Portugal fora do Mundial de Longboard: decisão da Federação gera onda de contestação
A decisão de não enviar a Seleção Nacional ao Campeonato do Mundo ISA de Longboard de 2026, em El Salvador, está a gerar contestação na comunidade portuguesa da modalidade.
A Associação Portuguesa de Longboard (APL) manifesta preocupação e desagrado, questionando a ausência de alternativas que permitissem aos atletas representar Portugal numa das principais competições internacionais.
O longboard português enfrenta um momento de incerteza depois de ter sido conhecida a decisão de Portugal não participar no Campeonato do Mundo ISA de Longboard de 2026, em El Salvador.
A situação motivou uma reação pública da Associação Portuguesa de Longboard, que considera difícil compreender que os atletas nacionais fiquem privados da oportunidade de disputar um título mundial, depois dos resultados alcançados por Portugal nas últimas edições da competição.
APL questiona decisão e defende oportunidades para os atletas
Num comunicado divulgado publicamente, a Associação Portuguesa de Longboard manifesta profunda preocupação e desagrado perante a ausência da Seleção Nacional, alegadamente relacionada com limitações financeiras.
«O Longboard português merece respeito. Os nossos atletas merecem oportunidades», afirma a associação.
A APL considera que Portugal possui atletas de elevado nível competitivo e que a representação internacional constitui uma componente fundamental do desenvolvimento da modalidade.
A associação questiona ainda a forma como a decisão foi tomada e defende que deveriam ter sido consideradas alternativas antes de se afastar a possibilidade de participação no Mundial.
Porque não mobilizar a comunidade para encontrar financiamento?
Uma das principais questões levantadas pela APL prende-se com a possibilidade de procurar soluções de financiamento envolvendo atletas, clubes, parceiros e a própria comunidade do longboard.
«Se a questão foi financeira, porque não foi dada a oportunidade aos atletas, clubes, parceiros e à comunidade do Longboard de se mobilizarem para tentar angariar os fundos necessários?», questiona a associação.
A organização defende que uma decisão com este impacto deveria ser acompanhada de critérios claros, diálogo com os intervenientes e comunicação atempada.
A participação internacional representa não apenas a oportunidade de disputar títulos, mas também uma experiência competitiva importante para a evolução técnica dos atletas e para a projeção do longboard português.
Desenvolvimento nacional e representação internacional: um equilíbrio necessário
A situação levanta uma questão mais ampla sobre as prioridades de investimento nas diferentes disciplinas do surf português.
O fortalecimento dos circuitos nacionais, a formação de jovens atletas e o apoio aos clubes são fundamentais para garantir o futuro do longboard.
Contudo, a presença nos Campeonatos do Mundo constitui igualmente uma oportunidade de desenvolvimento, permitindo aos atletas portugueses competir com a elite internacional e adquirir experiência ao mais alto nível.
Conciliar estas duas dimensões é um dos desafios que se colocam à modalidade.
A eventual existência de limitações orçamentais torna ainda mais importante a procura de soluções conjuntas, envolvendo estruturas federativas, associações, clubes e parceiros privados.
Associação vai solicitar esclarecimentos à Federação Portuguesa de Surf
A APL anunciou que irá solicitar formalmente à Federação Portuguesa de Surf esclarecimentos sobre a decisão, a gestão dos recursos destinados ao longboard e as medidas previstas para evitar que uma situação semelhante se repita.
A associação sublinha que o seu objetivo não é criar divisões, mas contribuir para uma modalidade mais forte e com maiores oportunidades para os atletas.
«A nossa intenção não é dividir, mas contribuir para soluções, transparência e respeito por quem trabalha diariamente para elevar o nome de Portugal», refere o comunicado.
A posição da APL tem gerado manifestações de apoio nas redes sociais, com vários elementos da comunidade do surf a defenderem maior diálogo e transparência nas decisões que afetam a representação nacional.
O futuro do longboard português em discussão
A ausência de Portugal no Mundial de 2026 abre um debate importante sobre a forma como o longboard deve ser apoiado e desenvolvido nos próximos anos.
A questão ultrapassa uma única competição: envolve o reconhecimento do trabalho dos atletas, o investimento na formação, a sustentabilidade dos circuitos nacionais e a criação de oportunidades para competir internacionalmente.
Num país com tradição e resultados relevantes no longboard, encontrar um equilíbrio entre estas prioridades será determinante para o futuro da modalidade.
A Associação Portuguesa de Longboard espera agora obter esclarecimentos e contribuir para que os atletas portugueses possam continuar a representar o país nas principais competições internacionais.





