concentrar exclusivamente na performance de um dos maiores surfistas de sempre em Teahupo’o, “Kelly + Tahiti” cruza competição, família e a relação de Slater com um dos seus lugares favoritos no mundo.
Todd Glaser explica que sentiu durante a viagem o entusiasmo de Kelly não apenas por voltar a competir numa das suas ondas preferidas, mas por poder viver aquela experiência acompanhado pela família.
O realizador procurou, por isso, mostrar o surf ao mais alto nível através dos olhos de Tao, oferecendo uma perspetiva pouco habitual sobre alguém cuja carreira tem sido filmada e documentada há mais de três décadas.
Uma relação especial com Teahupo’o
Teahupo’o ocupa um lugar particular na extraordinária carreira de Slater.
O norte-americano já venceu a prova taitiana cinco vezes e construiu ao longo das décadas uma relação com a onda que vai muito além dos resultados competitivos.
Segundo Glaser, Slater parece atingir alguns dos seus melhores momentos competitivos quando existe a possibilidade de encontrar uma onda verdadeiramente especial — e Teahupo’o continua a oferecer precisamente essa motivação.
A participação como wildcard em 2026 voltou a demonstrá-lo.
Aos 54 anos e perante surfistas de uma geração muito mais nova, Slater conseguiu construir uma campanha que voltou a colocar as atenções do mundo do surf sobre aquilo que ainda consegue fazer numa das ondas mais exigentes do Championship Tour.
Uma perspetiva que raramente vemos
Há milhares de horas de imagens de Kelly Slater a competir, vencer campeonatos, entrar em tubos impossíveis e levantar troféus.
Muito menos frequente é observar aquilo que acontece entre esses momentos.
É aí que Todd Glaser coloca a câmara.
O filme acompanha os períodos fora da competição, a descoberta do Taiti em família e a experiência de um Kelly que hoje é simultaneamente competidor, pai e uma figura que atravessou várias gerações do surf profissional.
As imagens subaquáticas acrescentam outra dimensão ao filme, mostrando Teahupo’o de uma perspetiva particularmente impressionante, enquanto a realização e edição assumem um registo mais cinematográfico do que competitivo.
Filmado e realizado por Todd Glaser, com edição de Alek Parker e banda sonora subaquática original de Cody Sherman, “Kelly + Tahiti” conta ainda com imagens de competição da WSL.
Mais do que recordar aquilo que Kelly Slater conseguiu fazer aos 54 anos em Teahupo’o, o filme acaba por mostrar algo bastante mais raro:
como é viver esses momentos quando, depois de mais de três décadas no topo do surf mundial, a competição já é apenas uma parte da história.





