Kika Veselko pouco convencida com as condições antes de entrar para a sua bateria? WSL / Damien Poullenot sábado, 17 outubro 2026 20:25 Supertubos mostrou duas faces em dois dias: decisão de avançar com a prova deixa espaço para reflexão
Kika Veselko eliminada .... O Oceano é, por natureza, imprevisível.
Depois de uma sexta-feira de excelentes ondas em Peniche, o segundo dia do MEO Rip Curl Pro Portugal ficou marcado por condições bastante mais difíceis. A World Surf League avançou com duas baterias dos quartos de final femininos, que ditaram as eliminações de Carissa Moore e Francisca Veselko, antes de interromper a competição. Uma jornada que convida a refletir sobre o equilíbrio entre a gestão do calendário e a procura das melhores condições para o surf de elite.
O oceano é, por natureza, imprevisível. E essa imprevisibilidade faz parte da essência do surf competitivo, obrigando atletas e organizações a uma adaptação constante. Foi precisamente esse contraste que marcou os dois primeiros dias do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, em Supertubos.
Depois de uma jornada inaugural em que a praia de Peniche mostrou grande parte do seu potencial, com ondas consistentes e tubos de qualidade, este sábado, 17 de outubro, apresentou um cenário bem diferente.
A ondulação perdeu força, as ondas tornaram-se menos frequentes e as oportunidades de pontuação foram mais limitadas.Ainda assim, a organização decidiu avançar com os quartos de final femininos, realizando duas baterias antes de suspender a competição pelo restante dia.

Carissa Moore apreensiva antes de entrar para o seu heat? - WSL / Poullenot
Carissa Moore e Caitlin Simmers num confronto condicionado pelo mar
Um dos momentos mais aguardados da manhã foi o encontro entre duas campeãs mundiais: Carissa Moore e Caitlin Simmers. Num mar exigente, sobretudo pela falta de consistência, Simmers revelou maior capacidade para encontrar as melhores oportunidades, explorando as esquerdas e as secções finais com manobras de backside.

A norte-americana venceu por 11,50 pontos contra 8,93 de Moore, garantindo a passagem às meias-finais.
A pentacampeã mundial havaiana despediu-se de Peniche sem conseguir encontrar as ondas necessárias para demonstrar todo o seu potencial, embora siga para a próxima etapa, nas Filipinas, com a licra amarela de líder do ranking.
Francisca Veselko a apenas 0,09 pontos das meias-finais
A primeira bateria da manhã colocou frente a frente a portuguesa Francisca Veselko e a havaiana Bettylou Sakura Johnson. Kika entrou bem na bateria, conquistou pontuações importantes e manteve-se na liderança durante grande parte do confronto.

Contudo, a cerca de cinco minutos do final, Bettylou encontrou uma direita com uma secção mais expressiva, conseguindo a pontuação necessária para assumir a liderança.
O resultado final, 7,43 contra 7,34 pontos, espelha o equilíbrio de uma bateria decidida por apenas nove centésimas.
A portuguesa não voltou a encontrar uma oportunidade para recuperar a vantagem e terminou a sua participação na etapa.

O desafio de escolher o momento certo para competir
A decisão de avançar com a competição num dia de ondas pequenas e pouco consistentes merece uma reflexão serena. A gestão de uma etapa do Championship Tour envolve vários fatores: previsões meteorológicas, marés, direção da ondulação, condições de vento, transmissões televisivas e a necessidade de cumprir um calendário competitivo.

São decisões complexas, tomadas num ambiente em que as condições podem mudar rapidamente.
Ainda assim, quando uma prova decorre num local tão específico como Supertubos, existe naturalmente a expectativa de que os melhores surfistas do mundo possam competir em ondas que expressem, pelo menos em parte, as características que tornaram aquela praia uma referência internacional.
É também essa expectativa que leva milhares de espectadores à praia e muitos outros a acompanhar a competição à distância. No caso desta segunda jornada, a questão prende-se sobretudo com o momento escolhido para avançar.

A prova encontra-se apenas no segundo dia de uma janela competitiva de dez dias, que termina a 25 de outubro. Havendo, portanto, uma margem temporal considerável para avaliar a evolução das condições.
Naturalmente, esperar também envolve riscos: as previsões podem falhar, uma ondulação promissora pode não chegar com a intensidade esperada e as condições de vento podem alterar-se.
É precisamente por isso que a escolha do momento ideal continua a ser um dos maiores desafios da organização de competições de surf.
Valorizar o espetáculo sem perder a essência da modalidade
O Championship Tour reúne a elite mundial e procura proporcionar condições que permitam aos atletas expressar todo o seu talento. Mas o surf distingue-se de outras modalidades porque o seu terreno de jogo nunca é igual.
Em determinados momentos, a capacidade de adaptação a ondas difíceis é tão importante como a execução de manobras de elevado grau de dificuldade. Contudo, existe uma diferença entre competir em condições exigentes e competir num mar com poucas oportunidades.

Encontrar esse equilíbrio é essencial para valorizar o desempenho dos atletas e proporcionar o espetáculo que se espera de uma prova desta dimensão.
A interrupção da competição após duas baterias acabou por confirmar que as condições não estavam a evoluir favoravelmente, tornando legítima a reflexão sobre a possibilidade de ter aguardado um pouco mais antes de iniciar a jornada.
Não se trata de colocar em causa o mérito das vencedoras, que souberam interpretar melhor o mar e aproveitar as oportunidades disponíveis, mas de refletir sobre a forma de criar as melhores condições possíveis para todos os competidores.
Portugueses continuam na luta pelos títulos
Apesar da eliminação de Francisca Veselko, Portugal mantém dois representantes nos quartos de final. Teresa Bonvalot terá pela frente a norte-americana Lakey Peterson, enquanto Guilherme Ribeiro enfrentará o brasileiro Ítalo Ferreira.

Na competição feminina, Molly Picklum e Erin Brooks disputarão o último lugar disponível nas meias-finais.
Entre os homens, estão também previstos os confrontos Morgan Cibilic frente a Gabriel Medina, Yago Dora contra Ethan Ewing e Seth Moniz diante de Griffin Colapinto.

Nova chamada para domingo às 9h00
A World Surf League marcou a próxima chamada para domingo, 18 de outubro, às 9h00, com possibilidade de início às 9h35.
A evolução da ondulação e do vento será determinante para a decisão.
O primeiro dia do MEO Rip Curl Pro Portugal demonstrou o extraordinário potencial de Supertubos. O segundo recordou que, mesmo com toda a tecnologia de previsão disponível, o oceano continua a ter a última palavra.
Talvez a principal reflexão desta jornada seja precisamente essa: numa modalidade tão dependente da natureza, saber esperar pode ser tão importante como saber aproveitar o momento certo para avançar.
- Créditos fotos: WSL / Manuel Geada ; WSL / Damien Poullenot




